Google e OpenAI transformaram a forma como uma pesquisa pode funcionar. Em vez de uma busca única, agora é possível deixar um pedido ativo, que continua trazendo atualizações mesmo depois que o usuário sai da tela. A mudança chegou em dois movimentos quase simultâneos: no dia 28 de setembro, o Google liberou o monitoramento de informações do AI Mode para todos os usuários, que antes era restrito aos assinantes dos planos Ultra e Pro. Um dia depois, em 29 de setembro, a OpenAI lançou os dots, agentes do ChatGPT que ficam permanentemente ativos.
Na prática, isso significa que buscas e tarefas deixam de ser pontuais. Para pequenos comércios, lojas e negócios locais, o efeito é direto: informações que surgem depois de uma pesquisa inicial podem aparecer automaticamente em atualizações futuras, sem que o usuário precise refazer a busca.
O que muda com o monitoramento automático?
O recurso do Google e os dots da OpenAI cumprem papéis diferentes. O monitoramento do AI Mode acompanha mudanças em informações dentro da própria Busca e envia atualizações ao usuário. Já os dots da OpenAI administram tarefas atribuídas, que podem envolver apps conectados e um computador na nuvem.

O ponto em comum é que, em ambos os casos, o pedido continua “vivo” depois que a pessoa encerra a interação. É o que pode ser chamado de uma instrução permanente: um termo descritivo, não uma denominação oficial usada por Google ou OpenAI.
Como o Google transforma uma busca em tarefa de monitoramento?
A ideia de pesquisas contínuas não é nova para o Google. O recurso Alertas já convertia temas de interesse em buscas recorrentes: o usuário escolhe o assunto, define a frequência das notificações, o tipo de site, idioma, região e quantidade de resultados, recebendo um e-mail sempre que o Google encontra resultados correspondentes.
Em maio, durante o evento I/O, a vice-presidente de Busca do Google, Liz Reid, apresentou os chamados agentes de informação, capazes de vasculhar blogs, sites de notícias e redes sociais, além dos dados em tempo real do Google sobre finanças, compras e esportes. Segundo Reid, quem procura um apartamento pode “despejar todas as exigências exatas” e o agente “vai escanear continuamente” por conta própria.

O recurso chegou aos assinantes Ultra em 12 de junho, em todos os idiomas e mercados do AI Mode. Na época, o vice-presidente de Produto da Busca do Google, Robby Stein, afirmou que os agentes enviariam “atualizações detalhadas e links para a web”.
Já a publicação de Stein em 28 de setembro muda o termo para “capacidades de monitoramento de informações”, em vez de “agentes de informação”, e descreve que a Busca vai “checar continuamente as informações que mudam na web” e sugerir tarefas durante as pesquisas. O texto de setembro não repete a promessa de links exploráveis feita em maio e junho, e também não detalha quais ações automáticas o sistema pode tomar nem quem seria responsável por elas.
O que os dots da OpenAI fazem de diferente?
Segundo a OpenAI, os dots são “agentes sempre ativos”, com computador próprio na nuvem, navegador próprio e acesso a aplicativos conectados pelo usuário. A empresa descreve que um dot “pode assumir responsabilidade contínua e seguir progredindo entre conversas”.

A função mais parecida com o monitoramento do Google é a de trabalho atribuído: o dot “continua trabalhando entre conversas e acompanha conforme as coisas mudam”, podendo decidir quando pausar e retomar uma tarefa. O usuário também pode definir um horário ou evento específico que dispare a ação.
Para tarefas recorrentes, a orientação da OpenAI é que o usuário especifique o que deve ser verificado, a periodicidade, as mudanças que devem gerar notificação e para onde o resultado deve ser enviado. Vale destacar que simplesmente conectar um serviço como o Slack não cria, por si só, uma tarefa de monitoramento: é preciso que o serviço conectado suporte esse tipo de acompanhamento.
Além das tarefas atribuídas, os dots também fazem pesquisas proativas, sem que o usuário precise pedir. O agente consegue ler fontes conectadas autorizadas e guardar anotações privadas, cruzando informações novas com trabalhos anteriores, mas sem poder enviar mensagens a terceiros, alterar conteúdos via plugins ou controlar navegadores e computadores de forma autônoma nessa modalidade.

Essa limitação deixa de fora o monitoramento direto de sites via navegador dentro da pesquisa proativa, já que alguns sites bloqueiam navegadores na nuvem ou exigem verificações adicionais.
Quem já pode usar os dots?
Os dots estão sendo liberados para usuários do plano Pro fora do Espaço Econômico Europeu, da Suíça e do Reino Unido, além de usuários do plano Business Premium em todas as regiões atendidas. A versão Enterprise está em fase beta e vem desativada por padrão.
Por que isso importa para quem usa a busca no dia a dia?
Com instruções permanentes rodando em segundo plano, buscas deixam de ser um evento isolado e passam a funcionar como um acompanhamento contínuo. Isso pode mudar a forma como consumidores recebem informações sobre preços, produtos e serviços locais, já que atualizações passam a chegar automaticamente conforme o cenário muda na web.
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Até o momento, nem Google nem OpenAI detalharam publicamente como os critérios de seleção de fontes funcionam nessas atualizações automáticas, nem como o Search Console do Google contabiliza, de forma separada, os acessos gerados por esse monitoramento.
Com informações de searchenginejournal.com.