O Google resolveu falar abertamente sobre um assunto que vinha evitando: segundo a própria empresa, as mudanças recentes nos resultados de busca na União Europeia — impostas pelas regras do Digital Markets Act (DMA) — provocaram a pior degradação de qualidade já registrada na história do buscador. Em entrevista à Reuters, um representante da empresa foi direto ao afirmar que essa é a maior queda no serviço em 29 anos de existência da ferramenta.
O que o Google alegou
De acordo com o que a empresa contou à Reuters, o problema está na forma como o algoritmo passou a priorizar determinados formatos de resultado. Veja os principais pontos levantados:
- As alterações, na prática, beneficiam sites de comparação de preços — os chamados serviços de busca vertical (VSS, na sigla em inglês) — ligados a setores como hotelaria, passagens aéreas e restaurantes, casos de plataformas como Expedia e Booking.com.
- Esses serviços passaram a ganhar mais destaque nos resultados de busca do que as próprias empresas do setor, que agora aparecem apenas com um link para o site, telefone e endereço.
- O novo formato de exibição coloca um mecanismo de busca especializado no topo da página, seguido por outros dois com menos informações, enquanto um carrossel de hotéis, companhias aéreas e restaurantes aparece logo abaixo — só que sem detalhes importantes, como preços em tempo real. Quem define a ordem de tudo isso continua sendo o algoritmo do próprio Google.
Uma briga que já dura anos

Essa não é uma discussão nova. Há tempos o Google vem trocando propostas com a Comissão Europeia sobre como adaptar seus resultados de busca às exigências do DMA, apresentando diferentes versões de layout para tentar se enquadrar nas regras sem, segundo a empresa, comprometer a experiência do usuário.
Agora que essas mudanças finalmente entraram em vigor, o Google resolveu declarar publicamente que elas pioraram a qualidade do serviço. Vale lembrar que a própria empresa já havia testado esse novo formato em 2024, então a queixa atual não chega exatamente como surpresa — era praticamente esperado que esse discurso viesse à tona assim que as alterações fossem implementadas de forma definitiva.
Por que isso importa
É importante frisar que essas mudanças afetam apenas usuários que fazem buscas a partir da região europeia. Ainda assim, estamos falando de uma fatia enorme da base de usuários do Google no mundo todo, o que torna o impacto relevante mesmo sendo geograficamente limitado.
Fica claro que o Google não fez essas alterações por vontade própria — a empresa foi obrigada a se adequar por determinação da Comissão Europeia. A grande dúvida que fica no ar é: essa mudança realmente prejudica a experiência de quem está do outro lado da tela, buscando informações? Ou é mais uma questão de disputa comercial entre gigantes de tecnologia e plataformas verticais de busca?
Com informações de searchengineland.com.