O Google está colocando à prova uma novidade que promete mexer com a lógica do Performance Max (PMax): um ajuste que permite ao anunciante indicar, de forma mais direta, quais canais ele considera mais valiosos. Isso é uma quebra e tanto no jeito como a ferramenta costuma funcionar, já que historicamente ela distribui verba entre os canais de forma automática, sem muita margem de intervenção humana.
A funcionalidade, ainda em fase alfa, traz controles de ajuste para seis frentes: Pesquisa, YouTube, Display, Discover, Gmail e Maps. Ou seja, dá pra mexer praticamente em todo o ecossistema de inventário do Google.
Como funciona o ajuste
A configuração experimental, batizada de “Channels”, permite fazer ajustes positivos ou negativos em cada canal dentro do Performance Max. Na prática, funciona assim:
- Um ajuste positivo afrouxa o CPA (custo por aquisição) que o sistema aceita pagar naquele canal — um sinal claro de que o anunciante valoriza mais as conversões vindas dali.
- Um ajuste negativo aperta o CPA, fazendo com que o PMax dê menos protagonismo àquele canal específico.
Vale um esclarecimento importante: isso não é a mesma coisa que definir um percentual fixo de orçamento para Pesquisa ou YouTube, por exemplo. O que o anunciante está fazendo, na verdade, é influenciar a “matemática” que o algoritmo usa para decidir onde vale mais a pena buscar conversões.
Por que isso é relevante

Até agora, quem usava o Performance Max tinha pouquíssimo controle direto sobre como o orçamento era espalhado entre os canais do Google. Era possível dar pistas ao sistema por meio de recursos criativos, sinais de audiência, temas de pesquisa e dados de valor de conversão, mas a própria documentação do Google deixa claro: não dá para controlar diretamente como o PMax reparte a verba entre canais.
Se esse teste virar recurso oficial, será uma mudança e tanto — um botão bem mais direto para influenciar essa distribuição.
Da visibilidade ao controle
Esse movimento não surge do nada. Ele vem logo depois de o Google ter liberado relatórios de desempenho por canal dentro do Performance Max, dando aos anunciantes mais clareza sobre onde as campanhas estavam rodando e gastando dinheiro.
Esse novo ajuste pode ser justamente a peça que faltava: pegar o que o anunciante aprendeu com esses relatórios e transformar isso em ação prática sobre o comportamento do algoritmo.
O problema da atribuição

Nem tudo são flores, porém. Desempenho por canal não é sinônimo de valor real daquele canal. Um usuário pode ter o primeiro contato com a marca através de um anúncio no YouTube e só converter depois, via Pesquisa. Se o anunciante olhar apenas para quem “levou o crédito” pela conversão, corre o risco de achar que o YouTube vale menos do que realmente contribuiu na jornada do cliente.
Apertar demais um canal só porque o CPA atribuído diretamente a ele parece ruim pode, na verdade, prejudicar a demanda ou as conversões em outras partes da campanha.
O que isso muda na prática
Há anos os anunciantes pedem mais controle sobre o Performance Max, e esse teste pode ser um dos ajustes mais importantes que o Google já trouxe para a ferramenta. Ele pode ajudar a corrigir alocações de canal indesejadas sem que o profissional precise abandonar o PMax de vez.
Por outro lado, isso também cria mais uma camada de decisão. Antes de sair mexendo nos ajustes, o profissional de marketing vai precisar entender qual o papel real de cada canal na jornada do cliente — e não apenas olhar para o desempenho de última conversão.
Resumindo

Tudo indica que o Google está testando uma virada significativa no Performance Max: dar ao anunciante uma alavanca direta para dizer ao algoritmo quais canais devem ganhar prioridade. Depois de abrir a caixa-preta com relatórios mais detalhados, o próximo passo parece ser dar às pessoas mais controle sobre o que fazer com essa informação.
A novidade foi flagrada pela consultora de marketing de busca Heidi Sturrock, que compartilhou a descoberta no LinkedIn.
Com informações de searchengineland.com.


