A inteligência artificial tem potencial para turbinar a economia mundial, mas esse crescimento pode não chegar igual para todo mundo. É esse o alerta feito por autoridades do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico): sem mudanças estruturais, a disparidade entre países ricos e pobres tende a se aprofundar justamente por conta da tecnologia que promete revolucionar a produtividade global.
O que explica o risco de disparidade entre países ricos e pobres
Segundo as duas instituições, o problema não está na inteligência artificial em si, mas na forma desigual como o mundo está preparado para absorvê-la. Enquanto nações desenvolvidas já contam com infraestrutura robusta para sustentar essa transformação, muitos países em desenvolvimento ainda enfrentam gargalos básicos — e é justamente aí que mora o risco de ficarem para trás.
De acordo com o alerta, três frentes são decisivas para que a IA se torne uma ferramenta de inclusão, e não de exclusão:
- Acesso à energia, essencial para sustentar data centers e operações de processamento em larga escala;
- Infraestrutura digital, que garante conectividade e capacidade técnica para rodar sistemas de IA;
- Qualificação de mão de obra, para que trabalhadores consigam acompanhar as mudanças no mercado.
Ou seja, não basta a tecnologia existir — é preciso que exista também a estrutura para usá-la. E, nesse ponto, países mais pobres partem em desvantagem significativa.
Empresas pequenas e trabalhadores jovens também entram na conta
O alerta de FMI e OCDE não se limita à comparação entre nações. Empresas menores e trabalhadores mais jovens também correm risco de ficar à margem desse processo, segundo as autoridades das duas instituições. Isso acontece porque negócios de menor porte costumam ter menos recursos para investir em adaptação tecnológica, enquanto trabalhadores no início de carreira podem sentir primeiro os efeitos de uma reconfiguração acelerada do mercado de trabalho.
Dessa forma, o cenário desenhado pelas instituições mostra uma espécie de efeito cascata: a desigualdade entre países pode se refletir internamente, ampliando também as distâncias entre grandes corporações e pequenos negócios, além de afetar diferentes gerações de forma desigual dentro de uma mesma economia.
Crescimento real depende de correção de rota
Apesar do tom de alerta, a mensagem não é de pessimismo em relação à inteligência artificial como motor de crescimento. Pelo contrário: FMI e OCDE reconhecem o potencial da tecnologia para impulsionar a economia global. No entanto, fazem questão de frisar que esse crescimento só será amplo e sustentável se vier acompanhado de investimentos coordenados em energia, conectividade e capacitação.
Em resumo, o recado das autoridades é direto: sem correções estruturais, a IA corre o risco de aprofundar desigualdades já existentes, em vez de ajudar a reduzi-las. Por isso, o desafio colocado para governos e organismos internacionais passa a ser menos sobre frear o avanço tecnológico e mais sobre garantir que ele chegue de forma mais equilibrada a diferentes países, empresas e perfis de trabalhadores.
Com informações de redir.folha.com.br.