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Notas da comunidade: Conselho da Meta pede que jornalistas não sejam substituídos

Por: Eduardo Carrega
12/09/2026
16:13h
Notas da comunidade: Conselho da Meta pede que jornalistas não sejam substituídos
Notas da comunidade serão testadas pela Meta em 16 países da América Latina, mas conselho alerta para riscos e pede manutenção da checagem jornalística.
RESUMIR COM:

O Conselho de Supervisão da Meta recomendou que a empresa não troque a checagem profissional de informações pelas chamadas “notas da comunidade”. A orientação foi divulgada neste sábado (12), depois que a companhia anunciou testes do novo sistema em 16 países da América Latina.

Segundo o órgão, jornalistas e usuários das redes sociais cumprem funções diferentes. Por isso, os dois modelos devem ser tratados como complementares, e não como alternativas equivalentes. A Meta reúne plataformas como Facebook, WhatsApp e Instagram.

Notas da comunidade têm funções diferentes

Notas da comunidade têm funções diferentes

Em comunicado consultado pela AFP, o Conselho de Supervisão afirmou que a verificação feita por profissionais da informação e as notas produzidas por usuários atendem a “dois propósitos distintos”. Dessa forma, a substituição direta de um formato pelo outro poderia criar riscos, especialmente em ambientes políticos mais delicados.

O órgão também alertou que as notas podem ser contraproducentes ou manipuladas em regimes repressivos e em países muito polarizados. “Por isso, instamos a Meta a não apresentar as notas da comunidade como uma substituição direta da verificação”, indicou o conselho.

Na quarta-feira (9), a empresa liderada por Mark Zuckerberg informou que havia iniciado os testes do recurso em 16 países latino-americanos. A iniciativa representa um passo em direção à troca do atual programa de verificação jornalística por um sistema baseado na colaboração dos próprios usuários.

Riscos em países polarizados

Riscos em países polarizados

O anúncio ocorreu em um cenário de avanço da direita e da extrema direita na América Latina. O texto cita candidatos que chegaram à presidência de Chile, Colômbia, Equador, Argentina e Peru, declararam admiração pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e adotaram como referência o presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Esses grupos políticos utilizam estratégias intensas nas redes sociais, que também concentram grande volume de desinformação. Nesse contexto, o Conselho de Supervisão avalia que o funcionamento das notas da comunidade precisa considerar as características de cada país.

Embora possam contribuir para debates relevantes e estimular a liberdade de expressão, as notas também podem provocar “danos no mundo real”, segundo o conselho. Entre os riscos apontados estão os “regimes que reprimem os direitos humanos”, ambientes de polarização capazes de alimentar a “violência política” e nações com “redes de desinformação em larga escala”.

“A decisão de passar da fase de testes para a implementação deve se basear em uma análise dos riscos específicos de cada país”.

Brasil fica fora da lista inicial

Brasil fica fora da lista inicial

Os testes anunciados pela Meta abrangem Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

O Brasil não foi incluído nessa etapa. O país realizará eleições presidenciais em outubro e é o maior mercado das plataformas da Meta.

A empresa já havia encerrado, no ano passado, o programa de checagem profissional nos Estados Unidos, dias antes de Donald Trump iniciar seu segundo mandato na Casa Branca. Desde então, passou a adotar as notas da comunidade, em uma estratégia semelhante à utilizada pela plataforma X, de Elon Musk.

Como funciona o sistema

No modelo colaborativo, as informações potencialmente enganosas não são analisadas por redações ou jornalistas profissionais. A tarefa fica com usuários que atendem a requisitos definidos pela Meta: ter pelo menos 18 anos, manter uma conta criada há no mínimo seis meses e não ter violado repetidamente as regras da plataforma.

A Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês) questionou rapidamente o anúncio. A entidade, da qual a AFP é membro, afirmou que o programa da Meta não é suficiente em “contextos de alta desinformação”. A AFP participa, em mais de 26 idiomas, do programa profissional de verificação desenvolvido pelo Facebook, que contrata dezenas de veículos de comunicação para essa finalidade.

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