Um almoço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com os principais nomes da inteligência artificial reuniu 34 convidados à mesa. O detalhe que chamou atenção não foi o cardápio, mas o mapa de assentos divulgado pelo próprio Trump nas redes sociais, que expôs as disputas internas do setor e mostrou quem realmente tem influência direta sobre o presidente.
A disposição dos lugares importa porque reflete decisões políticas que podem afetar o futuro da regulação de inteligência artificial nos Estados Unidos, com reflexos em todo o mercado global de tecnologia. Quem está perto de Trump tende a ter mais peso nas discussões sobre regras, exportação de chips e limites para o desenvolvimento da tecnologia.
Quem ficou perto de Trump no almoço sobre inteligência artificial
Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, e Jensen Huang, da Nvidia, ocuparam lugares ao lado do presidente. A proximidade de Musk marca a reaproximação dele com Trump, depois de meses de atritos públicos sobre divergências em políticas do governo.

Huang, por sua vez, é descrito como um dos nomes mais influentes da mesa e visitante frequente da Casa Branca. Ele tem defendido diretamente a Trump o afrouxamento das restrições à exportação de chips de inteligência artificial para a China, além de um ambiente regulatório mais flexível para o setor.
Também estavam no núcleo central da mesa autoridades como o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e o vice-presidente JD Vance. Ambos defendem que regras formais de segurança podem prejudicar a competitividade dos Estados Unidos na corrida tecnológica.
Quem ficou no segundo círculo de influência
Jeff Bezos, fundador da Amazon, e Satya Nadella, CEO da Microsoft, sentaram-se em frente ao presidente. Mark Zuckerberg, da Meta, e Sundar Pichai, do Google, também ocuparam posições próximas ao centro da mesa.

Essas empresas já investiram dezenas de bilhões de dólares em modelos de inteligência artificial e em centros de dados. O grupo também destinou recursos para a cerimônia de posse de Trump e para a construção do novo salão de eventos da Ala Leste da Casa Branca.
Por que Dario Amodei, da Anthropic, ficou isolado na mesa
A disposição mais simbólica do encontro envolveu Dario Amodei, CEO da Anthropic. Ele ficou próximo a uma das pontas da mesa, entre executivos de tecnologia e distante das autoridades do governo.
Amodei defende publicamente um ritmo mais lento para o desenvolvimento da inteligência artificial em escala global e alerta há anos para riscos existenciais ligados à tecnologia. Ele havia jantado separadamente com Trump no domingo, antes do almoço oficial.

Longe dele estava David Sacks, ex-conselheiro de Trump para inteligência artificial. Sacks costuma classificar a liderança da Anthropic como “profetas do apocalipse” e, mesmo sem cargo formal no governo, mantém influência sobre o presidente por meio de sua atuação como investidor de risco.
Divergências sobre regulação da IA dividem o setor
A maioria dos executivos presentes historicamente resiste à criação de regras mais rígidas para a inteligência artificial. Huang segue entre os críticos mais firmes, argumentando que a legislação atual já oferece proteção suficiente.
No entanto, uma série de incidentes de segurança nos últimos meses levou parte do setor a rever posições. Musk e Sam Altman, da OpenAI, que não participou do almoço, passaram a defender um papel mais ativo dos governos na supervisão da tecnologia, além de uma desaceleração do seu desenvolvimento.
O que ficou acertado após o encontro
Apesar das divergências, os líderes do setor encontraram um ponto em comum. Após o almoço, assinaram um acordo com o compromisso de tornar seus sistemas mais seguros, por meio de políticas internas de gestão de riscos e auditorias independentes.
Segundo fontes das próprias empresas, porém, esse compromisso foi considerado apenas o requisito mínimo esperado para participar das discussões, sem representar um avanço concreto nas regras que ainda dividem o setor.
Com informações de infomoney.com.br.