A Marvell Technology fechou um acordo para comprar a Lumentum, fabricante de componentes ópticos, em uma transação de US$ 115 bilhões paga inteiramente em ações, incluindo dívidas. A compra Marvell Lumentum foi anunciada nesta segunda-feira e marca mais um capítulo da disputa da empresa com a rival de maior porte, a Broadcom, justamente num momento em que o boom de gastos com inteligência artificial não para de crescer.
O negócio está entre os maiores de 2026 e é considerado uma das apostas corporativas mais ousadas já feitas dentro desse movimento de investimento pesado em IA — algo que, segundo executivos do setor de chips, deve sustentar a demanda da indústria por muito tempo ainda.
Por que a compra Marvell Lumentum faz sentido estratégico
Ao absorver a Lumentum, empresa que tem cerca de metade do seu tamanho, a Marvell está apostando suas fichas em uma tese bem clara: o apetite das grandes empresas de tecnologia por gastar com IA veio para ficar, e a demanda por componentes ópticos — essenciais para transmitir dados em alta velocidade — vai continuar maior do que a oferta disponível no mercado.
De acordo com os termos fechados, a Marvell vai pagar US$ 1.132 por ação, valor que representa um prêmio de 23,9% sobre o último preço de fechamento da Lumentum antes de as negociações virem a público, registrado em 28 de outubro. Com isso, o negócio chega a um valor patrimonial de US$ 102,54 bilhões.
Mercado de US$ 550 bilhões no radar
Segundo a própria Marvell, a fusão deve ampliar o mercado total acessível da nova empresa combinada para US$ 550 bilhões — um salto e tanto que ajuda a explicar a reação do mercado. As ações da Marvell subiram 2,8% no pré-mercado logo após o anúncio, enquanto os papéis da Lumentum tiveram as negociações suspensas.
Vale lembrar que a Nvidia, gigante dos chips de IA, já havia investido US$ 2 bilhões tanto na Marvell quanto na Lumentum no início deste ano — ou seja, a fabricante de chips de IA tem interesse direto no sucesso das duas companhias envolvidas no acordo.
De fabricante desconhecida a protagonista do setor
A trajetória da Marvell nos últimos anos chama atenção. Há apenas três anos, a empresa era vista como uma fabricante de chips relativamente desconhecida no mercado. Desde então, no entanto, seu valor de mercado disparou para mais de US$ 170 bilhões, impulsionado principalmente pelo papel que passou a exercer ajudando gigantes como a Amazon a desenvolver chips de IA personalizados e tecnologia de rede voltada para data centers.
Esse crescimento acelerado coloca a Marvell em posição ainda mais competitiva frente à Broadcom, que há muito tempo é a principal parceira de chips personalizados do Google — empresa controlada pela Alphabet — e que leva vantagem por oferecer aos clientes um leque mais amplo de hardware de IA para data centers, tudo sob o mesmo teto.
Apesar disso, a Marvell já vinha mostrando força antes mesmo deste novo acordo. Em agosto, a empresa conquistou uma de suas maiores vitórias ao assinar um contrato para fornecer chips que funcionam em conjunto com os processadores de IA do Google, com potencial de vendas de até US$ 120 bilhões até o ano fiscal de 2033. Esse acordo, inclusive, concedeu ao Google o direito de adquirir uma participação de US$ 12,2 bilhões na fabricante de chips.
O que esperar daqui para frente
Em resumo, a compra Marvell Lumentum reforça um movimento que já era visível no mercado de tecnologia: empresas de chips se consolidando para atender à demanda crescente de infraestrutura para inteligência artificial. Com o reforço da Lumentum em componentes ópticos, a Marvell amplia seu portfólio justamente na área que viabiliza a transmissão de dados em alta velocidade — peça fundamental para qualquer data center que sustente cargas pesadas de IA. Resta acompanhar como a Broadcom vai reagir a esse novo movimento da concorrente e se outras fusões semelhantes devem surgir no setor nos próximos meses.
Com informações de infomoney.com.br.