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O que faz uma listicle realmente performar bem na busca (e na IA)?

Por: Eduardo Carrega
02/09/2026
12:04h
O que faz uma listicle realmente performar bem na busca (e na IA)?
Descubra o que faz uma listicle ranquear bem no Google e na busca com IA: freshness, números no título e o papel do conteúdo autopromocional.
RESUMIR COM:

Listicles — aqueles conteúdos em formato de lista, tipo “10 melhores ferramentas para tal coisa” — continuam firmes e fortes nos resultados de busca, mesmo com toda a agitação em torno da IA generativa mudando as regras do jogo. Uma análise recente, que passou o pente fino em 5,3 milhões de resultados de busca, quis entender se o Google estava mesmo “rebaixando” esse tipo de conteúdo. A resposta é mais nuançada do que um simples sim ou não.

O panorama geral: listicles ainda dominam, mas o jogo mudou

Antes de entrar nos detalhes do que faz uma listicle se destacar, vale recapitular o que já foi descoberto numa etapa anterior da pesquisa, que avaliou 60 mil consultas:

  • Listicles continuam onipresentes: pelo menos uma apareceu no top 10 em 55,1% das buscas analisadas, e no top 3 em 32,3% delas.
  • A intenção da busca é o fator decisivo: quando a pessoa pesquisa claramente por um conjunto de opções, o Google exibe 5,3 vezes mais listicles.
  • Não existe rebaixamento generalizado: apenas 52,5% das consultas mantiveram a mesma URL na primeira posição entre janeiro e agosto — ou seja, houve embaralhamento, não um “castigo” coletivo.
  • Veículos de imprensa saem na frente das marcas: publishers responderam por 46,8% das listicles mais bem posicionadas, contra 19,2% de marcas e fornecedores, vencendo 54% dos confrontos diretos na mesma página de resultados.
  • Cada nicho tem seu próprio comportamento: a presença de listicles no top 10 variou de 42% (entretenimento e games) a 67,2% (beleza e moda); no universo B2B, listicles de marcas próprias apareceram em 46,2% das buscas, mostrando como esse setor aposta pesado na tática pensando em IA.
  • A ameaça real é indireta — é a disputa pela atenção: 92% das páginas de resultado com listicles também traziam Reddit ou YouTube, e os AI Overviews cobriram 83,7% das consultas em média (chegando a 93,4% no B2B).

Os ingredientes de uma listicle bem posicionada

Os ingredientes de uma listicle bem posicionada

A segunda parte da pesquisa foi direto ao ponto: o que, de fato, separa uma listicle de sucesso das que ficam esquecidas nas últimas posições? Foram cruzadas mais de 15 variáveis em 3 mil listicles — e boa parte não resistiu aos testes de consistência.

O sinal mais forte, sem dúvida, foi a atualidade do conteúdo. Páginas com data de publicação ou atualização dos últimos dois anos apareceram em 66,6% dos resultados do top 3, contra 57,3% nas posições 8 a 10. Nada surpreendente: tanto os buscadores tradicionais quanto os modelos de linguagem adoram conteúdo fresquinho.

Já páginas com datas antigas — ou sem nenhuma data que o robô conseguisse interpretar — apareceram em apenas 8,2% do top 3, contra 15,1% nas posições mais baixas. Depois de ajustar por nicho, tipo de listicle e forma da busca, ter uma data velha ou ilegível reduziu em 56% as chances de estar no top 3.

Listicles “contadas” — com número explícito no título, como “17 melhores ferramentas de gestão de projetos” — performam consistentemente melhor do que os chamados roundups editoriais, que recomendam opções sem citar quantidade.

Alguns números que ilustram essa diferença:

  • Em 6.114 páginas de resultado onde os dois formatos apareciam juntos, 56,8% dos confrontos diretos favoreceram as listicles numeradas.
  • A melhor listicle numerada alcançou posição média 3,77 (em 28.228 páginas), enquanto o melhor roundup editorial ficou em 4,59 (em 10.791 páginas).
  • Listicles numeradas chegaram ao top 3 em 55,9% das vezes em que apareceram no top 10; os roundups editoriais, em apenas 41,4%.
  • Nem tudo é regra fixa: roundups venceram em tecnologia de consumo, fitness/esportes e automotivo, enquanto listicles numeradas dominaram os outros 12 setores analisados.

Curiosamente, números grandes no título também ajudam. Listicles com “51 a 100” no título tiveram posição média de 4,11, enquanto títulos com “2 a 5” ficaram em 5,85. Vale lembrar, porém, que esse número no título é só um indicativo aproximado — nem sempre reflete fielmente a quantidade real de itens dentro do conteúdo.

Outro achado interessante: páginas no top 3 tinham, em média, 21,5% mais palavras e 38,9% mais imagens do que as demais, embora essa diferença não se confirme em todos os modelos estatísticos ajustados. Por outro lado, empilhar muitos subtítulos dentro do texto não ajuda nada — pelo contrário: cada aumento significativo na quantidade de seções esteve associado a 29% menos chances de chegar ao top 3. Ou seja: um título grande e ambicioso (“50 melhores ferramentas”) pode funcionar bem, mas isso não significa que seja preciso criar 50 subtítulos — os itens podem perfeitamente aparecer em cards, sem inflar a estrutura do texto.

Listicles “autopromocionais” ainda funcionam — só não é bem por isso que crescem

Um dado chamativo: listicles publicadas por marcas colocando o próprio produto em primeiro lugar, no período final do ano passado, cresceram 3,5 vezes mais em tráfego do que as demais. Antes de comemorar, porém, é preciso entender o motivo real desse crescimento.

Depois de controlar fatores como tráfego inicial, setor, tipo de listicle e repetição de páginas do mesmo publisher, essa vantagem praticamente desapareceu: a autopromoção esteve associada a apenas 4% de crescimento extra, com margem de erro tão ampla que vai de 51% menor a 120% maior — estatisticamente, nada conclusivo.

A leitura mais provável é que empresas passaram a investir mais nesse tipo de conteúdo justamente por perceberem sua importância para a busca com IA — e é esse esforço extra, não o fato de se autopromoverem, que está gerando o crescimento observado. Ainda assim, o resultado reforça que listicles autopromocionais continuam funcionando, mesmo que o Google tenha rebaixado boa parte delas em outro momento.

Alguns números do levantamento, feito com 83 páginas revisadas manualmente em 8 setores:

  • O tráfego orgânico mediano dessas páginas chegou a 1.977 em agosto de 2026, contra 568 do grupo de controle com 600 listicles.
  • 74,7% das comparações de fornecedores B2B elegíveis colocaram o próprio produto em primeiro lugar (62 casos contra 21).
  • Das 434 listicles B2B pertencentes a fornecedores analisadas, apenas 83 realmente comparavam com concorrentes de verdade.
  • 90,4% das páginas autopromocionais ganharam tráfego entre agosto de 2025 e agosto de 2026, contra 67,3% do restante da amostra.
  • Entre as páginas que já tinham tráfego mensurável no início, o ganho mediano foi de 186%, contra 20% nas demais.

Colocar a própria marca em primeiro lugar: é deselegante?

Colocar a própria marca em primeiro lugar: é deselegante?

Existe um desconforto legítimo em escrever uma listicle sobre o próprio setor e se colocar em primeiro na lista. Além da dúvida sobre se alguém realmente confia nesse tipo de conteúdo (ou prefere ir direto ao Reddit, sabendo do viés), fica a questão: como equilibrar isso eticamente?

A recomendação nesse caso é simples: usar dados de terceiros como prova concreta da posição reivindicada. Se existem avaliações no G2, por exemplo, que sustentam a alegação de “ser o melhor em determinada categoria”, dá para publicar essa listicle com a consciência tranquila. Caso contrário, talvez valha mais a pena investir em parcerias com afiliados ou criadores de conteúdo para fazer esse trabalho de forma mais imparcial.

Há ainda uma questão filosófica de fundo na própria lógica da busca: se alguém pesquisa por “software de gestão de projetos” e a marca é, digamos, referência nesse mercado, ela não deveria aparecer automaticamente nos resultados? A resposta é não — simplesmente porque o espaço é limitado, e o Google não quer virar vitrine só das marcas que mais insistem em aparecer primeiro.

Com informações de searchengineland.com.

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