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Google amplia interfaces geradas por IA e ameaça páginas de ferramentas online

Por: Eduardo Carrega
21/08/2026
12:08h
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Google amplia interfaces geradas por IA e ameaça páginas de ferramentas online

O Google começou a expandir, nesta semana, a chamada “generative UI” (interface gerada por inteligência artificial) para os AI Overviews, o recurso que exibe resumos automáticos no topo dos resultados de busca. A novidade permite que ferramentas interativas sejam criadas diretamente na página de resultados, sem que o usuário precise acessar um site externo.

A funcionalidade já está disponível globalmente em inglês para o AI Mode e começa a ser incorporada aos AI Overviews como parte das atualizações de volta às aulas anunciadas pela empresa. O Google não informou um prazo exato para a conclusão completa dessa expansão dentro dos Overviews.

Na prática, o recurso cria layouts visuais personalizados sempre que o modelo de IA do Google identifica utilidade na resposta — o que pode incluir uma simulação ou uma ferramenta interativa montada na hora. Um exemplo citado é a busca por “escala de pH”: o usuário pode receber uma visualização interativa dentro do próprio Overview e, ao fazer uma pergunta complementar, é direcionado ao AI Mode, que gera respostas ainda mais específicas, como comparar frutas cítricas na mesma escala.

Na prática, o recurso cria layouts visuais personalizados sempre que o modelo…

Embora o lançamento tenha foco declarado em educação — com adição de questionários de prática nos dois formatos —, o sistema já demonstra versatilidade em outras áreas. Um exemplo é uma calculadora de financiamento imobiliário disponível no AI Mode, capaz de comparar diferentes opções de empréstimo.

Da resposta à interface

A tecnologia de interfaces geradas foi apresentada pelo Google Research em novembro de 2025, junto com o Gemini 3, estreando no aplicativo Gemini e no AI Mode, restrita então a assinantes dos planos Pro e Ultra nos Estados Unidos. Durante o evento I/O 2026, em maio, a empresa anunciou que o recurso se tornaria gratuito para todos os usuários da Busca ainda naquele verão. A expansão atual representa o próximo passo: sair da base de assinantes pagos para alcançar uma versão global em inglês no AI Mode, agora também presente nos AI Overviews.

Segundo dados compartilhados por Sundar Pichai no I/O, os AI Overviews já somam mais de 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, enquanto o AI Mode ultrapassou a marca de 1 bilhão. A diferença central entre os dois formatos é que o AI Mode exige ativação manual do usuário, enquanto os Overviews aparecem automaticamente na página padrão de resultados.

Segundo dados compartilhados por Sundar Pichai no I/O, os AI Overviews já…

Esse detalhe importa porque, segundo análise do Pew Research Center, apenas 8% das visitas em que um resumo de IA aparece resultam em clique para um site externo, contra 15% quando não há resumo. A leitura é direta: se os resumos já disputam espaço com páginas de conteúdo, as interfaces geradas passam a disputar espaço com páginas de ferramentas.

O que os testes do Google mostraram

Um artigo científico publicado pelo Google em fevereiro, que embasou o lançamento de novembro, testou como usuários reagem ao comparar uma interface gerada com um site real. No experimento, participantes avaliaram cinco resultados para o mesmo comando: um site personalizado feito por humanos, o principal resultado do Google Search para a busca, uma interface gerada por IA e duas saídas simples de modelos de linguagem em texto puro e markdown.

No conjunto principal de comandos, a interface gerada venceu o resultado tradicional de busca em 90% das comparações diretas. Já os sites construídos por humanos tiveram desempenho sólido, vencendo em 50% dos casos contra 35,3% da interface gerada — o restante foi considerado empate técnico.

No conjunto principal de comandos, a interface gerada venceu o resultado tradicional…

É importante notar que esse percentual de 90% tem limitações: os comandos usados vieram da plataforma de avaliação de chatbots LMArena e se pareciam mais com pedidos típicos de conversação do que buscas tradicionais. Em um segundo conjunto de testes, voltado a buscas informacionais, a interface gerada ainda venceu, mas com margem menor: 73,5% contra 19% do resultado tradicional.

Outro ponto relevante é que os sites personalizados usados na comparação não eram de empresas consolidadas. O Google contratou desenvolvedores freelancers, pagando entre US$ 100 e US$ 130 por site, com cerca de três a cinco horas de trabalho cada, orientados a priorizar experiência do usuário em vez de SEO — ou seja, não eram páginas de ferramentas maduras e otimizadas.

A empresa reconhece limitações atuais, como tempo de geração de um a dois minutos e possíveis erros no resultado final. Para permitir estudos independentes, o Google também disponibilizou o PAGEN, um banco de dados com os sites contratados para o experimento, possibilitando que pesquisadores externos repliquem comparações semelhantes.

Quais ferramentas correm mais risco

A interface gerada produz uma única página web com scripts, construída a partir do comando do usuário somado a buscas e ferramentas de imagem — o que define os limites do que ela consegue reproduzir. Ferramentas baseadas em cálculos públicos e entradas genéricas, como calculadoras de financiamento, conversores de unidades e simulações educacionais, são as mais fáceis de replicar. Já ferramentas que dependem de dados não públicos, login de usuário ou integrações externas tendem a ser mais difíceis de reproduzir por esse método.

O próprio Google define essas interfaces como “efêmeras”, criadas para um único comando e não armazenadas permanentemente. Em suas palavras: “A interface generativa nos permite montar instantaneamente equipes de gestão de produto, design de UX e engenharia baseadas em IA, para construir uma experiência interativa em cerca de um minuto, para um comando específico. Embora não seja tão competente quanto especialistas humanos, ela permite experiências personalizadas para qualquer solicitação.”

Impacto para profissionais de SEO

Sites educacionais devem sentir o efeito mais imediato, já que o Google iniciou o recurso justamente com explicações interativas, simulações e testes de prática — concorrendo diretamente com conteúdos de preparação para provas. Publishers com seções de ferramentas também enfrentam sobreposição: uma calculadora de pagamentos de um site financeiro ou uma ferramenta de IMC de um portal de saúde podem agora ser replicadas por uma interface gerada dentro do próprio resultado de busca, antes mesmo do clique acontecer.

Nos próximos meses, analisar dados do Search Console sobre impressões e cliques em páginas de ferramentas pode revelar se essa mudança já produz efeitos práticos, mesmo sem uma causa definitiva comprovada. Empresas de software como serviço (SaaS) que oferecem ferramentas gratuitas também estão entre os mais expostos: um conversor ou avaliador gratuito usado para captar o primeiro contato com o cliente pode ser substituído por uma interface criada diretamente na busca.

Com informações de searchenginejournal.com.

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