Quem usa inteligência artificial pra criar peças publicitárias vai precisar prestar mais atenção nas regras da Microsoft. A empresa acaba de deixar claro que anúncios com IA precisam seguir critérios específicos de transparência, e que criar ou alterar significativamente um anúncio com ajuda de ferramentas de IA não é motivo pra deixar o consumidor no escuro sobre isso.
O uso de conteúdo gerado por IA em campanhas publicitárias já virou rotina no mercado. Apesar disso, a Microsoft reforça que essa praticidade não isenta ninguém de seguir regras básicas de consentimento, honestidade e clareza com quem vê o anúncio. Ou seja, a facilidade de produzir imagens e vídeos com IA não pode virar desculpa pra enganar o público.
Anúncios com IA: o que diz a nova orientação da Microsoft
A companhia publicou um guia específico tratando de conteúdo sintético, gerado ou manipulado por IA usado em anúncios. Na prática, isso significa que os anunciantes seguem sendo os responsáveis por cumprir as leis vigentes em cada lugar onde suas campanhas rodam — incluindo exigências sobre avisos ao público, autorizações necessárias e uso da imagem ou voz de alguma pessoa.
Segundo a Microsoft, é fundamental preservar marcas d’água, metadados e outras informações de origem que ajudem a identificar como aquele conteúdo foi gerado por IA. Além disso, sempre que a divulgação for obrigatória, ela precisa estar visível e posicionada perto do conteúdo ao qual se refere — nada de esconder um aviso importante em letra miúda ou fora do contexto.
A empresa recomenda, inclusive, que os avisos de IA sejam incorporados diretamente às imagens e vídeos usados nas peças. Existe também a possibilidade de aproveitar o recurso já existente de aviso legal (disclaimer) da própria plataforma, disponível para os formatos compatíveis.
Etiqueta de “gerado por IA” não é escudo contra conteúdo enganoso

Aqui vai um ponto importante: simplesmente colar um rótulo de “gerado por IA” numa peça enganosa não resolve nada. A Microsoft é direta ao afirmar que anúncios continuam sujeitos a rejeição, restrição ou remoção caso apresentem certos problemas. Confira o que pode derrubar uma campanha, segundo a empresa:
- Conter deepfakes proibidos;
- Se passar por pessoas ou organizações reais;
- Usar a imagem ou a voz de alguém sem a autorização exigida;
- Deixar de fazer as divulgações obrigatórias;
- Interferir nas informações de origem legíveis por máquina.
E os anúncios feitos com a própria IA da Microsoft?
A empresa também detalhou como trata seu próprio material. Imagens, áudios e vídeos produzidos com as ferramentas de IA da Microsoft podem carregar dados de origem legíveis por máquina, metadados e marcas d’água imperceptíveis que indicam a participação de inteligência artificial na criação.
No entanto, esses sinais nem sempre são visíveis para quem está do outro lado da tela. Por isso, os anunciantes podem ainda assim precisar incluir seus próprios avisos, visíveis ou sonoros, mesmo quando o conteúdo já carrega essas marcas técnicas invisíveis ao consumidor comum.
O que os anunciantes precisam fazer na prática

Antes de submeter qualquer peça criada com apoio de IA, a recomendação é revisar tudo com cuidado, garantindo que pessoas, produtos, lugares, afirmações e eventos retratados estejam corretos. Além disso, é essencial não remover metadados ou marcas d’água dos materiais gerados por IA, e verificar as exigências de divulgação em cada mercado onde a campanha vai ser veiculada.
Microsoft não está proibindo anúncios com IA. A empresa está apenas deixando mais clara a linha entre usar IA para criar um anúncio e usar IA para enganar quem o vê.
Em resumo, a mensagem da Microsoft é bem direta: usar inteligência artificial na criação publicitária continua liberado e até incentivado, mas dentro de regras claras. Assim, quem trabalha com anúncios com IA precisa se atualizar rápido, revisar processos internos e garantir que a transparência caminhe junto com a inovação — afinal, ninguém quer ver uma campanha derrubada por falta de aviso ou por conteúdo enganoso.
Com informações de searchengineland.com.