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Riscos da inteligência artificial: executivo da Bridgewater diz que “ela vai matar pessoas antes de ser contida”

Por: Eduardo Carrega
11/09/2026
11:41h
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Riscos da inteligência artificial: executivo da Bridgewater diz que "ela vai matar pessoas antes de ser contida"

Um dos nomes mais respeitados do mercado financeiro global resolveu soar o alarme sobre os riscos da inteligência artificial — e o tom não foi nada suave. Greg Jensen, co-diretor de investimentos (CIO) da Bridgewater Associates, uma das maiores gestoras de hedge funds do mundo, participou do podcast Odd Lots, da Bloomberg, e fez comparações pesadas para descrever o momento atual da tecnologia.

“Infelizmente, é como estávamos em fevereiro de 2020”, disse Jensen, relacionando o estágio atual da IA aos primeiros sinais da pandemia de Covid-19. Na visão dele, a humanidade tende a repetir o mesmo erro: só reagir quando o estrago já começou.

“Até que a IA comece a matar pessoas, a história sugere que não faremos nada. Mas vamos enfrentar isso. Vai acontecer, e seria muito melhor se começássemos a lidar com o problema antes.”

Quem é o executivo por trás do alerta sobre riscos da inteligência artificial

Vale destacar que Jensen não é exatamente um opositor da tecnologia — pelo contrário. Ele foi um dos primeiros investidores da OpenAI e da Anthropic, duas das empresas mais influentes do setor de IA generativa. Ao longo de três décadas na Bridgewater, foi ele quem ajudou a incorporar modelos quantitativos, algoritmos e sistemas automatizados aos processos de investimento da gestora.

Hoje, é ele quem supervisiona o laboratório interno de inteligência artificial da empresa e acompanha de perto como a tecnologia vem sendo aplicada nos mercados financeiros. Segundo o executivo, os avanços têm sido tão rápidos que os modelos já começam a se aproximar das capacidades humanas — e não é força de expressão.

Jensen afirmou que a IA desenvolvida internamente pela Bridgewater quase alcançou o sistema de tomada de decisões baseado na chamada “intuição humana”, algo que a empresa levou décadas para construir e aperfeiçoar.

“A poucos anos” de superar todos os humanos da empresa

A projeção do executivo é ousada: “Acho que estamos a poucos anos de a IA ser significativamente melhor do que o conjunto de todos os humanos da Bridgewater. É apenas uma projeção, mas essa é a velocidade com que a tecnologia está avançando”, disse.

Parte da preocupação dele vem justamente da rapidez dessas mudanças, somada a episódios recentes envolvendo sistemas de inteligência artificial que se comportaram de forma inesperada. Jensen citou o ataque ao Hugging Face como um dos primeiros sinais de que os modelos podem agir de maneiras que ninguém previu.

Segundo ele, uma IA poderia tentar enganar avaliadores para atingir objetivos definidos ainda na fase de treinamento. Em um cenário mais extremo, sistemas muito avançados poderiam desenvolver estratégias cada vez mais agressivas para driblar limitações impostas pelos próprios criadores.

Um coro que cresce dentro da própria indústria

As falas de Jensen não são um caso isolado. Nesta semana, um ex-funcionário da Anthropic afirmou que a inteligência artificial representa um risco existencial para a humanidade. Recentemente, o investidor Paul Tudor Jones também entrou nesse debate, comparando a chegada da IA à expectativa pela aproximação de um furacão de categoria 6.

Para Jensen, desacelerar o ritmo de desenvolvimento da tecnologia pode ser o caminho mais sensato neste momento. “Quanto mais tempo esperamos, mais sem esperança a situação fica”, afirmou.

As propostas do CIO da Bridgewater para conter os riscos

Entre as medidas defendidas pelo executivo está a responsabilização direta de desenvolvedores e empresas por crimes eventualmente cometidos por sistemas de inteligência artificial. Ele também retomou uma ideia já defendida anteriormente: a tributação do chamado “trabalho das máquinas”, como forma de compensar os impactos da automação sobre o mercado de trabalho.

Na avaliação do gestor, cerca de 14% dos empregos existentes hoje poderão passar por mudanças radicais nos próximos três anos em função dos avanços da IA — um número que reforça a urgência do debate proposto por ele.

© 2026 Bloomberg L.P.

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