Estamos cientes de um problema que pode afetar o serviço.

Listicles ainda funcionam no Google? Um estudo com 60 mil buscas responde

Por: Eduardo Carrega
26/08/2026
17:02h
Compartilhe
Listicles ainda funcionam no Google? Um estudo com 60 mil buscas responde

Quem trabalha com SEO já deve ter ouvido essa: “os listicles estão mortos”. A famosa lista tipo “10 melhores ferramentas de X” ou “7 dicas para Y” virou artigo de cabeceira de marcas que querem aparecer bem nas buscas — e também nas respostas geradas por inteligência artificial. Só que, nos últimos meses, uma leva de estudos começou a sugerir que essa estratégia estaria perdendo força, tanto no Google quanto no ChatGPT.

Pesquisas de nomes conhecidos do meio, como Lily Ray, Nick Haigler e Glen Allsopp, trouxeram números que assustam quem vive de listicle:

  • As listas ainda são o tipo de página mais citado pelo ChatGPT, representando 43,8% de 26.283 URLs de origem analisadas — inclusive listas em que a própria marca se coloca em primeiro lugar.
  • Em janeiro de 2026, o Google teria começado a rebaixar sites construídos em cima de listas autopromocionais, com marcas de SaaS perdendo entre 29% e 49% de visibilidade orgânica em poucas semanas.
  • O ChatGPT reduziu em 30% as citações de listicles entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, espaço que foi ocupado por Wikipedia e Reddit.

Só que, na prática, quem ainda usa o Google de vez em quando (cada vez menos, é verdade) continua topando com listas por todo lado. Diante desse contraste, valia a pena investigar a fundo: as listas ainda aparecem com frequência? Dá para enxergar algum rebaixamento das listas autopromocionais? O que faz uma lista se dar bem no ranking? E, afinal, vale a pena continuar produzindo esse formato?

Como foi feita a investigação

Para tentar responder essas perguntas, foi montada uma análise robusta: 60 mil buscas em inglês americano, feitas em desktop, cobrindo 15 nichos diferentes, usando dados da ferramenta SE Ranking. O resultado foi uma base de 5,32 milhões de linhas de resultados orgânicos, coletadas em uma janela de 47 horas durante o mês de agosto.

As descobertas foram organizadas em duas partes. Este primeiro texto trata da frequência das listas nas buscas e de indícios de rebaixamento das autopromocionais. A segunda parte, que vem em seguida, vai tratar das características de uma lista que realmente performa bem e se ainda faz sentido investir nesse formato.

Afinal, o que é mesmo um listicle?

Afinal, o que é mesmo um listicle?

Antes de mais nada, é bom alinhar o conceito, porque boa parte da confusão nasce daí. Listicle é a junção de “lista” com “artigo”: um texto em que a lista É o conteúdo. Os itens são do mesmo tipo — ferramentas, ideias, exemplos, opções — e comparáveis entre si, cada um recebendo seu próprio bloco (geralmente com um subtítulo). O título já entrega que existe um conjunto fechado de itens, com ou sem número no meio.

Um tutorial passo a passo, tipo “como configurar o Asana”, não entra nessa categoria, porque ali a ordem importa: o item 3 depende do item 2. Numa lista de verdade, dá para embaralhar os itens sem quebrar a lógica do texto. Exemplos reais desse formato aparecem em sites como NerdWallet, Tom’s Hardware, Fidelity, Salesforce, U.S. News e Healthline — e vale notar que vêm de perfis bem diferentes: afiliados, veículos jornalísticos e marcas, cada um com seu próprio interesse por trás da lista.

O Google realmente está rebaixando as listas?

Os dados não mostram uma penalidade generalizada contra o formato. Pelo menos uma lista apareceu no top 10 em 55,1% das buscas analisadas, e no top 3 em 32,3% delas.

Olhando de forma mais ampla, 85,9% das páginas de resultado traziam pelo menos um título com alguma pista de lista — um número de um a três dígitos ou palavras como “melhores”, “top”, “formas”, “ideias”, “exemplos”, “alternativas”, “dicas”, “ferramentas”, “apps” ou “opções”. Mas, aplicando um critério mais rígido de classificação, apenas 55,1% das páginas realmente traziam uma lista genuína — ou seja, metade dos resultados de busca contém listicles de verdade.

O fator que mais pesa nessa equação é a própria pergunta feita pelo usuário. O Google mostra 4,5 vezes mais listas quando a busca pede claramente um conjunto de opções.

  • Quando a pessoa pergunta explicitamente por ideias, exemplos, opções ou “os melhores” itens, as listas dominam o topo dos resultados.
  • Quando o pedido por várias opções fica só implícito na busca, essa vantagem praticamente desaparece.
  • A taxa de aparição no top 3 chegou a 54,5% nas buscas explícitas por listas, contra apenas 10,2% nas buscas de categoria ou comparação mais implícitas.
  • Em buscas informacionais que nem pediam uma lista, a taxa de aparição foi de 12,1%.

Publishers levam vantagem sobre marcas

Publishers levam vantagem sobre marcas

Um indício interessante de que o Google pode sim estar penalizando listas autopromocionais é que quase metade delas vem de veículos jornalísticos, e não das próprias marcas ou fornecedores.

Em confrontos diretos entre uma lista de publisher e uma lista de marca na mesma página de resultados (foram 4.026 desses casos), o publisher levou a melhor em 54% das vezes. Na média, entre os cinco primeiros resultados, o publisher ficou na posição 4,24, enquanto marcas e fornecedores ficaram em 4,71.

  • Plataformas de conteúdo e publishers tiveram a melhor posição média condicional: 3,76, quando conseguiam entrar no top 10.
  • Publishers em geral ficaram com média 3,99; sites de governo, acadêmicos e sem fins lucrativos, 4,48; marcas e fornecedores, 4,65.

O universo de domínios que lideram listas no top 10 também é bem pulverizado: foram 5.765 domínios diferentes. Os 10 maiores concentraram 18,3% dessas posições de liderança, os 50 maiores somaram 36,5%, e os 5.715 domínios restantes dividiram entre si os outros 63,5% — um sinal de que não existe um punhado de sites dominando sozinho esse tipo de conteúdo.

Com informações de searchengineland.com.

Leia também

Aviso de instabilidade temporária

*COMUNICADO IMPORTANTE SOBRE CONECTIVIDADE NESTA TARDE DE 25/05/2026 ✅*
Parte da rede nacional está apresentando instabilidades de acesso.
Há equipes em várias esferas já está atuando em conjunto com o data center responsável para identificar a causa e normalizar a conectividade o mais rápido possível.
O ambiente segue sendo monitorado em tempo real e novas atualizações serão disponibilizadas conforme houver avanço na análise.
Neste momento alguns VPS, Dedicados e Hospedagens compartilhadas estão com acesso limitado.

Orçamento