Um almoço na Casa Branca reuniu, nesta terça-feira (30), os principais nomes da inteligência artificial dos Estados Unidos. O encontro, que teve 34 lugares à mesa, incluindo o do presidente Donald Trump, expôs publicamente as divisões que atravessam o setor de IA e mostrou, pela disposição dos assentos, quem tem mais acesso ao governo americano no tema.
O mapa de assentos foi divulgado pelo próprio Trump nas redes sociais. A distribuição dos convidados importa porque revela, na prática, quais executivos influenciam decisões que podem afetar desde a exportação de chips até eventuais regras de segurança para sistemas de IA usados por milhões de pessoas.
Quem ficou perto de Trump na mesa de inteligência artificial
Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, e Jensen Huang, da Nvidia, ocuparam os lugares de maior destaque, um de cada lado do presidente. A posição de Musk chamou atenção porque marca a reaproximação dele com Trump, depois de meses de atritos públicos motivados por divergências sobre políticas do governo no início do mandato.

Huang, por sua vez, é descrito como um dos nomes mais influentes entre os presentes e um visitante frequente da Casa Branca. Segundo o material original, Trump tem ouvido o executivo da Nvidia sobre a flexibilização dos controles de exportação de chips de IA para a China e sobre a defesa de manter o setor sem novas regulamentações.
Ainda na Casa Branca, participaram do almoço autoridades como o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e o vice-presidente JD Vance. Ambos defendem que regras formais de proteção prejudicariam a competitividade dos Estados Unidos no setor.
Segundo escalão: Bezos, Nadella, Zuckerberg e Pichai
Em um nível seguinte de proximidade com Trump, ficaram sentados de frente para o presidente Jeff Bezos, fundador da Amazon, e Satya Nadella, da Microsoft. Mark Zuckerberg, da Meta, e Sundar Pichai, do Google, também estavam no círculo mais próximo, a um lugar de distância de Trump.

Essas empresas investiram dezenas de bilhões de dólares no desenvolvimento de modelos de IA e na construção de data centers. Além disso, o grupo de executivos e suas companhias contribuiu com recursos para a posse de Trump e para projetos como a construção do salão de festas na ala leste da Casa Branca.
Por que o lugar de Dario Amodei chamou atenção
O assento talvez mais significativo do almoço tenha sido o de Dario Amodei, da Anthropic. Ele ficou perto de uma das extremidades da mesa, entre dois líderes de empresas de tecnologia e sem nenhum funcionário do governo ao seu lado.
Amodei entrou em conflito com a posição de Trump, contrária a mais regulamentação do setor de IA. O executivo da Anthropic já alertou que a inteligência artificial representa riscos existenciais e defende uma desaceleração global no ritmo de desenvolvimento da tecnologia. No domingo (27), ele havia jantado separadamente com Trump.

Longe de Amodei ficou um de seus principais críticos, David Sacks, ex-assessor sênior de Trump para IA. Sacks já chamou líderes da Anthropic de “doomers”, termo usado para quem enfatiza os riscos catastróficos da tecnologia. Mesmo fora do governo, ele mantém acesso a Trump como investidor de capital de risco.
Setor de IA começa a rever posição sobre regulamentação
A maior parte dos executivos presentes tem se mostrado cautelosa em relação a regras rígidas para a inteligência artificial. No entanto, uma série de incidentes de segurança nos últimos meses levou alguns deles a mudar de postura.
Huang segue como o mais contundente contra novas regras, ao afirmar que as leis já existentes são suficientes para proteger as pessoas. Musk e Sam Altman, da OpenAI, que não estiveram no almoço, passaram recentemente a concordar com Amodei sobre a necessidade de os governos assumirem um papel mais ativo na supervisão da tecnologia e de o desenvolvimento avançar em ritmo mais lento.

O que foi decidido após o almoço
Apesar das divergências evidentes na disposição dos assentos, os líderes de IA encontraram um ponto em comum. Após o encontro, eles assinaram um acordo no qual se comprometeram a tornar seus sistemas mais seguros, com políticas internas de gestão de riscos e auditorias externas.
Segundo pessoas ligadas às empresas envolvidas, esse compromisso representa apenas o mínimo esperado diante dos desafios de segurança que o setor enfrenta atualmente.
Mapa de assentos do almoço de Trump com CEOs de IA mostra quem tem mais influência no governo dos EUA sobre o setor.
Com informações de redir.folha.com.br.