A Microsoft está prestes a dar um passo que não dava há quase uma década: voltar ao mercado de títulos dos Estados Unidos para captar recursos. Segundo uma fonte familiarizada com o assunto ouvida pela Reuters nesta quinta-feira, a companhia planeja levantar cerca de US$25 bilhões por meio de sua primeira emissão de títulos de grau de investimento em mais de nove anos. A informação foi divulgada inicialmente pela Bloomberg News, e o destino do dinheiro é claro: turbinar os investimentos da empresa em inteligência artificial.
Microsoft dívida bilionária: por que a gigante recorre ao mercado de títulos
Com essa movimentação, a Microsoft entra para a lista das grandes empresas de tecnologia que têm recorrido aos mercados de dívida para bancar suas apostas em IA. Ou seja, mesmo tendo caixa robusto, as big techs estão mudando de estratégia — algo incomum para gigantes do Vale do Silício, que historicamente usam recursos próprios para financiar expansões. No último ano, essa tem sido a tônica entre as maiores players do setor, que combinam venda de títulos e captação de recursos próprios para sustentar o apetite bilionário por data centers e infraestrutura de IA.
De acordo com a Bloomberg, a Microsoft está estruturando a venda da dívida em até 10 parcelas, com vencimentos que vão de dois a 40 anos. Até o momento, porém, nenhuma decisão final foi tomada sobre o tamanho total da oferta — o valor pode mudar conforme a demanda dos investidores.
Bancos por trás da operação e silêncio sobre detalhes
A operação está sendo conduzida por três nomes pesados do mercado financeiro: Wells Fargo, JPMorgan Chase e UBS Group. Apesar disso, pouca coisa foi confirmada publicamente. O UBS e o Wells Fargo recusaram os pedidos de comentário da Reuters, enquanto o JPMorgan não respondeu imediatamente. Já a Microsoft indicou à reportagem um documento regulatório que confirma a venda de títulos, mas sem revelar o valor exato da transação.
Vale lembrar que esse movimento acontece pouco tempo depois de a Microsoft oferecer demissão voluntária para 60 mil funcionários, como parte de um corte de custos mais amplo.
Declaração da diretora financeira reforça estratégia
O relatório sobre a emissão de títulos surge apenas um dia depois de a diretora financeira da Microsoft, Amy Hood, ter sinalizado aos investidores, durante uma teleconferência sobre resultados, que a empresa buscaria fontes adicionais de financiamento sempre que isso fizer sentido estrategicamente.
“Quando considerarmos que seja vantajoso fazê-lo”, disse Hood, citando a necessidade de preservar o fluxo de caixa e a flexibilidade financeira da companhia.
Apesar do anúncio bilionário, as ações da Microsoft caíram cerca de 1,2% nas negociações da tarde. A reação do mercado chama atenção porque, na véspera, a empresa havia divulgado uma previsão otimista de vendas de serviços em nuvem para o trimestre atual, logo após o fechamento do pregão na quarta-feira.
Microsoft aposta em manter caixa positivo, diferente de rivais
Um ponto que diferencia a Microsoft de parte da concorrência é a expectativa de continuar gerando fluxo de caixa livre positivo durante o atual ano fiscal, que vai até junho de 2027. Isso coloca a empresa em posição de destaque entre as grandes companhias de tecnologia e seus pares de hiperescala, já que vários rivais começaram a queimar caixa para financiar a expansão acelerada de seus data centers.
Não é exagero dizer que o mercado tem cobrado um preço alto por essa corrida da IA. Na quarta-feira, por exemplo, os investidores puniram a Alphabet depois que a empresa revelou ter queimado US$9,07 bilhões no terceiro trimestre. O movimento se soma a outro episódio recente: a venda de ações da Meta na semana anterior, após a controladora do Facebook registrar sua primeira queima de caixa em mais de uma década.
Em resumo, o caso da Microsoft mostra como a corrida pela inteligência artificial está redesenhando até a forma como as maiores empresas do mundo lidam com suas finanças — recorrendo cada vez mais à dívida para não ficar para trás numa disputa que, por enquanto, não dá sinais de desacelerar.
Com informações de infomoney.com.br.