John Mueller, porta-voz do Google, respondeu recentemente a uma dúvida sobre uma técnica que estaria sendo usada para obrigar buscadores a rastrear sitemaps todos os dias. A pergunta surgiu depois que um profissional de SEO identificou esse comportamento em um site de grande porte.
O que é cache busting e por que é usado
Cache busting é uma prática comum aplicada a arquivos de CSS, JavaScript e outros recursos que passam por atualizações frequentes. A ideia é evitar que o navegador do usuário continue exibindo uma versão desatualizada desses arquivos, mesmo mantendo os benefícios do cache. Quando o dono do site altera um arquivo, em vez de renomeá-lo, basta adicionar um parâmetro na URL — geralmente após um ponto de interrogação — para garantir que a versão mais recente seja carregada.
Esse recurso ajuda o site a carregar mais rápido para o visitante, já que evita o recarregamento desnecessário de elementos da página, ao mesmo tempo em que assegura que os arquivos mais atuais sejam entregues.

A técnica aplicada em sitemaps gerou dúvidas
O problema é que alguns profissionais de SEO passaram a aplicar essa mesma lógica de parâmetros de URL diretamente nos sitemaps, com o objetivo de forçar os mecanismos de busca a rastreá-los repetidamente, ignorando o elemento <lastmod> do XML. Esse elemento tem a função de informar ao crawler a data da última modificação de um arquivo, permitindo que o rastreamento seja direcionado apenas às páginas que realmente mudaram.
O usuário @seoharbour, da rede Bluesky, levou a questão diretamente a Mueller:
“Oi John, tenho tentado aprender mais sobre sitemap.xmls. Ouvi falar dessa técnica chamada cache busting, que consiste em adicionar ?v=timestamp unix ao final de uma URL de sitemap dentro de um sitemapindex. No blog para desenvolvedores só encontrei um comentário sobre a importância de valores precisos de <lastmod>, imagino que isso também se aplique aqui, certo?”
Mueller respondeu questionando o propósito da prática:

“Por que você usaria cache-busting em um arquivo de sitemap? Talvez eu esteja entendendo errado seu objetivo, mas fique à vontade para explicar melhor!”
O usuário então detalhou o que havia observado:
“Boa pergunta. Eu observei esse comportamento em um site grande e com estrutura bem rígida. As URLs dos sitemaps filhos dentro do índice recebem um novo ?v=timestamp todos os dias. Imagino que a intenção seja forçar um novo rastreamento com uma URL diferente a cada dia. Como é a URL que muda, e não o lastmod, fico me perguntando se isso pode causar algum prejuízo.”
Google recomenda não usar a técnica
Mueller foi direto ao afirmar que aplicar cache busting em sitemaps é uma má prática. Segundo ele:
“Acho que é uma má ideia porque você está sinalizando que a URL canônica de um conteúdo deveria estar mudando constantemente. Isso não é bom para os mecanismos de busca, nem para o seu rastreamento de dados. Ter URLs limpas e estáveis é importante.”
Ele ainda fez referência à célebre frase de Tim Berners-Lee, criador da web, sobre a importância de manter URLs estáveis ao longo do tempo.

Quando “hacks” de SEO saem pela culatra
O episódio ilustra um problema recorrente: soluções apresentadas por influenciadores de SEO que parecem inteligentes na teoria, mas que não fazem sentido para profissionais que realmente entendem o funcionamento de linguagens de marcação como XML e HTML. XML significa Extensible Markup Language (Linguagem de Marcação Extensível) e, como toda linguagem de marcação, segue regras específicas que permitem a comunicação clara entre o site e os crawlers — sem necessidade de atalhos ou artifícios técnicos duvidosos.
Com informações de searchenginejournal.com.


