A previsão do futuro com IA levanta uma questão que vai além da tecnologia: devemos permitir que sistemas desse tipo façam análises sobre o que ainda não aconteceu?
O debate lembra uma constatação feita pelo psicólogo Philip Tetlock na década de 1980. Na época, ele se surpreendeu ao perceber que analistas geopolíticos muito respeitados e com amplas credenciais frequentemente apresentavam opiniões fundamentalmente diferentes sobre os rumos da Guerra Fria e sobre o que o futuro reservava.
Para Tetlock, essa divergência era estranha. Afinal, se especialistas reconhecidos podiam discordar tanto a respeito de temas importantes, surgia uma dúvida básica sobre a própria ideia de previsão do futuro: o que exatamente significa chamar alguém de “especialista”?
A questão ganha uma nova dimensão com a inteligência artificial. Se a previsão do futuro por meio de sistemas automatizados se tornar cada vez mais acessível, será necessário refletir sobre o peso dessas análises e sobre a confiança que elas devem receber.
O ponto central, portanto, não é apenas saber se a IA consegue fazer previsões, mas também entender como avaliar seus resultados. A experiência observada por Tetlock mostra que credenciais e reconhecimento não eliminam divergências — e esse cuidado continua relevante quando o assunto é antecipar acontecimentos.
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Com informações de redir.folha.com.br.