O Google passou a exibir os chamados AI Overviews, os resumos gerados por inteligência artificial, na grande maioria das buscas feitas diretamente pelo nome de marcas específicas. Levantamento da DemandSphere mostra que, em 1º de setembro, esses resumos apareciam em 26,12% das buscas de marca monitoradas pela empresa. No dia 27 de setembro, esse percentual chegou a 90,48%, e em 29 de setembro, última data coberta pelos dados, estava em 82,06%. A DemandSphere afirma que os números incluem todos os mercados e dispositivos, mas não informa quantas palavras-chave são rastreadas no total.
Outra análise, feita pela Ahrefs e restrita a resultados de desktop nos Estados Unidos, parte de um patamar bem mais alto: 65,1% das buscas de marca já traziam AI Overviews em agosto, percentual que subiu para 82,91% em 29 de setembro. Os dois levantamentos concordam que a taxa ultrapassou 80% no fim de setembro, mas divergem sobre o tamanho do salto ao longo do período.
O que muda para quem busca por marcas no Google
Até pouco tempo atrás, pesquisar o nome de uma empresa ou produto no Google era uma etapa relativamente previsível da jornada de compra. Agora, ao lado do site oficial e dos resultados tradicionais, o usuário pode se deparar com um resumo escrito pela inteligência artificial do Google sobre aquela marca.

Isso significa que aparecer bem posicionado nos resultados orgânicos deixou de garantir controle total sobre como a marca é apresentada ao público. Se o AI Overview surge na tela, quem administra a reputação de uma empresa também precisa saber se a marca é mencionada na resposta, como o Google a descreve, quais fontes sustentam esse conteúdo e se concorrentes aparecem junto.

Há, porém, uma limitação importante nos dados da DemandSphere: a empresa mediu apenas se o AI Overview apareceu na busca de marca, não se a marca foi de fato citada ou mencionada dentro do resumo gerado pela IA. Ou seja, os números confirmam que os resumos estão mais frequentes, mas não revelam o que eles realmente dizem sobre cada empresa.
Quem identificou a mudança
Chris Long, cofundador da Nectiv, chamou atenção para o fenômeno em publicação na rede social X, em 30 de setembro. Segundo ele, 93 das 100 marcas corporativas que testou já apresentavam AI Overviews em buscas pelo próprio nome.
Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, testou marcas por conta própria e observou o mesmo padrão, com exceções para o nome do próprio Google e para veículos de notícias. Schwartz também lembrou que Long já havia notado algo parecido em julho, mas destacou que os resumos de IA agora aparecem em um volume de buscas muito maior do que naquela época.
O Google não anunciou oficialmente nenhuma mudança voltada especificamente para buscas de marca. Os dados diários da DemandSphere também mostram que o crescimento não foi linear: a taxa saltou para 57,43% em 18 de setembro, caiu para 31,15% no dia seguinte, oscilou entre aproximadamente 30% e 57% por mais uma semana, até disparar para 69,21% em 26 de setembro e se manter elevada a partir daí. Como o Google não confirmou se o ajuste já foi concluído, a taxa ainda pode se alterar nos próximos dias.
Como monitorar a visibilidade da própria marca
Com os AI Overviews aparecendo com tanta frequência em buscas de marca, acompanhar a presença de uma empresa no Google passa a exigir atenção tanto ao ranqueamento orgânico quanto ao conteúdo gerado pela IA. O primeiro passo é identificar quais buscas de marca disparam o resumo e comparar esse resultado com o posicionamento orgânico para os mesmos termos.
Em seguida, é possível verificar se houve impacto nos cliques. No Google Search Console, o caminho é filtrar o relatório de desempenho pelas buscas de marca e comparar a taxa de cliques (CTR) de uma semana cheia antes do surgimento do AI Overview com uma semana cheia depois. A recomendação é usar CTR, e não o volume absoluto de cliques, já que a demanda por buscas de marca também varia conforme as próprias ações de marketing da empresa. Para quem não sabe exatamente quando o resumo passou a aparecer, uma referência é comparar o período de 8 a 14 de setembro com o de 29 de setembro a 5 de outubro: segundo a DemandSphere, a taxa ficou entre 28% e 34% na primeira semana e acima de 80% no fim de setembro.
Se o ranqueamento de marca permaneceu estável, mas a CTR caiu, o AI Overview é o primeiro ponto a investigar. Outro passo recomendado é buscar o próprio nome da marca deslogado do Google e ler o resumo gerado pela IA como um cliente faria, observando o que é dito, quais páginas são citadas e se essas páginas estão atualizadas.
Ferramentas que ajudam no acompanhamento
Algumas funcionalidades disponíveis em plataformas de monitoramento de SEO permitem acompanhar esse cenário com mais precisão:
- Rastreamento diário de posições para palavras-chave de marca
- Filtro por recursos de SERP, selecionando especificamente “AI Overviews”
- Identificação de quais buscas citam o site da marca dentro do resumo de IA
- Relatórios de visibilidade em IA, que mostram onde a marca é mencionada em diferentes plataformas de inteligência artificial, além do Google

Vale notar que, em algumas dessas ferramentas, uma citação dentro do AI Overview pode ser contabilizada como se fosse uma primeira posição no ranqueamento, por isso é importante usar filtros específicos para visualizar separadamente as posições orgânicas reais.

Olhar apenas para o ranqueamento tradicional, portanto, mostra só parte do quadro. Para quem cuida da reputação digital de uma marca, verificar se ela é mencionada na resposta gerada por IA, quais páginas e fontes externas o Google cita e se concorrentes entram na mesma resposta ajuda a diferenciar uma queda comum de posição de uma mudança mais profunda na forma como o Google apresenta a marca aos usuários.
Com informações de semrush.com.