As sessões orgânicas caíram e o cliente quer respostas. Essa cena se repete com tanta frequência que 42% das agências afirmam receber esse questionamento regularmente, segundo o Relatório de Benchmarks de Agências de Marketing 2026, produzido pela AgencyAnalytics com base em 494 profissionais do setor.
Até pouco tempo, havia uma explicação simples para justificar quedas de tráfego: uma atualização do algoritmo do Google, uma variação sazonal ou o avanço de um concorrente nos rankings. Em 2026, a resposta costuma ser resumida em duas letras: IA.
O papel das IA Overviews e da busca sem cliques
Quando um recurso de IA Overview responde diretamente à pesquisa do usuário, o clique simplesmente não acontece. O mesmo ocorre quando alguém pede uma recomendação a um assistente de inteligência artificial e segue a sugestão sem nunca saber de onde ela veio. Não houve perda de posição nem piora no conteúdo — nada mudou do lado do cliente. Isso torna esse tipo de queda muito mais difícil de justificar do que as oscilações tradicionais que as agências já sabiam explicar.
O levantamento confirma que o mercado já percebeu esse movimento: 64% das agências apontaram as IA Overviews do Google como a principal preocupação do setor neste ano, seguidas de perto pela disrupção causada pela busca por IA na SEO tradicional, citada por 59%. Os efeitos colaterais também aparecem nos números: 43% das agências relatam disputa mais acirrada pelo tráfego de alta intenção — aquele que realmente converte —, e 41% enfrentam dificuldades inéditas para mensurar o retorno sobre investimento, já que os modelos de atribuição tradicionais perdem eficácia.
O que os clientes realmente querem saber
Quando perguntadas sobre qual métrica mais importa para seus clientes, as agências responderam: conversões (44%), leads (22%), ROI (12%) e receita (11%). Ou seja, para 89% delas, o que interessa é resultado concreto. Curiosamente, o tráfego bruto aparece em último lugar, com apenas 6% de menções.
Isso levanta uma pergunta óbvia: se o tráfego importa tão pouco, por que ele continua sendo o assunto mais recorrente nas conversas com clientes?
Por que a atribuição está cada vez mais complicada
A resposta é simples: a queda no tráfego costuma ser o primeiro sinal visível de um problema maior. Ela está no início da cadeia de métricas — menos visitantes hoje tende a significar menos conversões amanhã. No fundo, o que o cliente quer entender é sua posição real no mercado. O problema é que muitas agências não conseguem oferecer essa clareza.
De acordo com a pesquisa, quase metade das agências não consegue rastrear com confiança usuários que chegam até a marca por meio de ferramentas de inteligência artificial. Isso coloca o consultor em uma posição delicada: alguém segue a indicação de um assistente de IA, acessa o site sem nenhum referenciador identificável e acaba sendo contabilizado como tráfego direto. A descoberta aconteceu, mas não deixou rastro — restando apenas o gráfico de tráfego como dado disponível.
Os números de atribuição reforçam esse cenário de dificuldade generalizada: 48% das agências têm problemas para rastrear usuários vindos de buscas por IA; 47% não conseguem atribuir conversões em jornadas com múltiplas sessões; 45% não sabem identificar qual conteúdo influenciou determinada conversão; e 44% reconhecem que os modelos tradicionais de atribuição estão perdendo confiabilidade. Como destaca o relatório, a atribuição se tornou um desafio estrutural, agravado pelo fato de que a descoberta via IA cria pontos de contato praticamente impossíveis de rastrear.
Diante disso, o relatório em si ganha peso redobrado: 97% das agências consideram a precisão dos relatórios fundamental para a retenção de clientes. Quando os modelos tradicionais falham em comprovar o ROI, é o relatório que assume esse papel de prova.
Pare de defender o gráfico de tráfego — mostre a presença em IA
A recomendação é clara: em vez de tentar justificar oscilações no tráfego orgânico, as agências devem apresentar aos clientes onde a marca aparece dentro das próprias ferramentas de inteligência artificial. E essa demanda já existe: os serviços de otimização para mecanismos de resposta (AEO) e de SEO voltado à busca por IA atingiram recorde histórico de procura, com 66% de interesse — superando até anúncios pagos e vídeos curtos como o novo serviço mais requisitado de 2026.
Quatro métricas de visibilidade em IA para reportar
O relatório aponta quatro indicadores que podem substituir o tráfego como base de análise, todos incorporados à ferramenta AI Tracker da AgencyAnalytics, mas também possíveis de acompanhar manualmente:
Visibilidade — mede com que frequência o cliente é mencionado em um conjunto de perguntas que compradores reais fariam, separando prompts de categoria dos de marca. Recomenda-se criar entre 20 e 30 perguntas, repetir por região quando aplicável, rodá-las mensalmente em sessões privadas e calcular o percentual de menções por mecanismo de IA.
Posição — avalia em que lugar o cliente aparece quando citado, já que uma menção em terceiro lugar entre cinco opções é bem diferente de uma em terceiro entre doze. O ideal é calcular a média de posição ao longo do tempo.
Citações — verifica se o cliente aparece como fonte nas respostas geradas por IA, analisando os domínios citados e classificando-os como cliente, concorrente ou terceiros (como diretórios ou sites de avaliação), sempre registrando a URL específica.
Sentimento — analisa como o cliente é descrito nas respostas, classificando o tom como positivo, neutro ou negativo, além de sinalizar eventuais erros factuais, como preços desatualizados ou informações de localização incorretas.
Acompanhadas mês a mês, essas quatro métricas transformam a pergunta “qual é a nossa posição?” em um relatório concreto e apresentável ao cliente.
Escala como desafio operacional
Rodar 25 prompts em quatro grandes plataformas de IA, duas vezes cada, já resulta em 200 consultas mensais por cliente. Para uma agência com 20 contas, isso significa 4 mil consultas antes mesmo de abrir o primeiro relatório. Desenvolver uma solução própria pode reduzir esse esforço, mas não garante precisão nem vinculação correta dos dados a cada cliente — e erros nesse processo custam caro em termos de confiança.
Para resolver esse gargalo, a AgencyAnalytics incorporou as quatro métricas ao seu AI Tracker, que monitora a presença dos clientes em plataformas como ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e outras, integrando os dados diretamente aos painéis e relatórios já utilizados pelas agências. Configurado uma única vez por cliente, o sistema mantém as informações atualizadas automaticamente, posicionando a visibilidade em IA como parte central da análise de desempenho.


