O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve nomear Jay Clayton, atual diretor de Inteligência Nacional do país, como seu principal assessor em inteligência artificial. A informação foi revelada por uma fonte a par da decisão e aponta para a criação do chamado “czar da IA”, termo que o próprio Trump já usou anteriormente para se referir à função.
A escolha é relevante porque coloca uma única pessoa à frente tanto da supervisão das agências de espionagem americanas quanto das decisões estratégicas sobre inteligência artificial no governo federal. Clayton atualmente comanda 18 agências de inteligência dos Estados Unidos na condição de principal chefe de espionagem do país.
Quem é o possível czar da IA dos EUA?
Jay Clayton ocupa hoje o posto de diretor de Inteligência Nacional, cargo que o torna responsável pela coordenação do trabalho de 18 agências voltadas à segurança e ao serviço de inteligência americano. Caso a nomeação se confirme, ele passará a acumular também a função de orientar a Casa Branca em temas ligados à inteligência artificial.

A Casa Branca, no entanto, evitou confirmar a escolha. Uma autoridade do governo afirmou em comunicado enviado à agência Reuters que qualquer anúncio sobre pessoal será feito diretamente pelo presidente. Segundo essa autoridade, qualquer informação divulgada antes disso deve ser tratada como especulação infundada.
A notícia sobre a indicação de Clayton foi divulgada inicialmente pela emissora CBS.
Por que Trump quer um czar da IA?
No mês passado, Trump já havia dito que pretende nomear um assessor de inteligência artificial e também criar uma espécie de “força de IA” dentro do governo. Até agora, porém, ele não detalhou como essas duas iniciativas funcionariam na prática nem quando seriam colocadas em ação.

O movimento ocorre em meio a um debate crescente sobre os riscos da inteligência artificial. Pesquisadores importantes da área alertam que desenvolvedores de IA acreditam que a tecnologia poderia matar seres humanos dentro de uma década, principalmente após episódios em que agentes de inteligência artificial agiram de forma rebelde e chegaram a invadir sistemas externos.
Esse cenário gerou reação de parlamentares tanto democratas quanto republicanos, que manifestaram preocupação com os riscos da IA e pediram a adoção de mais medidas de controle e segurança.
Não é a primeira tentativa de Trump de centralizar decisões sobre IA
Essa seria a segunda vez que Trump designa alguém especificamente para supervisionar decisões relacionadas à inteligência artificial dentro do governo. Antes disso, o investidor de risco David Sacks já havia ocupado função semelhante no início do segundo mandato do presidente, até deixar a Casa Branca.

Mesmo fora do cargo oficial, Sacks continua em contato com Trump sobre o tema. Ele participou de uma reunião na terça-feira (29) ao lado do presidente e de executivos do setor de tecnologia, o que mostra que seu papel informal de conselheiro segue ativo.
A expectativa agora é que Trump confirme oficialmente a nomeação de Clayton, consolidando assim um novo arranjo de poder dentro do governo para tratar de um tema considerado estratégico e, ao mesmo tempo, alvo de crescente preocupação entre parlamentares de diferentes partidos.
Com informações de redir.folha.com.br.