O Google acaba de concluir uma expansão que vinha sendo acompanhada de perto por quem trabalha com SEO: os novos recursos do Search Console com IA agora estão disponíveis para sites do mundo inteiro. Na prática, isso significa que donos de sites passam a enxergar como seu conteúdo aparece dentro das respostas geradas por inteligência artificial — e, além disso, ganham um botão para decidir se querem ou não participar dessas experiências.

A novidade cobre três frentes: AI Overviews, AI Mode e as respostas generativas que aparecem dentro do Discover. O painel que reúne esses dados fica separado dos relatórios tradicionais de busca, trazendo informações como impressões, páginas exibidas, países e dispositivos. Por enquanto, porém, não há números de cliques — um detalhe que muda bastante a forma de interpretar os resultados.
Como funciona o relatório do Search Console com IA
O novo relatório mostra, basicamente, quantas vezes as páginas de um domínio surgem dentro dos recursos generativos da Busca. É possível filtrar por endereço, país, dispositivo e período, o que ajuda a entender quais conteúdos estão sendo puxados pelos sistemas do Google para montar essas respostas.
O ponto de atenção é que as métricas não trazem cliques. Ou seja: uma impressão apenas indica que o conteúdo apareceu em alguma experiência de IA, mas não diz se isso resultou em visita ao site. Por isso, comparar esse painel com o relatório tradicional de desempenho exige cautela, já que a cobertura de dados é diferente.
Segundo o Google Search Central, essas informações aparecem em uma área própria do Search Console, justamente para não se misturar com resultados orgânicos comuns, anúncios ou outras superfícies já monitoradas.
Dá pra sair das respostas geradas por IA
Além de medir, o Search Console também passou a oferecer um controle para quem simplesmente não quer aparecer nessas respostas. Ao ativar essa opção, o site deixa de ser usado como base para o AI Overviews, o AI Mode e o AI Overviews dentro do Discover.
Isso também interrompe impressões e eventuais visitas vindas dessas superfícies. Vale destacar: o Google garante que essa escolha não interfere no posicionamento nos resultados tradicionais de busca. Então, quem opta por sair das respostas de IA não está sendo penalizado na busca convencional — pelo menos é o que diz a documentação oficial.
Esse mecanismo não deve ser confundido com o Google-Extended, que serve para outro propósito: controlar o uso de conteúdo no treinamento de modelos de IA. A opção agora liberada atua especificamente sobre a exibição do site nos recursos generativos usados pelos próprios usuários da Busca.
Números que mostram o tamanho do AI Overviews
No anúncio da novidade, o Google revelou que o AI Overviews já passou da marca de 2,5 bilhões de usuários ativos por mês. O AI Mode, que funciona como um ambiente de conversa separado dentro da Busca, também cresceu bastante e já soma mais de 1 bilhão de usuários mensais.
Esses números dão uma ideia da escala que o novo painel do Search Console está monitorando. Apesar de os dois recursos usarem inteligência artificial para gerar respostas, eles funcionam de formas diferentes: o AI Overviews aparece direto na página de resultados, enquanto o AI Mode propõe uma experiência própria para perguntas em sequência.
O Google ainda informou que aumentou o número de links inseridos diretamente nas respostas e passou a incluir prévias de páginas. São mudanças que afetam a experiência do usuário, mas não alteram o fato central: por enquanto, o painel registra impressões, sem detalhar cliques.
Do teste no Reino Unido à liberação global
Essa história começou em junho, quando o Google anunciou oficialmente os recursos e os liberou para um grupo restrito de sites no Reino Unido, como uma espécie de fase de testes antes de expandir para outros países.
A documentação foi atualizada no fim de agosto justamente para confirmar a disponibilidade mundial. Ou seja, a grande novidade não é a criação desses relatórios em si, mas sim a conclusão da distribuição para todas as propriedades aptas dentro do Search Console.
Durante o período de testes, o Google afirmou que estava recolhendo feedback dos proprietários de sites para decidir quais informações fariam mais sentido. A empresa mantém a promessa de adicionar novas métricas ao longo do tempo, mas sem dar um prazo específico para isso.
Por que separar impressões de IA dos cliques orgânicos importa
Como o novo relatório não traz cliques, fica impossível calcular diretamente uma taxa de acesso a partir das respostas geradas por IA. Dá para ver o volume de aparições e como ele se distribui entre os conteúdos, mas é preciso recorrer a outras fontes para entender quantas sessões realmente chegaram ao site.
Essa limitação também complica comparações com o relatório tradicional, que já inclui cliques, impressões, taxa de cliques e posição média. A nova área, portanto, mostra onde e quando o site apareceu em experiências de IA, sem repetir todas as métricas do relatório orgânico de sempre.
Para quem trabalha com SEO no dia a dia, o recado é claro: é preciso deixar bem marcada a origem de cada número. Impressões vindas de recursos generativos não devem ser somadas a cliques orgânicos nem tratadas como visitas confirmadas ao site.
As regras de sempre continuam valendo
Mesmo com a chegada da IA, o Google mantém os mesmos requisitos técnicos de sempre para a busca: a página precisa estar indexada e conseguir exibir um trecho para servir como link de apoio. Cumprir esses requisitos, porém, não garante que o conteúdo vá aparecer em uma resposta gerada por IA.
Não é necessário criar arquivos especiais ou marcações exclusivas para o AI Overviews e o AI Mode.
As orientações seguem as mesmas de sempre: conteúdo acessível, páginas bem organizadas, boa experiência de navegação e materiais originais. Com a expansão global, o Search Console passa a oferecer, enfim, uma escolha real acompanhada de dados próprios: quem decide permanecer nas experiências de IA consegue acompanhar as impressões, enquanto quem opta por sair deixa de receber exposição e tráfego vindos dessas superfícies — sem que isso vire um sinal usado contra o site na busca tradicional.
Com informações de conversion.com.br.