A plataforma de moda OQVestir completa 17 anos de operação com uma meta ousada: crescer 20% em 2026 na comparação com o ano anterior. Para isso, a empresa planeja destinar R$ 43 milhões a tecnologia e inovação digital ao longo deste ano. Um dado curioso ajuda a entender a aposta: um quarto de todo o faturamento da marca vem da categoria de sneakers, que virou peça-chave da estratégia.

Vale lembrar que esses números são projeções divulgadas pela própria companhia, já que a OQVestir não revelou faturamento nem valores absolutos de comparação. A plataforma faz parte do Icomm Group, grupo formado em 2017 e especializado em moda, que também é dono do Shop2gether.
Crescimento da OQVestir aposta em clientes fiéis, não em novos consumidores
Diferente do que se vê em boa parte do mercado, a estratégia de crescimento da OQVestir não está centrada em atrair gente nova para a base. Isso porque mais de 300 mil consumidores compram na plataforma há mais de cinco anos, e outros 100 mil já são clientes há mais de uma década. Com uma fidelidade dessas, faz sentido apostar na recorrência.
Na prática, isso muda o foco da operação: em vez de correr atrás de volume, a empresa quer ganhar espaço e frequência junto a quem já conhece a marca. Dessa forma, o caso da OQVestir aponta um caminho alternativo para quem vende moda online e está cansado da disputa por custo de aquisição de clientes.
Sneakers puxam o crescimento e portfólio deve crescer
Segundo a empresa, a categoria de sneakers se consolidou como uma das principais âncoras desse crescimento. O movimento, aliás, acompanha uma tendência maior do varejo de lifestyle esportivo — em junho, por exemplo, a Netshoes criou um hub de streetwear premium reunindo cerca de 50 marcas.
Atualmente, a plataforma reúne mais de 230 marcas e recebe mais de 100 novidades por dia. Além disso, a expectativa é incorporar mais de 16 marcas ao longo de 2026, ampliando o portfólio e reforçando categorias consideradas estratégicas para os próximos ciclos.
Inteligência artificial entra na recomendação de produtos
Parte relevante do investimento em tecnologia vai para inteligência artificial (IA), automação e uso de dados. A ideia é melhorar a recomendação de produtos, personalizar a jornada de compra e otimizar processos internos. No atendimento, a automação deve ampliar os canais digitais e o autosserviço, mas sempre com apoio humano disponível quando o cliente pedir.
Esse ainda é um ponto sensível para o setor como um todo. Um estudo do Google mostrou que apenas dez de 35 e-commerces brasileiros avaliados conseguiram entregar resultados realmente personalizados ao perfil do cliente — ou seja, ainda há bastante espaço para evoluir nessa frente.
O aporte também dá continuidade a um ciclo maior de investimentos do grupo. Em novembro de 2025, o Icomm Group havia informado ao E-Commerce Brasil um pacote de R$ 90 milhões, que reunia logística, tecnologia e expansão de verticais.
João Almendra, CEO do Icomm Group, resume bem o raciocínio por trás da estratégia ao afirmar que o cliente de hoje busca orientação, não apenas variedade.
“O nosso cliente busca cada vez mais aconselhamento de moda. Ter muitas opções já não é suficiente: ele quer encontrar o que faz sentido para o seu estilo e o seu momento de vida, inclusive aquilo que ainda não sabia que queria”, diz o executivo.
Curadoria e comunidades substituem a loja física
A curadoria, aliás, segue sendo apresentada como diferencial do grupo, que já havia destacado o toque humano como estratégia dentro do e-commerce premium. Como não tem lojas físicas, a marca tenta manter proximidade com o público por meio de comunidades e de conteúdo que conecta tendências a ocasiões reais de uso.
“Moda envolve comportamento, contexto, repertório e uma certa sensibilidade. Por isso, acreditamos na combinação entre inteligência de dados e inteligência humana”, diz Almendra.
Esse movimento acontece em um momento favorável para o setor: o e-commerce de moda cresceu 35% em 2025, segundo levantamento da NuvemCommerce. Apesar disso, a empresa não quer se acomodar com o cenário aquecido.
Para os próximos três a cinco anos, a OQVestir diz pretender ocupar mais espaço na decisão de compra do consumidor. Por enquanto, porém, o projeto ainda não tem detalhes divulgados nem data de estreia definida.
Com informações de ecommercebrasil.com.br.