O balanço da Intel saiu nesta quinta-feira e, apesar de alguns números positivos, o mercado não gostou nada da projeção da empresa para o próximo trimestre. O resultado veio misto, mas o guidance abaixo do esperado foi suficiente para derrubar as ações da fabricante de chips no after hours em Nova York, que despencaram 19,16% por volta das 17h34 (de Brasília).
Lucro cai, mas supera expectativas
No terceiro trimestre de 2026, a Intel registrou lucro líquido de US$ 3,32 bilhões, uma queda de 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o lucro por ação ajustado ficou em US$ 0,52, número que surpreendeu positivamente os analistas da FactSet, que esperavam apenas US$ 0,41.
Para efeito de comparação, no mesmo trimestre do ano passado a companhia havia entregado um lucro ajustado de US$ 0,23 por ação, sobre vendas de US$ 13,65 bilhões. Ou seja, mesmo com a queda no lucro líquido, a Intel conseguiu bater as projeções do mercado nesse quesito específico — o que, por si só, já indicava que o problema estava em outro lugar.
Guidance fraco preocupa investidores
O ponto que realmente pesou foi a projeção para o quarto trimestre de 2026. A empresa estima um lucro ajustado de US$ 0,25 por ação e receita entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões. Até aí, o lucro por ação bate com o que os analistas da FactSet projetavam, também em US$ 0,25. No entanto, a receita esperada pelo mercado era bem mais robusta: US$ 17,29 bilhões. Essa diferença entre o que a Intel prometeu e o que os investidores esperavam foi o estopim da reação negativa das ações.
Receita total sobe, mas segmento de IA decepciona
Olhando para o trimestre que já foi encerrado, a receita total da Intel cresceu 21% na comparação anual, chegando a US$ 16,5 bilhões — um avanço expressivo à primeira vista. Apesar disso, quando se olha para dentro dos números, a fotografia fica mais complicada.
A receita do segmento de computação cliente e IA física caiu 5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, somando US$ 8,1 bilhões. Por outro lado, a receita de data center e IA deu um salto considerável, de 78%, alcançando US$ 7,3 bilhões. Dessa forma, é possível dizer que a Intel está vivendo um momento de dois ritmos bem distintos dentro do próprio negócio: um lado que ainda patina e outro que cresce com força.
Desaceleração de PCs deve continuar
Em comunicado, o diretor financeiro da Intel, David Zinsner, explicou o cenário que a empresa enxerga pela frente:
“Vemos a desaceleração dos PCs continuando pelo menos até a primeira metade do próximo ano, mas permanecemos otimistas sobre as oportunidades em nosso portfólio mais amplo.”
A fala resume bem o momento vivido pela companhia: de um lado, o mercado de computadores pessoais segue fraco e sem perspectiva de recuperação rápida; de outro, a aposta em data center e inteligência artificial continua sendo tratada como a principal frente de crescimento para os próximos trimestres.
Em resumo, apesar do lucro por ação ter superado as expectativas, o guidance mais fraco do que o previsto e o desempenho ainda irregular da receita de IA pesaram mais na balança dos investidores. O resultado foi a forte queda das ações da Intel logo após a divulgação do balanço, reforçando como o mercado está atento — e exigente — com qualquer sinal de desaceleração vindo de empresas ligadas ao setor de chips e inteligência artificial.
Com informações de infomoney.com.br.