Lá em 2022, Amanda Natividad — na época vice-presidente de marketing e hoje “chief evangelist” da SparkToro — publicou um texto que mudou a forma como muita gente pensa conteúdo digital: ela defendia que marcas deveriam criar material capaz de entregar valor sozinho, sem depender de um clique para outra página. Pois é, essa ideia virou praticamente um manifesto pro que hoje chamamos de marketing zero clique (ela mesma escreve “zero click marketing”, sem hífen, mas a essência é essa).
O motivo por trás disso é simples: buscadores e redes sociais estão mandando cada vez menos tráfego pros sites. Diante disso, as marcas precisaram se virar para entregar valor onde o público já está, em vez de obrigar as pessoas a saírem dali atrás de resposta. A seguir, vamos explicar o que é marketing zero clique, por que ele importa tanto hoje em dia, como colocar essa estratégia em prática e de que forma medir os resultados.

Afinal, o que é marketing zero clique?
Na prática, o marketing zero clique é uma estratégia construída em cima de conteúdos que entregam valor completo sem precisar que o usuário clique em nada. Antigamente, o conteúdo digital era pensado justamente pra terminar num clique — era o objetivo final. Já no zero clique, a lógica se inverte: o material pode até linkar recursos externos úteis, mas a pessoa consegue entender o ponto principal só de ler aquele conteúdo, sem precisar ir a lugar nenhum.

Um exemplo prático é um post no X da Semrush que avisa diretamente aos usuários que o SEO deixou de ser só sobre otimizar um site e passou a envolver várias superfícies de descoberta — e o post já explica quais são essas superfícies, sem nenhum link anexado. Ou seja, quem lê não precisa de mais nada, porque a mensagem já vem completa.

Outros exemplos desse tipo de conteúdo incluem:
- Uma newsletter por e-mail que explora um tema com profundidade sem linkar para outras páginas
- Um artigo de blog publicado no próprio site da marca, falando sobre os benefícios do produto, pensado justamente para ser citado por sistemas de IA em suas respostas
Marketing zero clique x busca zero clique
Vale diferenciar dois conceitos parecidos. A busca zero clique acontece quando o usuário recebe a resposta pra sua pergunta direto no resultado de busca, sem precisar visitar site nenhum. Já o marketing zero clique é a estratégia de entregar valor autônomo em qualquer plataforma, não só em buscadores.
Um exemplo de busca zero clique é a pergunta “o que é vibe coding”: o Google cita o conteúdo da IBM pra gerar um resumo direto via IA Overview. A resposta já satisfaz, e não há necessidade de visitar site algum para entender o assunto.


Por que o marketing zero clique ficou tão importante?
O marketing zero clique importa porque ajuda marcas a construir reconhecimento, autoridade e confiança, mesmo num cenário dominado por buscas sem clique e por redes sociais que preferem posts sem links. Segundo dados do Pew Research, apenas 8% dos usuários que veem um resumo de IA no Google acabam clicando em um resultado orgânico. Em contrapartida, esse número sobe para 15% quando não existe resumo de IA na tela.
As redes sociais também têm uma preferência clara por publicações sem links, provavelmente porque isso mantém o usuário mais tempo dentro da própria plataforma em vez de mandá-lo pra outro lugar. No Instagram, por exemplo, links na legenda nem sequer são clicáveis.

Já em plataformas como o LinkedIn, que permitem links clicáveis nos posts, existe a suspeita de que esse tipo de publicação tenha o alcance reduzido. O LinkedIn nunca confirmou publicamente nenhuma “penalidade” para links, mas um levantamento da MagicPost, que analisou mais de 560.000 posts na rede, mostrou que publicações com prévia de link anexada tiveram mediana de 414 impressões, contra 795 impressões nos posts sem esse recurso.
Quem publica conteúdo genuinamente útil, de forma consistente, constrói confiança e autoridade junto ao público — mesmo que essas pessoas nunca cheguem a visitar o site da marca.
Além disso, o reconhecimento da marca cresce naturalmente à medida que as pessoas compartilham esse conteúdo. Dessa forma, quando o consumidor finalmente precisar do que você vende, sua marca já estará entre as primeiras que vêm à cabeça — tornando a decisão de compra muito mais simples.
Como colocar o marketing zero clique em prática
A Plustag IA recomenda seguir alguns passos estruturados para aplicar essa estratégia com consistência:
1. Descubra onde seu público já passa o tempo
O primeiro passo é mapear onde sua audiência já está presente, para então criar conteúdo zero clique direcionado a essas plataformas. Perguntar diretamente ao público é um caminho válido, mas como normalmente só se entrevista clientes já existentes, as respostas podem não representar toda a audiência potencial.
Por isso, para uma visão mais completa, vale recorrer a ferramentas de inteligência de audiência baseadas em dados de clickstream, que cruzam informações do seu domínio com as de concorrentes para identificar, por exemplo, quais redes sociais recebem mais visitas desse público em comum.
2. Pesquise a fundo quem é seu público
Entender desejos, necessidades, interesses e dores da audiência é o que alimenta boas ideias de conteúdo — permitindo, por exemplo, criar posts que respondam frustrações comuns ou antecipem objeções de venda antes mesmo delas aparecerem. Algumas formas de fazer essa pesquisa incluem:
- Revisar transcrições de entrevistas com clientes, prestando atenção em frases ou dúvidas que se repetem
- Fazer pesquisa de palavras-chave e de prompts para entender o que o público está digitando em buscadores e sistemas de IA
- Analisar temas recorrentes em discussões de comunidades, como threads do Reddit
- Usar ferramentas de análise de mercado para obter um panorama dos interesses da audiência
Organizar tudo isso em personas bem definidas ajuda a transformar esses achados em uma visão clara e aplicável do público-alvo.
3. Escolha as melhores ideias de conteúdo
Com o que foi aprendido sobre a audiência, é hora de priorizar as ideias com maior potencial de engajamento e que não demandem recursos excessivos. Alguns critérios úteis para ranquear essas ideias:
- O que realmente importa para o público — conteúdo ligado às motivações centrais tende a performar melhor que temas secundários
- Quais assuntos aparecem com mais frequência, já que perguntas recorrentes indicam demanda maior por respostas
- Se a marca consegue oferecer uma perspectiva única, já que conteúdo baseado em expertise própria e pesquisa original costuma gerar mais engajamento
- O esforço necessário para produzir aquele conteúdo — ideias de baixo custo valem a pena, principalmente se houver boa chance de repercussão
4. Adapte a mesma ideia para formatos diferentes
Por fim, é preciso decidir como uma mesma ideia central será adaptada para diferentes plataformas, respeitando o formato nativo de cada uma. Artigos de blog, por exemplo, funcionam bem no próprio site da marca ou em parcerias editoriais — podem até conter links, mas o leitor não deve precisar clicar neles para entender o essencial.
No caso das redes sociais, o conteúdo também precisa respeitar se a plataforma tem perfil mais voltado para B2B ou B2C, além do formato nativo esperado: Facebook e Instagram favorecem imagem e vídeo; o LinkedIn aceita imagem, vídeo, PDF e artigos nativos mais longos, com foco B2B; o TikTok é essencialmente vídeo; o Reddit prioriza texto, com viés B2C; e o X funciona melhor com texto curto, atendendo tanto B2B quanto B2C.
Em resumo, o marketing zero clique não é sobre abandonar links, mas sobre repensar onde e como o valor é entregue. Quem adapta sua produção de conteúdo a essa lógica tende a sair na frente justamente porque constrói confiança antes mesmo de pedir qualquer clique em troca.
Com informações de semrush.com.