O Google começou a testar o Search Profile, uma espécie de perfil oficial dentro da própria Busca, reservado por enquanto a criadores e veículos de comunicação dos Estados Unidos. A novidade ainda não tem data para chegar a outros países, incluindo o Brasil, mas já muda a forma como o Google organiza e mostra conteúdo de quem publica em várias redes ao mesmo tempo.

A ferramenta é descrita pelo próprio Google como “o seu espaço oficial no Google”, montado em poucos minutos pelo criador ou publisher. Segundo o site especializado Digital Applied, o recurso foi apresentado em 4 de junho de 2026 como um espaço dedicado e compartilhável para que publishers e criadores destaquem seu trabalho na Busca e no Discover.
Quem pode criar um Google Search Profile?
O requisito mais comentado é o número mínimo de seguidores em redes sociais, mas aqui há uma divergência entre as próprias fontes oficiais do Google que vale registrar. A Central de Ajuda do Google, em páginas de suporte, ainda lista a exigência de 35 mil seguidores no YouTube, Instagram, X ou TikTok. Já a página institucional Google for Creators e o site especializado Relevant Audience indicam um número mais baixo: 10 mil seguidores em uma única plataforma qualificada, sem necessidade de somar seguidores entre redes diferentes.

O site francês Abondance ajuda a explicar essa diferença ao reconstituir a cronologia da exigência. Segundo a publicação, no lançamento, em junho de 2026, o Google pedia 100 mil seguidores no YouTube, Instagram ou X, e 300 mil no TikTok. Em agosto, esse número caiu para 35 mil. Depois, em 16 de setembro de 2026, o Google reduziu novamente o piso, agora para 10 mil seguidores, conforme anúncio publicado no blog oficial da empresa.
A reportagem da Relevant Audience confirma a mesma sequência e resume o efeito prático da mudança: com o limite mais baixo, um número bem maior de criadores e publishers passa a se enquadrar nos critérios para reivindicar um perfil. A divergência entre os documentos oficiais, segundo a apuração, provavelmente reflete uma atualização ainda incompleta das próprias páginas de suporte do Google, algo recorrente em lançamentos graduais como esse.
Como funciona a reivindicação do perfil?
Para reivindicar um Search Profile, é preciso acessar a página profile.google.com/claim e fazer login em uma ou mais das redes sociais vinculadas ao perfil. De acordo com a Central de Ajuda do Google, dependendo do número de seguidores em cada plataforma, pode ser necessário logar em até três contas diferentes. Também é exigido ter pelo menos 18 anos para reivindicar o perfil.

A ferramenta ainda permite gerenciar mais de uma marca a partir de um único acesso. Segundo a Relevant Audience, uma mesma conta Google pode reivindicar e administrar perfis de busca para todas as submarcas de um mesmo negócio, sem precisar alternar entre contas separadas, com possibilidade de criar até 10 perfis de busca distintos.
Por enquanto, o alcance da novidade é limitado. Uma newsletter especializada que monitora um universo de 47 mil editores identificou apenas 54 com acesso às funcionalidades mais completas do Search Profile, como banner, links e publicações em destaque. Todos estão nos Estados Unidos e publicam em língua inglesa. O mesmo monitoramento, que acompanha sete idiomas, incluindo francês, alemão, espanhol e italiano, não encontrou nenhum editor europeu com essas funções liberadas.
Qual a relação do Search Profile com o Google Discover?
O novo perfil também tem ligação direta com o Google Discover, o mecanismo que distribui conteúdo de forma automática no feed de recomendações do celular. O Search Profile funciona como uma forma de o usuário “seguir” o Discover de um portal ou criador específico, passando a receber com mais frequência conteúdos daquele perfil.

A mudança não altera o funcionamento geral do Discover para todos os usuários, apenas para quem optar por seguir um perfil. Ainda assim, abre espaço para que, no futuro, veículos e criadores usem uma chamada do tipo “Siga-nos no Discover” apontando diretamente para o Search Profile.
A novidade também melhora a indexação de conteúdo multicanal. Publicações feitas em redes como TikTok, Instagram e X passam a ter mais chance de aparecer no Discover, já que ficam associadas a um único perfil reconhecido pelo Google. O movimento reforça o conceito de uma entidade central que reúne tudo o que um criador ou organização produz, de vídeos e stories a notícias, dando visibilidade ao conjunto e não apenas a publicações isoladas.
O Search Profile muda os resultados de busca?
Não. Segundo as informações apuradas, a criação de um Search Profile não altera a busca orgânica nem o posicionamento nos resultados de pesquisa do Google. O impacto direto está concentrado no Knowledge Panel, aquele painel de informações que aparece ao lado dos resultados de busca sobre uma pessoa ou marca.

De acordo com a página oficial do Google for Creators, quem ainda não tem um Knowledge Panel pode ganhar um ao reivindicar o Search Profile. O painel passa a exibir publicações em destaque, perfis de redes sociais e um resumo gerado por inteligência artificial com base na biografia do criador. O Google faz questão de esclarecer que essa novidade não substitui o Knowledge Panel já existente, apenas o complementa com mais elementos.
O que esperar dos próximos passos
A ferramenta ainda faz parte de uma política mais ampla de expansão da indexação do Google, iniciada meses atrás, que já incluiu a possibilidade de vincular redes sociais ao Search Console para medir desempenho além do próprio site. O Search Profile surge como uma peça que fecha esse elo entre site, redes sociais e busca.
Por enquanto, a expansão para fora dos Estados Unidos ainda não tem data confirmada. Vale registrar que a cobertura do tema até aqui vem principalmente de veículos especializados em SEO e marketing digital, com pouca presença na grande imprensa internacional, o que reforça a importância de acompanhar os próximos anúncios oficiais do Google sobre o avanço do recurso para outros países.