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Ameaças catastróficas à saúde: estudo aponta 17 riscos e duas podem acabar com a humanidade

Por: Eduardo Carrega
11/10/2026
15:03h
Ameaças catastróficas à saúde: estudo aponta 17 riscos e duas podem acabar com a humanidade
Estudo publicado na The Lancet lista 17 ameaças catastróficas à saúde global, com destaque para riscos de IA e conflito nuclear que podem extinguir a…
RESUMIR COM:

Um novo relatório publicado na revista científica The Lancet acendeu um alerta e tanto: uma comissão global de especialistas identificou 17 ameaças catastróficas à saúde humana, sendo que duas delas têm potencial, segundo os pesquisadores, de levar a humanidade à extinção. Para chegar a essa lista, 37 membros da comissão passaram um bom tempo analisando a gravidade de cada risco e como a humanidade poderia se preparar para enfrentá-los ao longo deste século.

Um novo relatório publicado na revista científica The Lancet acendeu um alerta…

O tom do relatório, no entanto, não é só de pessimismo. “A constatação marcante não é apenas a dimensão dessas ameaças, mas o fato de que a humanidade ainda tem capacidade de agir. Diante de todas as 17 ameaças catastróficas, as decisões tomadas pelos líderes hoje moldarão a saúde e o bem-estar da próxima geração. No entanto, adiar a ação servirá apenas para transferir e aumentar os custos para o futuro”, afirmou o copresidente da comissão, Christopher J.L. Murray, diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, em comunicado.

As duas ameaças catastróficas que mais preocupam

Entre os 17 temas analisados, dois chamaram a atenção de forma especial: a possibilidade de um conflito nuclear e os riscos do uso malicioso da inteligência artificial. Apesar de a probabilidade desses eventos ainda ser relativamente baixa, os especialistas defendem que ambos merecem atenção redobrada justamente por conta do potencial de gerar consequências em escala global — incluindo, no limite, riscos existenciais para toda a espécie humana.

Ao cruzar impacto potencial e chance de ocorrência, a comissão chegou a números impressionantes. Medidas para prevenir um conflito nuclear poderiam evitar cerca de 133 milhões de mortes e 9,35 bilhões de anos de vida ajustados por incapacidade (os chamados DALYs) até 2100. Já ações voltadas a reduzir os riscos do uso malicioso da inteligência artificial poderiam evitar cerca de 10,4 bilhões de anos de vida ajustados por incapacidade no mesmo período — ou seja, um impacto ainda maior em termos de anos de vida saudável preservados.

Ao cruzar impacto potencial e chance de ocorrência, a comissão chegou a…Ao cruzar impacto potencial e chance de ocorrência, a comissão chegou a…

A lista completa das ameaças catastróficas à saúde

Além das duas ameaças de maior potencial destrutivo, o relatório lista outros 15 riscos considerados catastróficos pela comissão:

  • Poluição do ar;
  • Redução da assistência internacional à saúde;
  • Pandemias de origem natural;
  • Resistência antimicrobiana;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Obesidade;
  • Desnutrição infantil;
  • Hipertensão arterial;
  • Problemas de saúde mental;
  • Mudanças climáticas;
  • Desigualdade de renda;
  • Tabagismo;
  • Conflitos convencionais;
  • Baixo nível de escolaridade;
  • Envelhecimento não saudável.

Já as duas ameaças apontadas como potenciais riscos de extinção são:

  • Uso malicioso da inteligência artificial;
  • Conflito nuclear.

Clima, obesidade e outros riscos que já pesam hoje

Mesmo sem entrar no grupo das duas ameaças catastróficas com potencial de extinção, as mudanças climáticas já são tratadas pela comissão como um problema urgente. De acordo com o relatório, limitar o aquecimento global a cerca de 1,8°C — em vez de deixar o termômetro subir até 4,4°C — poderia evitar a perda de aproximadamente 1,89 bilhão de anos de vida saudável, número associado a eventos como ondas de calor extremo e poluição atmosférica.

Os pesquisadores fazem questão de reforçar que esse impacto real pode ser bem maior do que o calculado. Afinal, a estimativa leva em conta apenas danos que já conseguem ser medidos hoje, deixando de fora efeitos mais difíceis de quantificar, como deslocamentos populacionais, secas prolongadas e consequências para a saúde mental. Por isso, sem cortes significativos nas emissões de gases de efeito estufa, essas perdas tendem a se acumular ainda mais depois de 2100, agravando outras ameaças já mapeadas no estudo.

A obesidade também apareceu como uma preocupação em crescimento acelerado: segundo o relatório, a condição pode responder por 23,1 bilhões de anos de vida ajustados por incapacidade potencialmente evitáveis até o fim do século. Em paralelo, a África Subsaariana deve concentrar cerca de 70% da carga de saúde evitável associada a um eventual colapso da assistência internacional voltada ao setor.

O que a comissão propõe para evitar o pior

Diante de um cenário tão amplo de ameaças catastróficas, a comissão não ficou só no diagnóstico — propôs uma agenda de ação dividida em três frentes.

A primeira é a preparação: os autores defendem que líderes globais atuem de forma coordenada para fortalecer a capacidade de resposta a crises futuras, com apoio financeiro que alcance também as populações mais vulneráveis. A segunda frente é o incentivo à inovação, com investimentos em pesquisas, novas vacinas, medicamentos e tecnologias voltadas ao clima, além de ampliar o acesso a essas soluções de forma mais equilibrada entre os países. Por fim, a comissão destaca a importância do monitoramento contínuo dos riscos, já que entender a real dimensão de cada ameaça é condição básica para criar respostas eficazes.

Em editorial que acompanha o relatório, os autores fazem questão de esclarecer que essa lista não deve ser encarada como um ranking fechado e definitivo. Novas evidências científicas podem mudar a avaliação desses riscos ao longo das próximas décadas. Ainda assim, o recado para governos e instituições é o mesmo: a hora de se preparar é agora. As mudanças climáticas, por exemplo, hoje não entram no grupo das ameaças com risco de extinção, mas podem chegar lá nos séculos seguintes caso as emissões globais não sejam reduzidas de forma consistente.

Com informações de infomoney.com.br.

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