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Inteligência artificial na agricultura: executiva da Corteva alerta para desafios do setor

Por: Eduardo Carrega
01/10/2026
14:59h
Inteligência artificial na agricultura: executiva da Corteva alerta para desafios do setor
Executiva da Corteva e sócio da Scheffer debatem uso da inteligência artificial na agricultura durante o GAFFFF, em São Paulo, e apontam ganhos de…
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A agricultura brasileira caminha para um cenário em que inteligência artificial e inovação tecnológica deixam de ser opcionais e passam a fazer parte do dia a dia do produtor rural. A avaliação é da Chief Commercial Officer (COO) da Corteva Agriscience, Brook Cunningham, durante painel do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, nesta quarta-feira (1).

Segundo a executiva, o setor enfrenta um conjunto de pressões que vai além da entrega de novos produtos ao campo. Restrição de crédito, quebras nas cadeias de produção, instabilidade geopolítica e incertezas climáticas formam o que ela chamou de “novo normal” do agronegócio.

Por que a inteligência artificial ganha espaço no agronegócio?

“O futuro da agricultura não será apenas de ideias que nos tranquilizam, mas de desafios”, afirmou Cunningham durante o painel. Para ela, as mudanças climáticas já afetam diretamente as fazendas, tornando as safras cada vez mais imprevisíveis.

"O futuro da agricultura não será apenas de ideias que nos tranquilizam,…

Além disso, a pandemia deixou marcas importantes na economia, já que governos precisaram elevar os juros para conter a inflação. Esse conjunto de fatores pressiona produtores a buscar soluções que vão além da compra de insumos tradicionais.

“A inovação importa e novos produtos importam, mas o novo normal que os agricultores enfrentam requer mais do que simplesmente entregar o produto na fazenda”, disse a executiva da Corteva. A companhia mantém hoje um pipeline de US$ 11 bilhões em químicos e biológicos em desenvolvimento.

Na visão de Cunningham, a resposta para esse cenário depende de uma combinação de fatores: inovação da indústria, atuação de governos, políticas públicas adequadas e ferramentas financeiras mais eficientes. Parte dessa solução, segundo ela, passa por uma tecnologia ainda encarada com desconfiança por parte do setor: a inteligência artificial.

Como a IA já está sendo testada no campo?

Guilherme Scheffer, sócio-diretor da Scheffer, dividiu o painel com Cunningham e trouxe um exemplo prático de aplicação da tecnologia. A empresa, do Mato Grosso, desenvolveu uma inteligência artificial em parceria com uma empresa de tecnologia e testou o sistema em 10% de sua área de plantio.

O modelo foi treinado com um volume de dados que inviabilizaria qualquer análise humana. Entre as informações processadas estão dados de nutrição de plantas, análise de tecidos, hormônios, aminoácidos, além de registros genéticos e de solo.

A Scheffer aplicou o manejo em 2,5 mil hectares seguindo as orientações do que Scheffer chamou de “chat agrônomo” em 80% dos casos. O resultado foi um ganho de produtividade de 10% na média dos talhões testados.

“Quanto mais camadas de informação, melhor para a IA e mais difícil para o ser humano”, explicou Scheffer. Segundo ele, a resistência inicial ao uso da tecnologia é natural, mas inevitável.

“Temos medo do que é diferente. Não há como não entrar em IA. Precisamos ir aprendendo com ela. Não é um produto pronto. Na verdade, nunca vai estar pronto. Sempre chegam novas informações e ela vai sendo calibrada”, afirmou o executivo.

O que isso muda para o produtor rural?

O relato da Scheffer mostra que a inteligência artificial já deixou de ser apenas uma promessa futura no agronegócio brasileiro. Ferramentas capazes de cruzar grandes volumes de dados agronômicos podem orientar decisões de manejo com precisão difícil de alcançar manualmente.

Ainda assim, tanto Cunningham quanto Scheffer reforçam que a adoção dessas tecnologias exige adaptação constante. Os sistemas de IA aplicados ao campo seguem em processo contínuo de ajuste, à medida que novos dados são incorporados aos modelos.

Para o setor, o desafio passa a ser equilibrar inovação tecnológica com políticas públicas e financiamento adequado, de forma a tornar essas ferramentas acessíveis a um número maior de produtores diante de um cenário climático e econômico cada vez mais instável.

Com informações de infomoney.com.br.

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