A OpenAI, criadora do ChatGPT, confirmou nesta quinta-feira (1°) a demissão de três funcionários acusados de manusear informações sensíveis fora dos procedimentos internos da empresa. A companhia, sediada em San Francisco, nos Estados Unidos, afirmou que as condutas violaram suas políticas de segurança.
Em comunicado, a OpenAI não revelou a identidade dos demitidos. “Nossa investigação confirmou que esses três indivíduos manusearam incorretamente informações sensíveis fora dos procedimentos estabelecidos pela empresa, violando nossas políticas e quebrando a confiança essencial para o nosso trabalho”, declarou a empresa.
Quais foram as violações apontadas pela OpenAI?
A empresa citou diferentes tipos de infração, entre elas um episódio ligado a um grupo externo responsável por avaliar riscos de inteligência artificial. A OpenAI não detalhou de qual organização se trata nem explicou exatamente o que teria sido compartilhado de forma indevida.

Apesar do silêncio oficial sobre nomes, o jornal norte-americano Wall Street Journal identificou os três funcionários demitidos. Segundo a publicação, eles costumavam expressar em redes sociais preocupações sobre os riscos da inteligência artificial e defendiam publicamente a desaceleração do ritmo de desenvolvimento da tecnologia.
Quem são os pesquisadores ligados ao caso
Um dos nomes apontados pelo Wall Street Journal é Tomek Korbak, que se apresentava como um dos interlocutores do METR, instituto que investigou o ataque ocorrido em julho contra a plataforma de código aberto Hugging Face, realizado com ferramentas da OpenAI.
Outro pesquisador afetado, Mikita Balesni, publicou no X, no dia 10, uma declaração que ganhou repercussão: “Trabalho na OpenAI e acredito que a IA tem mais de 10% de chance de matar todos os seres humanos.”

Korbak também apareceu ao lado de Jasmine Wang, igualmente demitida, apoiando nas redes sociais a opinião de Jacob Coxon. O funcionário deixou a OpenAI para ir à Anthropic e pediu demissão há menos de um mês, acusando as duas empresas de “brincar” com a vida das pessoas.
Por que o episódio ganha peso no debate sobre IA
As demissões ocorrem em meio a uma discussão cada vez mais acalorada sobre segurança em inteligência artificial e os riscos que a tecnologia pode representar para a sociedade. Pesquisadores ligados à área de segurança têm expressado publicamente divergências com as próprias empresas em que trabalham, como mostram as manifestações atribuídas aos demitidos.
A OpenAI não detalhou quais medidas tomará a partir de agora em relação aos processos internos de manuseio de informações sensíveis, nem se o episódio provocará mudanças nas políticas de avaliação de riscos da companhia. O caso reforça o debate sobre até que ponto funcionários de empresas de IA podem se posicionar publicamente sobre os riscos da própria tecnologia que ajudam a desenvolver.

Com informações de redir.folha.com.br.