John Mueller e Martin Splitt, da equipe do Google, voltaram a falar sobre um assunto que parecia enterrado nos manuais antigos de otimização: o sitemap HTML. Mesmo com o formato XML dominando praticamente tudo hoje em dia, os dois mostraram que a versão em HTML ainda tem seu espaço — só que não da forma como muita gente imagina.
Antes do sitemap XML dominar o jogo
Quem trabalha com SEO há mais tempo lembra bem: antes da popularização dos sitemaps em XML, a estratégia para garantir que páginas novas fossem rastreadas e passassem a ranquear envolvia espalhar links internos e externos por toda parte. Além disso, era comum colocar, no rodapé do site, um link levando a uma página de sitemap HTML — basicamente uma lista enorme com todos os endereços internos considerados relevantes. Páginas menos estratégicas, como a famosa “Sobre Nós”, geralmente ficavam de fora dessa lista.
Curiosamente, há indícios de que o Google já usava feeds RSS antes mesmo de o XML sitemap existir oficialmente. Um estudo acadêmico de 2004 mostrou que os robôs de busca conseguiam usar feeds RSS para identificar páginas novas ou atualizadas, reduzindo em até 40% o consumo de banda durante o rastreamento. O problema é que nem todo mundo adotava RSS, o que tornava essa alternativa pouco confiável em larga escala. Foi aí que Google, Yahoo e Microsoft — o trio conhecido como GYM — se uniram para criar um padrão único de sitemap em XML, que é usado até hoje.
Sitemap HTML não substitui o sitemap XML
Durante o podcast Search Off The Record, Splitt perguntou diretamente se sites e profissionais de SEO eram obrigados a usar apenas o XML, ou se o HTML ainda poderia entrar em jogo. Mueller foi claro: o sitemap HTML não substitui o XML, já que não carrega a estrutura técnica que o formato XML oferece.
“Ah sim, sitemaps HTML. Acho que isso confunde bastante o usuário comum, porque você provavelmente sabe o que é XML e o que é HTML, mas muita gente, quando abre um arquivo XML, vê aquelas chaves estranhas e pensa: ah, isso é HTML ou algo parecido, certo? Parece aquele código complicado de programação. E eles têm nomes parecidos, mas um sitemap HTML é basicamente um mapa do site voltado para os usuários. Não é algo que substitui um arquivo de sitemap XML. Claro, se alguém estiver rastreando seu site e encontrar um arquivo de sitemap HTML, os links ali podem ser rastreados normalmente, como qualquer outro link da página, então isso ajuda. Mas não dá para enviar o sitemap HTML como se fosse um arquivo de sitemap oficial. Ele não pode ser processado da mesma forma que um XML, porque não tem essa estrutura rígida. É basicamente uma coleção de links.”
Como usar o sitemap HTML na prática, segundo o Google
O interessante é que, mesmo explicando as limitações, Mueller deixou claro que o sitemap HTML continua tendo utilidade — só que como parte da navegação pensada para o usuário, e não como ferramenta técnica de indexação. Ele usou o exemplo de uma loja virtual, mas a lógica vale para qualquer tipo de site. Nesse modelo, o sitemap HTML funciona como uma porta de entrada para as categorias principais, de onde o visitante segue navegando até chegar ao produto ou conteúdo específico que procura.
Splitt completou o raciocínio perguntando se isso ainda ajudaria o rastreamento, já que a partir dali os robôs também conseguiriam encontrar outros links:
“Mas isso ainda ajudaria no rastreamento, porque a partir desse ponto também conseguimos encontrar todos os links, certo? Só que não é tão estruturado e definido quanto um sitemap XML, eu acho.”
Mueller confirmou e detalhou melhor o conceito:
“Sim, com certeza. E é algo que, pelo que percebo, muitos sitemaps HTML não incluem tudo. Então, se você tem um e-commerce, não listaria todos os produtos em um arquivo de sitemap HTML. Você listaria talvez as categorias, para que as pessoas cheguem ao lugar certo e depois escolham o produto individualmente. Então é parecido, mas não é exatamente a mesma coisa.”
Vale a pena investir em sitemap HTML para SEO?
Para quem está começando agora em SEO, essa pode ser uma novidade e tanto. Já para os mais experientes, o sitemap HTML talvez soe como algo ultrapassado, no mesmo pacote de diretórios de links e parcerias de troca de backlinks que caíram em desuso. Ainda assim, se o próprio Mueller diz que o recurso pode ser útil para os usuários, isso indica que também pode gerar sinais positivos para o Google.
Ou seja, a recomendação da Plustag IA é simples: se for adotar o sitemap HTML, faça isso pensando primeiro na experiência de quem navega pelo site. Dessa forma, é provável que os visitantes passem a usar e até indicar mais páginas internas, e o Google acaba captando esse comportamento como um sinal relevante.
Em resumo, o sitemap HTML carrega uma longa trajetória dentro do universo do SEO: antes do XML existir, ele ajudava os mecanismos de busca a encontrar páginas novas e distribuía autoridade entre elas. Apesar disso, ele nunca foi — e continua não sendo — um substituto do sitemap XML, já que os dois cumprem papéis diferentes, mesmo colaborando com o rastreamento. O próprio Google reforça que o recurso ainda tem valor, desde que usado para facilitar a navegação, sem a necessidade de listar cada página existente no site. No fim das contas, pensar primeiro no usuário pode ser o atalho mais eficiente para colher benefícios também na descoberta de conteúdo pelos buscadores.
Com informações de searchenginejournal.com.