O Google atualizou, em 1º de outubro, suas diretrizes para conteúdo gerado por inteligência artificial e passou a exigir checagem de fatos manual antes da publicação. A mudança afeta diretamente sites que usam IA para criar textos e, pela primeira vez, inclui também metadados como título, meta description, dados estruturados e texto alternativo de imagens.
A orientação já valia para o corpo dos artigos. Agora, qualquer site que publique conteúdo com apoio de IA precisa revisar manualmente também os elementos que aparecem nos resultados de busca, não apenas o texto principal da página.
Por que a checagem de fatos em conteúdo de IA mudou?
O Google incluiu três novas frases na seção “Foco em precisão, qualidade e relevância” de sua documentação. O texto explica que modelos generativos preveem sequências prováveis de palavras, mas não buscam fatos de verdade. Por isso, segundo a empresa, tornou-se “crítico verificar manualmente e revisar todo conteúdo gerado por IA quanto à precisão e confiabilidade antes da publicação”.

De acordo com o changelog oficial de documentação do Google, as mudanças foram feitas para alinhar o texto da página com o que já vinha sendo apresentado em eventos para desenvolvedores.
Na prática, isso significa que um processo de revisão concentrado apenas no conteúdo principal pode deixar passar outros campos que, segundo o próprio Google, aparecem nos resultados de busca.
UTM aparece em links do Gemini e chama atenção do Google
Um usuário do Reddit identificou parâmetros UTM em links gerados pelo Gemini, o assistente de IA do Google, direcionados a sites externos. John Mueller, da equipe do Google, confirmou publicamente que também percebeu a presença dessas tags.
Mueller perguntou se o Gemini está passando um referenciador (referrer) que os sites já conseguem rastrear por conta própria. Ele também se ofereceu para repassar detalhes sobre o tratamento desse referenciador à equipe interna, de preferência com exemplos reproduzíveis.
Segundo relato do jornalista Roger Montti, o Google ainda não documentou oficialmente esse processo de marcação, o que deixa em aberto quando e como o Gemini adiciona esses parâmetros aos links.
Para quem administra sites, isso abre uma forma adicional de identificar visitas vindas do Gemini sem depender apenas do referenciador tradicional. Comparar sessões marcadas com UTM e dados baseados em referenciador pode ajudar a entender quantas visitas cada método consegue captar.
CTR no desktop caiu e no mobile subiu: o que mostram os dados do segundo trimestre?
Um levantamento da Advanced Web Ranking (AWR) sobre o segundo trimestre de 2026 mostra queda na taxa de cliques (CTR) no desktop nas primeiras posições orgânicas e alta no mobile, movimento inverso ao observado no primeiro trimestre.
Considerando todas as buscas analisadas, o CTR no desktop nas posições um e dois caiu, somadas, 5,27 pontos percentuais entre o primeiro e o segundo trimestre. No mobile, o CTR nessas mesmas posições subiu 6,59 pontos no mesmo período. Os números somam variações de duas posições e não se referem a um site específico.
O período de comparação coincide com o fim de um erro de registro no Search Console, que gerou impressões reportadas de forma incorreta entre 13 de maio de 2025 e 27 de abril de 2026. O relatório da AWR, no entanto, não menciona esse erro.
Isso é relevante porque qualquer comparação entre o primeiro e o segundo trimestre feita por um site no próprio Search Console também engloba o dia 27 de abril, data em que o Google afirma ter corrigido o erro de impressões. Como o CTR é calculado dividindo cliques por impressões, essa data pode representar uma mudança na forma de medição, e não necessariamente uma alteração real no comportamento de cliques dos usuários.
Monitoramento de informações do AI Mode chega a todos os usuários
Robby Stein, executivo do Google, anunciou em 28 de setembro, pelo X, que o recurso de monitoramento de informações do AI Mode está sendo liberado globalmente para todos os usuários. Antes, o recurso estava disponível apenas para assinantes dos planos AI Ultra e Pro.
Com a ferramenta, o usuário informa ao AI Mode o que deseja acompanhar, e a Busca passa a rastrear atualizações continuamente sobre aquele tema. O sistema também sugere tarefas de monitoramento durante as pesquisas feitas pelo usuário.
Stein descreveu o recurso como “capacidades de monitoramento de informações”, em vez de usar o termo “agentes de informação”, nome dado a uma funcionalidade semelhante lançada em junho para assinantes Ultra. Todos os exemplos citados por ele tratavam de temas locais e de compras.
Um ponto em aberto é que nem o anúncio de junho nem o de setembro explicam como a Busca escolhe as fontes que embasam cada atualização enviada ao usuário.
Justiça dos EUA rejeita ações antitruste contra o Google sobre AI Overviews
O juiz federal Amit Mehta rejeitou, em 30 de setembro, os pedidos das empresas Penske Media e Chegg em ações antitruste movidas contra o Google relacionadas aos AI Overviews, os resumos gerados por IA exibidos na busca.
Segundo a decisão, as empresas não conseguiram comprovar de forma plausível a existência de um acordo no qual o Google trocaria tráfego de busca por conteúdo das publishers. Mehta também concluiu que as empresas não tinham legitimidade legal para contestar uma suposta manutenção de monopólio de busca por parte do Google.
No caso da Penske, o juiz entendeu ainda que a empresa não demonstrou que a Busca e os AI Overviews funcionam como produtos separados. Mehta optou por não analisar as alegações de enriquecimento ilícito baseadas em leis estaduais, mas afirmou que o tribunal não trata com leveza os possíveis danos relatados pelas empresas.
Em sua decisão, o magistrado escreveu que a legislação antitruste não substitui o papel do Congresso em lidar com as transformações econômicas causadas por novas tecnologias. A decisão não obriga o Google a alterar a forma como usa conteúdo de publishers na Busca ou nos AI Overviews.
O que essas mudanças têm em comum?
As cinco atualizações desta semana giram em torno de um mesmo ponto: o que está documentado oficialmente e o que ainda depende de observação direta. A exigência de checagem de fatos em conteúdo de IA, por exemplo, está registrada no changelog do Google e pode ser incorporada diretamente aos processos de produção de conteúdo.
Já as tags UTM do Gemini surgiram em um fórum e ainda não têm documentação oficial, assim como a extensão do monitoramento do AI Mode foi anunciada apenas em uma rede social. O relatório da AWR, por sua vez, não menciona um erro técnico que pode influenciar a leitura dos números de CTR. Nesses casos, cabe a quem acompanha o setor reunir evidências próprias, como sessões marcadas com UTM ou testes com tarefas de monitoramento, antes de tirar conclusões definitivas.
Com informações de searchenginejournal.com.