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Força maior: Oracle trava disputa com Blue Owl por atraso em data center de IA

Por: Eduardo Carrega
24/09/2026
16:41h
Força maior: Oracle trava disputa com Blue Owl por atraso em data center de IA
Oracle aciona cláusula de força maior em data center de IA no Novo México após temer atrasos no fornecimento de energia do Projeto Júpiter.
RESUMIR COM:

A Oracle notificou nesta quinta-feira uma unidade da gestora Blue Owl alegando “força maior” em um dos maiores projetos de data center dos Estados Unidos, localizado no Novo México. A informação foi confirmada por uma fonte a par do assunto à agência Reuters. O motivo declarado são possíveis atrasos no fornecimento de energia para a instalação, batizada de Projeto Júpiter.

A notícia derrubou as ações da Oracle, que caíam 3,3% no mercado americano. O caso expõe as dificuldades enfrentadas por grandes empresas de tecnologia para viabilizar a infraestrutura elétrica necessária à expansão da inteligência artificial.

O que significa a força maior invocada pela Oracle?

Segundo a fonte ouvida pela Reuters, cabe à Oracle garantir o fornecimento de energia para o local, conforme previsto em contrato. A empresa não pode encerrar o acordo de locação em nenhuma hipótese, mas usou a cláusula de força maior para adiar pagamentos, caso o data center não entre em operação em 2028, como estava planejado.

De acordo com reportagem da Bloomberg, a estratégia da Oracle é permanecer como locatária principal do projeto, mas ganhar tempo financeiro diante de possíveis atrasos. Cláusulas de força maior costumam ser acionadas quando surgem obstáculos fora do controle das partes, e esse tipo de decisão tende a preocupar credores e investidores.

Qual o impacto financeiro para a Blue Owl?

Qual o impacto financeiro para a Blue Owl?

A Blue Owl é dona da Stack Infrastructure, empresa responsável pelo desenvolvimento do data center. A gestora possui cerca de US$ 3 bilhões em capital próprio investido no projeto, enquanto a Oracle é responsável pelo pagamento dos custos da dívida.

Durante a fase de desenvolvimento, a Blue Owl obtém rendimento de 9% sobre seu capital investido. Após a conclusão da obra, esse retorno alavancado deve subir para cerca de 11%, segundo a fonte consultada pela Reuters.

Com a força maior, a Oracle prolonga o período em que paga o aluguel mais baixo, típico da fase de desenvolvimento. A Blue Owl ainda deve receber o valor mais alto pelo prazo originalmente combinado, mas o início desse pagamento fica adiado.

Em nota, a Blue Owl afirmou que a notificação não altera os compromissos financeiros firmados para esse projeto de longo prazo. Já a Oracle, procurada pela Reuters, não respondeu de imediato ao pedido de comentário, mas havia declarado antes que o Projeto Júpiter segue dentro do cronograma planejado.

Por que o Projeto Júpiter é tão relevante?

O campus do Projeto Júpiter ocupa cerca de 570 hectares e obteve US$ 18 bilhões em empréstimos junto a um consórcio de bancos, segundo informações de mídia citadas pela Reuters. A instalação integra um acordo mais amplo da Oracle com a OpenAI para fornecer capacidade de computação em inteligência artificial.

O projeto também faz parte da iniciativa Stargate, que prevê investimento de US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA nos Estados Unidos, com participação da OpenAI, do SoftBank Group e de parceiros como a própria Oracle.

O empreendimento já enfrentou uma série de obstáculos de infraestrutura. Entre eles, atrasos na construção de um gasoduto e contestações judiciais envolvendo licenças de água e qualidade do ar.

Data centers de IA sob pressão energética

O episódio reflete um problema mais amplo enfrentado pelo setor: a corrida por energia e recursos para sustentar a expansão da inteligência artificial. Empresas de tecnologia têm lidado simultaneamente com custos elevados de implantação e prazos apertados para atender parceiros como a OpenAI.

Além disso, cresce nos Estados Unidos a resistência de comunidades vizinhas a projetos de data centers. As preocupações giram em torno do impacto sobre o abastecimento local de energia, água e outros recursos naturais, o que tem transformado o tema em uma questão política sensível.

A corretora William Blair avaliou que o caso reforça as preocupações com atrasos regulatórios e energéticos que afetam projetos de IA em todo o país. Ainda assim, a instituição espera impacto mínimo para a Oracle no curto prazo, já que o ano fiscal de 2027 não deve ser afetado, uma vez que o Projeto Júpiter ainda não gera receita neste período.

Com informações de infomoney.com.br.

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