As taxas de cliques nas primeiras posições do Google caíram no desktop e subiram no celular durante o segundo trimestre de 2026. Os dados são do relatório trimestral de CTR da Advanced Web Ranking (AWR) e mostram uma inversão em relação ao início do ano, quando o movimento era o oposto.
A mudança importa para quem trabalha com sites, lojas virtuais e produção de conteúdo, porque afeta diretamente a previsão de tráfego vindo da busca orgânica. Quem monitora posições e cliques no Search Console pode notar variações que não têm relação com o desempenho real do site, mas com uma falha técnica do próprio Google.
O que mudou na CTR do Google entre desktop e mobile
Segundo a AWR, a comparação entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026 mostra uma divisão clara por dispositivo. No conjunto de todas as buscas, a CTR combinada das posições um e dois no desktop caiu 5,27 pontos percentuais. No mobile, essas mesmas posições subiram 6,59 pontos percentuais.
O relatório reforça que esses números somam variações de diferentes posições e não representam o resultado de um site específico. Ainda assim, a tendência aparece em vários recortes analisados.
Em buscas de uma única palavra, a CTR da posição um no desktop caiu 4,15 pontos, enquanto no mobile houve alta de 7,42 pontos. Para termos de marca, todas as vinte primeiras posições no desktop registraram queda, entre 1,47 e 3,08 pontos cada. Já a posição um no mobile, para o mesmo tipo de busca, cresceu 1,40 ponto. O padrão se repete em buscas informacionais, comerciais e de localização: queda no desktop, alta no mobile.
Por setor, a maioria seguiu essa divisão, com exceções pontuais. Artes e Entretenimento fugiu à regra, com ganho de 2,40 pontos na posição um do desktop. Já o setor de Direito, Governo e Política teve o maior salto isolado entre todos os segmentos: 17,31 pontos a mais na posição um do mobile. Na outra ponta, Moda e Estilo registrou a maior queda isolada, de 13,31 pontos, também na posição um do desktop.
Como a presença de AI Overviews influencia os cliques
O relatório também analisou o efeito dos AI Overviews sobre a CTR, usando apenas dados dos Estados Unidos. No desktop, páginas sem AI Overview tiveram CTR combinada de 29,05% nas posições um e dois. Quando o recurso aparecia, esse número caía para 10,04%.
A diferença de 19,01 pontos percentuais entre as duas situações ficou 6,03 pontos maior do que a registrada no trimestre anterior. No mobile, o comportamento foi parecido: a posição um teve CTR de 35,95% sem AI Overview e de 8,51% com o recurso presente.
Os números mensais divulgados pela empresa mostram ainda uma oscilação dentro do próprio trimestre. Nos Estados Unidos, a posição um do desktop em páginas com AI Overview teve CTR de 1,96% em abril e de 10,23% em junho, uma variação que os dados trimestrais consolidados não deixam evidente.
Por que a comparação cruza uma falha do Search Console
A página de ajuda do Search Console explica que um erro de registro fez o Google relatar impressões de forma incorreta entre 13 de maio de 2025 e 27 de abril de 2026. A falha afetou a CTR e a posição média exibidas na ferramenta, mas não alterou o número de cliques.
A AWR informa que sua ferramenta gratuita de CTR usa dados do Search Console, e o relatório do segundo trimestre credita suas tabelas a essa fonte. Isso indica que todo o período do primeiro trimestre esteve dentro da janela do erro, enquanto a maior parte do segundo trimestre já correspondeu ao período após a correção. Como a CTR é calculada dividindo cliques por impressões, o resultado depende diretamente da precisão das impressões registradas pelo Google. O relatório não esclarece se os números foram recalculados depois do conserto da falha.
O que isso muda para quem analisa dados de SEO
A divisão entre desktop e mobile identificada pela AWR se repetiu, agora de forma invertida em relação ao trimestre anterior. Por isso, um único trimestre de dados não é suficiente para afirmar que existe uma tendência consolidada de comportamento por dispositivo.
Quem compara relatórios próprios do Search Console pode encontrar essa mesma quebra nos números, já que o erro de impressões só foi corrigido em 27 de abril. Vale manter essa data como referência de possível ruído na medição, e não como sinal de mudança real no comportamento dos usuários.
Próximos passos
A AWR já adiantou que o relatório do terceiro trimestre vai indicar se a divisão observada agora entre desktop e mobile é uma tendência permanente ou apenas um pico sazonal temporário. Como o terceiro trimestre cobre o período de julho a setembro, ele ocorre inteiramente após a correção do Google.
Ainda assim, quem for comparar os dados do terceiro trimestre com os do segundo precisa lembrar que parte de abril ainda estava dentro da janela de erro, o que pode influenciar as conclusões finais.
Com informações de searchenginejournal.com.