O Google admitiu que o Search Console não consegue medir com precisão o desempenho de sites nas Visões Geradas por IA (AI Overviews), os resumos que aparecem no topo das buscas. A confirmação veio do defensor de buscas do Google, John Mueller, em resposta a uma discussão no Reddit, e reacende o debate sobre como profissionais de marketing devem interpretar os dados de tráfego orgânico na era da busca com inteligência artificial.
Para quem trabalha com sites, lojas virtuais ou produção de conteúdo, a notícia tem peso direto: os relatórios de posição média, historicamente usados para provar resultados a clientes e chefes, deixaram de refletir o que realmente acontece na tela do usuário. Isso significa que decisões de investimento em SEO podem estar sendo tomadas com base em números distorcidos.
O que Mueller disse sobre o Search Console e a busca com IA
Segundo Mueller, acompanhar rankings tradicionais dentro de recursos de IA é “difícil de fazer de um jeito que seja útil”. Ele confirmou que o Search Console ainda trata a AI Overview inteira como um bloco único, sem diferenciar a posição de cada link dentro do resumo.
Na prática, isso valida uma suspeita que já circulava entre profissionais da área: tentar encaixar as respostas geradas por IA numa escala antiga de posição de 1 a 10 simplesmente não funciona mais.
Por que a posição média engana

Mesmo antes da chegada da IA às buscas, o indicador de posição média do Search Console já tinha limitações, por ser uma simples média matemática. O problema é que os resultados de busca não se comportam de forma uniforme: variam conforme a localização de quem pesquisa, o tipo de dispositivo usado e o formato de resultado que o Google decide exibir naquele momento.
Ao misturar cenários tão diferentes numa única média, o número final raramente representa o que as pessoas realmente viram na tela. Uma página pode aparecer na posição 1 sempre que existe uma AI Overview e cair para a posição 19 nos resultados tradicionais quando ela não aparece. Se as duas situações ocorrem com a mesma frequência, o relatório mostra uma posição média de 10, escondendo os dois extremos.
O que é o “achatamento de blocos” nas Visões Geradas por IA
O problema fica ainda mais evidente por causa de uma técnica chamada block flattening (algo como “achatamento de blocos”). Em vez de calcular onde cada link individual aparece dentro do resumo de IA, o Search Console avalia a caixa inteira como um bloco só e atribui a ela uma posição única.
Como essas caixas normalmente aparecem acima dos resultados orgânicos tradicionais, todo o bloco é contado como posição 1, e cada link dentro dele recebe esse mesmo status nos relatórios. Isso cria uma distorção grave: um link em destaque logo na primeira linha do resumo é registrado como posição 1, mas um link escondido dentro de um menu “Mostrar mais” recebe exatamente a mesma classificação, mesmo tendo muito menos chance de ser clicado.
Como as regras de impressão agravam a distorção

Essa questão se soma às regras tradicionais do Google para contabilizar impressões, criadas antes de os resultados de busca se tornarem interativos. Pelas regras atuais, uma impressão é registrada assim que o resultado é carregado na página, independentemente de o usuário rolar a tela até vê-lo de fato.
Quando uma AI Overview carrega, todos os links padrão exibidos nela contam como impressão imediatamente, o que pode inflar os relatórios com visualizações de pessoas que leram só a primeira frase e saíram da página. Já os links escondidos atrás de um botão, como o “Mostrar mais”, só contam como impressão depois que alguém clica para expandir a seção. O resultado é uma contradição: links nunca vistos recebem crédito de visualização, enquanto links realmente úteis, mas escondidos, aparecem como se não existissem.
Qual o impacto real sobre o tráfego dos sites
Somando essas falhas de mensuração, fica mais difícil confiar nos números tradicionais de tráfego. Uma pesquisa da Seer Interactive, mencionada como referência no debate, apontou queda de 61% na taxa de cliques (CTR) em páginas citadas por AI Overviews, efeito agravado pelo excesso de impressões automáticas registradas pelo Search Console.
Outro levantamento de campo mostrou que a presença de uma AI Overview no topo da página reduz em cerca de 38% os cliques para resultados orgânicos tradicionais, já que o usuário encontra a resposta no próprio resumo e não sente necessidade de visitar o site de origem. Esse efeito é mais forte em buscas informativas: estudos indicam que as Visões Geradas por IA aparecem em 21% das pesquisas, com frequência ainda maior quando o usuário faz uma pergunta direta.
O que muda para quem trabalha com SEO

Diante desse cenário, a recomendação que emerge da própria fala de Mueller é abandonar a obsessão pela posição média e focar em resultados concretos, como geração de leads, vendas ou reconhecimento de marca, métricas menos suscetíveis às distorções do achatamento de blocos e das regras de impressão. O Search Console continua sendo uma ferramenta útil, mas seus números sobre AI Overviews precisam ser lidos com ressalvas, já que não refletem com fidelidade o que o usuário efetivamente vê e clica.
Search Console e IA
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Google admite que o Search Console e IA não medem bem as AI Overviews. Entenda o “achatamento de blocos” e o que muda para o SEO.
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Com informações de searchenginejournal.com.