Os data centers da Ascenty devem ganhar uma escala inédita nos próximos três anos. Impulsionada pela inteligência artificial, pela computação em nuvem e pela aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), a empresa projeta quadruplicar de tamanho no período.
Data centers da Ascenty avançam com o Redata

Um dos principais símbolos dessa expansão é o novo data center planejado para Sumaré, no interior de São Paulo. O empreendimento terá investimento de US$ 1 bilhão e foi desenhado para atender exclusivamente a um hyperscaler — termo usado para identificar gigantes do processamento e armazenamento em nuvem, como Google (GOGL34), Amazon (AMZO34) e Microsoft (MSFT34).
Apesar disso, a identidade da empresa que ocupará o espaço é mantida em sigilo. O projeto integra um conjunto de iniciativas que deve elevar a Ascenty a 1 gigawatt de potência dedicada aos seus data centers em três anos. Para isso, serão necessários aproximadamente 1 milhão de metros quadrados em novas estruturas.
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“O grande empecilho do Brasil não era energia, era o custo de operar aqui versus o custo de operar lá fora”, conta o CEO da Ascenty, Christopher Torto, ao InfoMoney. Na avaliação do executivo, os data centers brasileiros já seguiriam crescendo rapidamente, mas os incentivos do Redata podem acelerar ainda mais a entrada de investimentos.
Sancionado pelo presidente Lula na última semana, o regime isenta empresas que instalarem data centers no Brasil de PIS/Pasep, Cofins e IPI. A regra vale para a compra de equipamentos de tecnologia da informação e computação, sejam eles importados ou produzidos no Brasil, desde que destinados à implantação, modernização e ampliação desses empreendimentos.
Projetos de data centers devem ganhar contratos

A Nvidia, principal fornecedora dos chips de última geração usados no treinamento de inteligência artificial, já avalia que o Brasil pode alcançar custos de implementação competitivos com os principais mercados do mundo. Por isso, a expectativa é de que o país passe a receber novos anúncios com maior frequência.
“Vamos começar a ver nos próximos seis meses anúncios de projetos com contratos. Infelizmente, muitos data centers hoje anunciam projetos, mas não têm clientes”, aponta o executivo.
Segundo Torto, ainda existem muitos projetos especulativos, sem investimento contratado, embora o mercado brasileiro demonstre potencial. Dessa forma, a chegada efetiva de clientes deve ser um dos principais indicadores para diferenciar as iniciativas em planejamento dos empreendimentos que realmente sairão do papel.
IA muda estrutura e consumo de energia
Além da demanda por capacidade, a modernização dos data centers também está relacionada à atualização do parque de servidores brasileiro. Os racks que acomodam GPUs para o processamento de inteligência artificial ficaram mais pesados à medida que o tamanho dos chips diminuiu.
Em alguns projetos, esses servidores chegam a consumir 210 quilowatts, enquanto racks destinados a serviços tradicionais de nuvem utilizam 8 quilowatts. Na prática, isso exige pisos e estruturas mais resistentes. Além disso, os equipamentos atuais dissipam mais calor e demandam a substituição da refrigeração por ar por sistemas de refrigeração líquida.
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Esse conjunto de mudanças aumenta a necessidade de energia para operar os data centers. Embora o Brasil produza atualmente mais energia do que consome, há gargalos na transmissão. “A partir de 2029 não vai ser um problema tão grande porque há muito reforço das linhas de transmissão agora. Governo, Anatel e ONS estão olhando para isso, tentando trazer investimentos mais rápido”, afirma o executivo da Ascenty.
Com informações de infomoney.com.br.