O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, apontou a desinformação e o uso irregular de inteligência artificial como os principais desafios para a segurança das eleições no Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao SBT, na qual o ministro também rebateu preocupações sobre uma possível interferência internacional no processo eleitoral brasileiro.
Segundo Nunes Marques, países democráticos costumam trocar experiências entre si, sem que isso configure interferência. “É importante dizer que o Brasil e as demais nações democráticas do mundo, historicamente, trocam conhecimentos e contribuem mutuamente para o fortalecimento das democracias. Nações democráticas dialogam, não interferem”, afirmou o ministro.
Por que o uso de IA nas eleições preocupa o TSE?
Para o presidente do TSE, a inteligência artificial usada de forma irregular representa um risco direto à confiabilidade do pleito. Ele incluiu o tema entre os desafios urgentes da eleição atual, ao lado da desinformação, da violência política de gênero e dos abusos na propaganda eleitoral.

O ministro reforçou que a prioridade da Justiça Eleitoral é garantir que o eleitor vote com liberdade e segurança. “Nossa prioridade é garantir que a eleitora e o eleitor possam exercer seu direito de voto com liberdade, segurança e tranquilidade. A atuação institucional, respeitando os limites constitucionais, é a nossa premissa”, declarou.
Ainda segundo Nunes Marques, apesar da estrutura ramificada da Justiça Eleitoral, o órgão mantém uma missão única. “A Justiça Eleitoral, apesar de toda sua ramificação, consegue manter unicidade na missão de ser a justiça da democracia”, disse.
Observadores internacionais vão acompanhar a votação
O presidente do TSE citou a presença de sete delegações internacionais que enviaram observadores para acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Participam representantes da União Europeia, do Parlamento do Mercosul, da Liga dos Estados Árabes, da Organização dos Estados Americanos, da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa, da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e da Rede Mundial de Justiça Eleitoral (RMJE).
De acordo com o ministro, essas delegações vão constatar que a atuação da Justiça Eleitoral está voltada ao eleitor e às situações que possam afetar a votação, a apuração e a segurança do processo. “Eles vão poder perceber que o escopo da atuação da Justiça Eleitoral está centrado no eleitor e nas situações que possam afetar a votação, a apuração e a segurança do processo eleitoral”, completou.
O que ficou de fora da fala do ministro?
Nunes Marques não comentou as acusações recentes sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no pleito brasileiro. O tema veio à tona depois que Renan Santos, candidato à presidência pela Missão, acusou Flávio Bolsonaro, do PL, também candidato ao cargo, de receber apoio financeiro do grupo empresarial Rockbridge Network, que teria entre seus fundadores o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.
Além disso, o jornal The Guardian divulgou que democratas do Congresso dos Estados Unidos acusaram o governo do presidente Donald Trump de tentar interferir nas eleições presidenciais brasileiras. Segundo os congressistas, medidas adotadas pela administração americana buscariam favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Até o momento, trata-se de uma acusação, sem confirmação independente apresentada no material disponível.
Como vai funcionar a fiscalização do encerramento das seções?
O presidente do TSE anunciou uma nova medida para o pleito atual: o convite para os dois últimos eleitores de cada seção acompanharem o encerramento da votação local. Segundo ele, a iniciativa deve reunir centenas de milhares de pessoas em todo o país.
“Serão centenas de milhares de pessoas que poderão atestar que, depois delas, ninguém mais votou naquela seção”, afirmou Nunes Marques. A medida busca reforçar a transparência do encerramento da votação em cada local.
A fala do ministro reforça que a disputa em torno da confiabilidade do voto no Brasil passa, cada vez mais, pelo combate à desinformação e ao uso indevido de ferramentas de inteligência artificial, temas que devem continuar no centro do debate até o fim do processo eleitoral.
Com informações de infomoney.com.br.