Imagine que um cliente te manda cinco links para sumir da internet: uma avaliação no Google, uma review no Yelp, um registro judicial republicado, uma thread no Reddit e uma matéria de jornal local. Qual deles tem chance real de ser derrubado? Segundo um levantamento com dados de 2026, uma avaliação do Google elegível e um registro judicial republicado costumam sair do ar sem muita dor de cabeça. Já a review do Yelp, a thread do Reddit e a reportagem jornalística são um osso bem mais duro de roer.
Vale lembrar que conteúdo negativo também pode aparecer em respostas geradas por inteligência artificial. Uma análise publicada em maio pelo Search Engine Journal mostrou que as AI Overviews do Google chegavam a exibir avaliações negativas mesmo em buscas que não pediam nada relacionado a reviews. Por isso, entender quais fontes costumam ceder à remoção — e quais exigem outra estratégia — faz toda diferença na hora de tentar limpar a reputação online de alguém.
O que os dados de 2026 revelam sobre a remoção de resultados negativos
A análise reuniu 22.620 links enviados por clientes à Erase.com entre 1º de janeiro e 21 de setembro de 2026. Esses links vieram de cerca de 1.650 sites diferentes, e os resultados variaram bastante conforme a plataforma de origem.
Nesse recorte, uma remoção bem-sucedida podia significar três coisas: tirar a página do ar, desindexá-la (ou seja, fazer com que ela suma dos resultados do Google sem necessariamente ser excluída do site de origem) ou remover apenas o nome e a foto da pessoa.
Avaliações do Google lideram os pedidos de remoção de resultados negativos
As avaliações do Google representaram cerca de metade dos links analisados, sem contar um caso específico, cheio de imagens, tratado à parte na metodologia. Veja como ficou a distribuição por categoria:
- Avaliações no Google: 52%
- Imagens e vídeos: 13%
- Avaliações em outros sites: 11%
- Matérias jornalísticas: 6%
- Posts em redes sociais: 6%
- Registros judiciais: 4%
- Fotos de prisão (mugshots): 2%
- Fóruns, principalmente Reddit: 2%
- Listagens de sites de busca de pessoas: 1%
Mais de mil sites apareceram apenas uma única vez na base. Só os links de notícias vieram de 708 veículos diferentes, cada um com suas próprias regras editoriais — o que ajuda a explicar por que esse tipo de conteúdo é tão difícil de padronizar.

Mais fácil de remover: avaliações elegíveis do Google
As avaliações do Google foram, de longe, as que caíram com mais consistência. O Google mantém uma política de conteúdo proibido e restrito que já lista o que pode ser removido: avaliações falsas, casos de falsificação de identidade, assédio, comentários fora do tema e exposição de dados pessoais. Quando a review se encaixa claramente em uma dessas categorias, o Google costuma mesmo derrubar o conteúdo.

Mais rápido de remover: registros judiciais, mugshots e listagens de busca de pessoas
Registros judiciais republicados, fotos de prisão e listagens de sites de busca de pessoas formaram o trio mais confiável e também o mais ágil: em todos os casos, a remoção mediana levou menos de duas semanas.
Mais difícil de remover: Yelp, Reddit e matérias de jornal
Avaliações em plataformas como Yelp, Trustpilot, Indeed, BBB e Glassdoor raramente saíram do ar. Threads no Reddit e reportagens jornalísticas também se mostraram bem resistentes a pedidos de remoção.
Para os casos de sucesso, o tempo mediano de remoção foi de 18 dias. Desse total, 71% foram confirmados em até 30 dias e 91% em até 90 dias.
É importante reforçar: esses números descrevem quanto tempo levaram os casos que deram certo — não a probabilidade de um link enviado efetivamente ser removido. Por tipo de conteúdo, o tempo mediano até a remoção foi de 9 dias para registros judiciais (com 89% resolvidos em até 30 dias), 9 dias para listagens de busca de pessoas (84% em até 30 dias), 11 dias para mugshots (93%), 14 dias para posts em redes sociais (79%), 19 dias para avaliações do Google (67%), e 28 dias para matérias jornalísticas (51%). Somando tudo, a remoção completa de páginas foi mais rápida que a desindexação: mediana de 14 dias contra 21. Vale um alerta, no entanto: cerca de uma em cada dez remoções bem-sucedidas de avaliações do Google levou mais de 90 dias — ou seja, não vale a pena desistir de um pedido só porque ele não andou no primeiro mês.
Como remover resultados negativos conforme a origem do conteúdo
Com esse panorama em mãos, dá para traçar expectativas realistas e seguir o caminho certo para cada tipo de fonte. O primeiro passo é agrupar os links negativos por site de origem e, em seguida, checar as regras e as opções de remoção de cada um. Faz sentido começar pelas fontes que se movem rápido, como sites de registros judiciais e de busca de pessoas. Quando a remoção ou a desindexação não são possíveis, a saída é investir em empurrar o link para baixo nos resultados de busca.
Avaliações do Google: o que considerar antes de denunciar
Antes de reportar uma avaliação no Google, vale checar tanto as políticas da plataforma quanto os limites legais para esse tipo de pedido. Nos Estados Unidos, a Regra de Avaliações e Depoimentos de Consumidores da FTC entrou em vigor em outubro de 2024 e proíbe empresas de usar ameaças, intimidação ou acusações falsas para forçar a remoção de uma avaliação.
O processo recomendado segue basicamente dois passos: primeiro, identificar exatamente qual política a avaliação viola — uma review que não reflete uma experiência genuína pode se enquadrar, mas uma crítica apenas dura e honesta, mesmo que incômoda, dificilmente se qualifica. Depois, reportar o conteúdo pela ferramenta de gerenciamento de avaliações do Google e, se o pedido for negado, recorrer pela mesma ferramenta, acrescentando detalhes que reforcem o argumento.
Yelp, registros judiciais, mugshots e redes sociais
As avaliações do Google corresponderam a 82% de todo o trabalho envolvendo reviews. O Yelp ficou com cerca de metade do restante, somando mais de mil links entre as versões americana e canadense do site — e muito poucas dessas avaliações foram efetivamente removidas. Quando a review não quebra nenhuma regra da plataforma, costuma valer mais a pena responder publicamente, de forma curta e factual, do que insistir na remoção.
Já sites de registros judiciais como Trellis, UniCourt, Justia, CaseMine, vLex e CourtListener costumam remover ou desindexar o conteúdo sem muita resistência, já que eles apenas replicam documentos publicados originalmente nos sites dos tribunais — mais de um quarto dos casos bem-sucedidos nessa categoria envolveu desindexação, e não remoção completa. No campo dos mugshots, sites como Mugshots.zone, Arrests.org, RecentlyBooked e BustedNewspaper costumam atender aos pedidos de retirada. Já plataformas de busca de pessoas, como Whitepages, TruePeopleSearch, Radaris, Spokeo e FastPeopleSearch, costumam aceitar o opt-out — mas é preciso ficar de olho, já que os dados podem voltar a aparecer quando o site atualiza sua base.
No universo das redes sociais, o Instagram foi a plataforma onde posts saíram do ar com mais frequência, seguido por Facebook e X. TikTok e YouTube, por outro lado, foram as mais resistentes quando não havia uma violação clara de direitos autorais ou de conteúdo prejudicial envolvida.
O que fica como lição desse levantamento
No fim das contas, o recado é simples: nem todo resultado negativo no Google tem o mesmo caminho de solução. Enquanto registros judiciais, mugshots e listagens de busca de pessoas tendem a sair rápido, avaliações fora do Google e matérias jornalísticas exigem paciência — e, muitas vezes, uma estratégia diferente, como responder publicamente ou trabalhar para empurrar o conteúdo para baixo nos resultados de busca em vez de tentar removê-lo de vez.
Com informações de searchenginejournal.com.