A inteligência artificial tornou mais fácil produzir conteúdo em volume e em velocidade. Isso gerou ganho de eficiência para marcas e agências, mas também criou um risco real: publicar muito sem que o resultado realmente converta. Esse cenário levou profissionais de SEO a repensarem como montam seus planos de conteúdo diante das AI Overviews do Google e de ferramentas como ChatGPT e Perplexity.
A Plustag IA reuniu um roteiro de SEO que organiza esse processo em etapas claras, pensadas para evitar desperdício de esforço mesmo quando o site já aparece nos resultados de busca. A lógica central é simples: visibilidade sozinha não paga as contas se não vier acompanhada de um objetivo de negócio bem definido.
Por que o roteiro de SEO precisa começar pelo objetivo de negócio?
Antes de abrir qualquer ferramenta de pesquisa de palavras-chave, é preciso saber a que resultado concreto aquele conteúdo deve servir. Pode ser geração de leads, receita de e-commerce ou outra métrica que tenha peso real para a empresa.

Tráfego ou aparecer bem posicionado na busca não costuma ser suficiente como meta, a não ser que o modelo de negócio dependa diretamente de pageviews ou de publicidade, caso comum em veículos de mídia. Para a maioria das empresas, o conteúdo só faz sentido se levar a uma conversão que possa ser rastreada até o fechamento de negócio.
Um exemplo citado no material é o de uma empresa de logística terceirizada (3PL) que busca relacionamentos comerciais mais complexos, não o cliente que só quer o frete mais barato. Nesse caso, o sucesso do conteúdo está em gerar formulários preenchidos no site que depois virem negócios fechados pelo time comercial. Definir esse objetivo logo no início evita investir tempo e orçamento em conteúdo que não entrega retorno.
Como mapear o universo de palavras-chave e encontrar lacunas de conteúdo?
A segunda etapa do roteiro de SEO envolve montar a base de palavras-chave que será usada nas análises seguintes. O processo foi descrito usando o Ahrefs como ferramenta de referência, mas pode ser adaptado para qualquer plataforma de pesquisa de SEO.

- Abrir a análise de concorrência e comparar o domínio próprio com o de dois a quatro concorrentes (é possível incluir até dez)
- Identificar palavras-chave em que os concorrentes rankeiam e o site analisado não aparece
- Aplicar filtros de dificuldade e volume de busca, além de faixas de posição nos resultados
- Exportar a lista filtrada para uso nas etapas seguintes de agrupamento de temas
Um ponto de atenção é a escolha dos concorrentes certos: eles precisam ser concorrentes de busca, ou seja, sites que disputam as mesmas posições no Google, e não necessariamente os concorrentes tradicionais de produto ou serviço apontados pelas equipes comerciais internas. Essas duas listas costumam ser bem diferentes.
Também é preciso filtrar manualmente o resultado bruto, descartando termos de marca ou fora de intenção de busca. No exemplo da empresa de logística, o termo genérico “3PL” tem volume alto, mas é mais disputado, enquanto variações como “empresa 3PL” ou “fulfillment 3PL” têm menor dificuldade e intenção comercial mais clara. A recomendação é mirar esses pontos de equilíbrio antes de tentar disputar o termo mais amplo do setor.
Qual o papel das AI Overviews nessa estratégia de SEO?
A etapa seguinte do roteiro de SEO é analisar a página de resultados de busca como um todo, não apenas o volume e a dificuldade da palavra-chave. Isso porque a primeira posição orgânica pode aparecer abaixo de uma AI Overview, de anúncios ou de outros recursos de busca, o que reduz o tráfego mesmo para quem está bem posicionado.
Segundo dados citados no material, a página mais bem posicionada perde cerca de 58% dos cliques quando há uma AI Overview na busca. Esse número reforça a importância de entender, antes de investir em um termo, se ele costuma gerar esse tipo de resposta gerada por IA.

O processo recomendado inclui verificar quais palavras-chave da lista já disparam AI Overviews, checar em quais termos o próprio site já é citado dentro dessas respostas geradas por IA e registrar, para cada palavra-chave prioritária, os recursos presentes na página de resultados (AI Overview, perguntas relacionadas, anúncios, pacote local e quem é citado na resposta de IA).
A presença de uma AI Overview não significa automaticamente que o termo deve ser descartado. Para buscas informativas e de topo de funil, onde a resposta de IA costuma concentrar a atenção do usuário, a decisão pode ser escrever pensando especificamente nessa resposta, ou focar no resultado orgânico que aparece logo abaixo dela.
O que muda na prática para quem produz conteúdo?
O roteiro de SEO proposto funciona como um filtro de disciplina: cada palavra-chave só avança para produção depois de passar pela análise de objetivo de negócio, volume real de oportunidade e comportamento da página de resultados diante da IA. Isso evita que times produzam conteúdo em excesso sem garantia de retorno, o problema central levantado quando se fala em usar IA para acelerar a produção.

Para quem lida com estratégia de conteúdo no dia a dia, o próximo passo natural é aplicar esse mesmo nível de critério também à visibilidade em ferramentas como ChatGPT e Perplexity, ampliando o roteiro de SEO para além do Google.
Com informações de searchenginejournal.com.