O levantamento, feito em tempo real em mais de 100 mil grupos, mostra como a disputa entre o senador eleito Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) mobilizou discussões, especulações e até desinformação ao longo da noite deste domingo (4).
A apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a divulgar parciais logo após as 17h, e Flávio Bolsonaro apareceu à frente de Lula desde os primeiros boletins. O painel chegou a ficar quase uma hora sem atualização, com o senador a menos de meio ponto percentual de decidir a eleição ainda no primeiro turno.
Por que o segundo turno gerou tanta desinformação no WhatsApp?
A pausa na atualização do painel do TSE foi o estopim para uma onda de boatos nos grupos bolsonaristas. Usuários passaram a questionar a demora e a especular sobre possível interferência no resultado, segundo o monitoramento da Palver.

Uma das mensagens identificadas resumiu o clima de desconfiança: “Já vimos esse filme”, em referência à virada registrada por Lula às 20h02 no primeiro turno de 2022. A Palver apontou que ao menos uma em cada seis mensagens sobre travamento ou fraude citava explicitamente aquele episódio. Houve também quem previsse que “o algoritmo” passaria a favorecer Lula a partir de dois terços das urnas apuradas.
Como os números da Palver mostram a mudança de humor na noite
Entre 17h30 e 20h30, nove em cada dez mensagens sobre política nos grupos monitorados tratavam da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na primeira meia hora de apuração, quatro em cada dez mensagens eram prints ou transcrições do placar do TSE, acompanhado minuto a minuto pelos usuários.
Depois das 20h, o tom das mensagens mudou. Os grupos passaram a comemorar a eleição de senadores, deputados e governadores e a especular sobre os rumos do segundo turno presidencial.

Os três momentos da noite no campo bolsonarista
No recorte específico das mensagens bolsonaristas, a Palver identificou três fases distintas ao longo da noite:
- Euforia inicial, com apostas de que a eleição seria decidida “de prima”, ou seja, ainda no primeiro turno;
- Desconfiança após o congelamento do painel do TSE, com suspeitas de interferência no processo eleitoral;
- Comemoração, já com a certeza de que haveria segundo turno, impulsionada por vitórias em outras disputas.
A noite terminou, ainda antes do encerramento da apuração para a Presidência, com apoiadores de Bolsonaro celebrando a eleição de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal. Também repercutiu a derrota de ex-aliados do ex-presidente, apontados nos grupos como traidores. Nesse contexto, o assunto Senado passou de 7% para 11% do total de mensagens monitoradas pela Palver.
O que o monitoramento revela sobre o desânimo petista
Enquanto o campo bolsonarista alternava euforia e desconfiança, o material apurado pela Palver aponta um clima de desânimo entre apoiadores do PT ao longo da mesma apuração.

Com informações de redir.folha.com.br.