Um levantamento da agência de checagem Lupa apontou crescimento de 308% no volume de deepfakes em circulação no país. O dado acende um alerta para as eleições de 2026, período em que vídeos e áudios manipulados por inteligência artificial tendem a se multiplicar nas redes sociais.
O avanço desse tipo de conteúdo preocupa porque atinge diretamente a informação que chega ao eleitor. Um vídeo falso bem produzido pode simular falas que um candidato nunca fez, distorcer discursos ou criar situações que nunca existiram, e isso muda o que as pessoas acreditam ser verdade antes de votar.
O que são deepfakes e por que eles crescem tanto

Deepfakes são conteúdos audiovisuais criados ou alterados por inteligência artificial para simular imagens, vozes e movimentos de uma pessoa real. A técnica ficou mais acessível nos últimos anos, o que explica o salto identificado pela Lupa.
Com ferramentas cada vez mais fáceis de usar, qualquer pessoa com um computador consegue produzir um vídeo falso com aparência convincente. Isso reduz a barreira técnica que antes limitava esse tipo de manipulação a grupos especializados.
Diante desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu regras específicas para lidar com deepfakes durante o período eleitoral de 2026. As normas buscam coibir o uso desse tipo de conteúdo como ferramenta de desinformação na disputa política.
Qual o impacto para o eleitor?

O principal risco está na dificuldade de distinguir o que é real do que foi fabricado por IA. Um vídeo falso pode circular rapidamente em grupos de mensagens e redes sociais antes que qualquer verificação aconteça, o que compromete a formação de opinião do eleitor.
Além disso, o uso de deepfakes durante campanhas eleitorais pode prejudicar a imagem de candidatos, espalhar informações falsas sobre propostas e até simular apoios ou declarações que nunca ocorreram. Por isso, reconhecer esse tipo de manipulação se tornou uma habilidade necessária para quem consome notícias e conteúdo político.
Como reconhecer um vídeo falso
Identificar um deepfake exige atenção a detalhes que costumam denunciar a manipulação. Alguns sinais ajudam a levantar suspeita sobre a autenticidade de um vídeo:
- Movimentos labiais que não acompanham perfeitamente o áudio
- Piscadas de olhos incomuns ou ausentes
- Iluminação ou sombras inconsistentes no rosto em relação ao restante da cena
- Textura da pele artificial ou excessivamente lisa
- Áudio com entonação robótica ou fora do padrão de fala da pessoa
- Contexto duvidoso, como declarações que contradizem o histórico público do envolvido
Diante de qualquer suspeita, o caminho mais seguro é buscar a informação em fontes oficiais e veículos de checagem antes de compartilhar o conteúdo. Essa prática simples ajuda a evitar que uma manipulação ganhe alcance e influencie decisões de voto.
O que o TSE já determinou
O TSE estabeleceu regras específicas voltadas ao uso de deepfakes durante as eleições de 2026. A medida representa uma tentativa de conter os efeitos da desinformação gerada por inteligência artificial no processo eleitoral, em um momento em que a produção desse tipo de conteúdo cresce de forma acelerada.
O crescimento de 308% identificado pela Lupa reforça a urgência de mecanismos de controle e de conscientização do eleitor. Com o avanço da tecnologia, a expectativa é que o volume de conteúdos falsos continue aumentando à medida que o período eleitoral se aproxima, o que torna ainda mais importante o hábito de verificar antes de acreditar e compartilhar.
Com informações de exame.com.