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Meta adia mudança de termos comerciais: entenda o motivo das críticas de entidades de mídia

Por: Eduardo Carrega
23/10/2026
23:20h
Meta adia mudança de termos comerciais: entenda o motivo das críticas de entidades de mídia
Meta adia termos comerciais para 20 de novembro após críticas de entidades de mídia sobre rastreamento de conteúdo jornalístico. Entenda o caso.
RESUMIR COM:

A Meta decidiu empurrar para 20 de novembro a atualização de seus termos comerciais, depois que entidades ligadas a jornais e outros veículos de mídia levantaram preocupações sobre rastreamento e coleta de conteúdo em sites de notícias. A data inicial era 30 de outubro, mas a pressão fez a empresa reconsiderar o cronograma.

Por que a Meta adiou os novos termos comerciais

Em contato com a Folha, a Meta explicou que a prorrogação serve “para ter mais tempo para esclarecer aos parceiros e stakeholders o que muda e o que não muda —incluindo como a Meta usa rastreadores da web (web crawlers) e o fato de que os proprietários de conteúdo continuarão podendo usar o robots.txt para sinalizar suas preferências”.

Vale lembrar que o robots.txt não é exatamente uma trava de segurança, mas sim uma espécie de aviso: trata-se de um arquivo que lista quais robôs têm ou não autorização para acessar determinado conteúdo. Ou seja, funciona mais como uma sinalização de preferência do que como um bloqueio efetivo.

O que dizem as entidades de mídia sobre a Meta

A polêmica ganhou força depois que a Wan-Ifra (Associação Mundial de Editores de Notícias) publicou um texto em seu site na quinta-feira (22) afirmando que os novos termos autorizam a Meta a usar ferramentas automatizadas para acessar sites associados a qualquer empresa que utilize seus serviços, além de continuar coletando atualizações desses sites.

Na prática, isso atingiria praticamente todo o setor jornalístico, já que a presença nessas plataformas é quase universal entre veículos de imprensa.

“Como quase toda organização jornalística mantém uma página no Facebook (a conta pública usada por empresas e editoras), um perfil empresarial ou uma conta de anúncios nas plataformas da Meta, a cláusula alcançaria o jornalismo dos veículos no mundo todo, não apenas o conteúdo que eles escolhem compartilhar na Meta. Editoras de todos os tipos, de jornais nacionais a títulos locais e revistas segmentadas, seriam afetadas”, afirmou a entidade.

Por aqui, a ANJ (Associação Nacional de Jornais) também se manifestou. Em nota enviada à reportagem, a entidade disse esperar “que a Meta não apenas recue definitivamente desta aberração ética e jurídica como passe a negociar, nos devidos termos legais e morais, a autorização para uso de conteúdos de terceiros em seus produtos, em particular os de IA”.

Queixa formal contra a Meta na Europa

Além das críticas públicas, o caso já chegou a instâncias regulatórias. Nesta mesma semana, o grupo Movement for an Open Web (Movimento por uma Web Aberta) — que reúne anunciantes digitais e empresas jornalísticas entre seus membros — informou ter apresentado queixa formal à Comissão Europeia e à Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido, solicitando inclusive medidas cautelares.

De acordo com a entidade, a mudança nos termos comerciais daria à Meta um direito praticamente ilimitado de usar conteúdo de jornais em seus serviços de inteligência artificial. É justamente esse ponto — o uso de material jornalístico para alimentar sistemas de IA sem negociação prévia — que está no centro do desconforto de editoras e associações de imprensa ao redor do mundo.

Por enquanto, o adiamento para 20 de novembro dá um fôlego extra tanto para a Meta explicar melhor as mudanças quanto para as entidades de mídia continuarem pressionando por ajustes nos termos. Resta saber se, até lá, a empresa vai ceder às críticas ou manter o rumo original da atualização.

Com informações de redir.folha.com.br.

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