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Óculos sem câmera da Meta: versão “limpa” pode salvar a imagem do produto?

Por: Eduardo Carrega
17/10/2026
04:00h
Óculos sem câmera da Meta: versão "limpa" pode salvar a imagem do produto?
Meta lança óculos sem câmera para tentar superar polêmicas de privacidade; entenda se a aposta pode salvar o produto da empresa.
RESUMIR COM:

Quando a Meta apresentou seus óculos inteligentes com inteligência artificial, em parceria com a Ray-Ban, lá em 2023, a novidade veio acompanhada de uma onda de polêmicas. Agora, com o lançamento de uma versão sem câmera, a pergunta que fica no ar é: será que os óculos sem câmera conseguem reverter o estrago de imagem que o produto acumulou nos últimos anos?

Quando a Meta apresentou seus óculos inteligentes com inteligência artificial, em parceria…

O problema foi sério. Houve diversos relatos de uso dos dispositivos para assediar mulheres e, principalmente, meninas, que foram filmadas sem consentimento — imagens que depois acabaram circulando pela internet. Nem a recente contratação de Kylie Jenner, irmã de Kim Kardashian, como principal modelo da marca, conseguiu dar um jeito nessa reputação manchada. Pelo contrário: os óculos ganharam apelidos nada lisonjeiros, como “pervertidos” ou “sinistros”.

O problema foi sério. Houve diversos relatos de uso dos dispositivos para…

O desconforto saiu do campo da opinião e virou proibição concreta em vários lugares do Reino Unido. Os pubs da rede JD Wetherspoon, teatros importantes, a Comic-Con, algumas escolas e até a base naval britânica Faslane, que abriga os submarinos nucleares do país, baniram o uso dos óculos em suas dependências.

Óculos sem câmera: a aposta da Meta para contornar a crise

Foi nesse cenário que, no final de setembro, a Meta apresentou o Ray-Ban Meta Audio, uma versão sem câmera dos óculos inteligentes. O modelo mantém as funções de áudio dos originais — como fazer ligações telefônicas e tocar música, com som direcionado diretamente ao ouvido do usuário — mas sem o componente que gerou boa parte da desconfiança do público.

Foi nesse cenário que, no final de setembro, a Meta apresentou o…

Para alguns especialistas do setor, a mudança soa como uma resposta, ainda que indireta, às críticas sobre privacidade. A Meta, porém, nega qualquer relação entre o lançamento e a pressão pública, afirmando que o produto já estava em desenvolvimento havia dois anos. Além disso, a versão apenas com áudio sai mais barata que a com câmera, tem armação mais leve e oferece mais tempo de bateria.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o novo modelo superar as vendas da versão com câmera, o chefe de produtos da Meta Glasses, Ankit Brahmbhatt, fez uma pausa significativa antes de responder. “Temos, eu acho, algo para todos”, declarou, escolhendo as palavras com cuidado.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o novo modelo superar as…

A dúvida que fica é se esse lançamento sinaliza uma mudança real na forma como as empresas de tecnologia enxergam o futuro dos óculos inteligentes, ou se a versão sem câmera é apenas um produto de nicho — algo parecido com os celulares “tijolão” sem internet, voltados a quem está cansado das redes sociais.

Relato de uso: música, mapas e menos medo do que se imagina

Não há dúvida de que os óculos inteligentes se tornaram sinônimo de polêmica. Ao testar um par de Meta Ray-Ban com câmera emprestado, a reação inicial foi de nervosismo diante da possibilidade de assédio físico — afinal, já circularam relatos de pessoas que arrancaram os óculos da cabeça de usuários e os esmagaram na rua.

Na prática, porém, o uso em transporte público e nas ruas de cidades britânicas como Londres, Glasgow e Portsmouth não provocou reação alguma das pessoas ao redor. Isso levanta uma questão interessante: será que o público conhece tanto sobre esses óculos quanto acreditam a Meta e os ativistas que defendem restrições ao produto?

Por outro lado, algumas pessoas confidenciaram que não se sentiriam confortáveis em abordar alguém usando os óculos, mesmo reconhecendo o modelo, por medo de que a conversa fosse filmada e parar na internet.

“Temos, eu acho, algo para todos.”

Como funcionam os óculos e o que mais chamou atenção

Os óculos funcionam como uma extensão do celular, conectando-se por Bluetooth ao aparelho por meio do aplicativo de IA da Meta. Eles são ativados por voz, e alto-falantes abertos nas hastes direcionam o som para os ouvidos — uma experiência parecida com fones sem cancelamento de ruído, em que ainda é possível ouvir o que acontece ao redor.

Mesmo correndo o risco de soar impopular, vale registrar: diversas funções dos óculos se mostraram úteis no dia a dia — e, curiosamente, nenhuma delas dependia da câmera. Entre elas, destaca-se o uso para ouvir música.

Em resumo, o lançamento da versão sem câmera parece tentar equilibrar dois mundos: manter a conveniência tecnológica que a Meta aposta como caminho para o futuro, enquanto tenta afastar o produto da sombra das polêmicas de privacidade que marcaram seus primeiros anos no mercado.

Com informações de redir.folha.com.br.

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