O Google acaba de bater o martelo em mais um contrato de peso no setor elétrico. A Alphabet, dona da gigante de buscas, assinou um acordo de compra de energia nuclear com a Constellation Energy, movimento que deve destravar a adição de 890 megawatts de capacidade em reatores que já estão em operação. Assim que o anúncio foi divulgado, as ações da geradora dispararam na bolsa, mostrando como o mercado reagiu bem à novidade.

Como funciona o acordo de energia nuclear entre Google e Constellation
O contrato tem duração de 20 anos e deve viabilizar mais de US$ 4,3 bilhões em investimentos destinados a modernizar sistemas em 11 reatores da Constellation, espalhados pela maior rede elétrica dos Estados Unidos. Segundo comunicado divulgado pelas empresas nesta terça-feira — que confirmou uma reportagem anterior publicada pela Bloomberg —, a energia passará a ser entregue à rede operada pela PJM Interconnection a partir de 2028.
No pregão de Nova York, os papéis da Constellation chegaram a subir 15%, registrando a maior alta intradiária desde abril. Já as ações da Alphabet seguiram na direção oposta, recuando até 0,5% no mesmo período.
Boom da inteligência artificial impulsiona demanda por energia nuclear
Por trás dessa movimentação toda está a fome crescente de eletricidade provocada pelo avanço da inteligência artificial. Essa demanda tem dado um novo fôlego à energia nuclear, que se destaca por oferecer fornecimento contínuo e sem emissões de carbono. Apesar disso, construir reatores novos do zero pode levar uma década ou mais, e as próximas gerações dessa tecnologia ainda devem demorar anos até serem amplamente implementadas.
Diante desse cenário, os contratos mais recentes têm priorizado instalações que já existem e já estão conectadas à rede elétrica — dessa forma, é possível ampliar a capacidade de forma mais rápida por meio de melhorias operacionais, estratégia conhecida no setor como uprates.
“A geração já existente e os aumentos de capacidade são as formas mais baratas, limpas e confiáveis de adicionar oferta de energia ao mercado”, escreveram os analistas Sunaina Ocalan e Raphael Lee, da Bernstein, em relatório divulgado nesta terça-feira.
Amazon, Walmart e outras big techs também apostam na Constellation
O Google não é o único gigante de tecnologia de olho na energia nuclear da Constellation. Na semana passada, a Amazon fechou um acordo parecido, concordando em adquirir 690 megawatts de energia — incluindo capacidade extra gerada pela expansão da usina nuclear de Calvert Cliffs, em Maryland. Em junho, foi a vez do Walmart assinar contrato para comprar energia nuclear da mesma companhia, parte dela proveniente de melhorias realizadas em uma usina de Illinois.
Com tantos negócios fechados em sequência, sobram poucas instalações adicionais capazes de sustentar acordos semelhantes, segundo afirmou o porta-voz da Constellation, Paul Adams.
Além do contrato de 20 anos para os 890 megawatts, Constellation e Google também acertaram um fornecimento de energia por 15 anos para outros 2,7 gigawatts de capacidade dentro da área da PJM. As empresas informaram ainda que pretendem explorar juntas novas oportunidades para desenvolver outras fontes de geração elétrica.
Histórico do Google e de outras big techs com energia nuclear
Esse não é o primeiro movimento do Google em direção à energia nuclear. No ano passado, a empresa já havia fechado acordo com a NextEra Energy para ajudar a viabilizar a reativação do reator Duane Arnold, em Iowa, desligado desde 2020. No mês passado, a companhia garantiu ainda mais capacidade por meio de investimentos em melhorias em duas usinas nucleares da Southern Co.
A Microsoft trilhou caminho parecido: em 2024, a empresa assinou acordo para comprar energia da usina nuclear de Three Mile Island, atualmente desativada. A própria Constellation pretende religar o reator, localizado na Pensilvânia, já no próximo ano.
- Google: acordo com NextEra Energy para reativar o reator Duane Arnold, em Iowa
- Google: investimentos em melhorias em duas usinas da Southern Co.
- Microsoft: contrato de 2024 para energia da usina de Three Mile Island
- Amazon: 690 megawatts via expansão de Calvert Cliffs, em Maryland
- Walmart: contrato assinado em junho, com parte vinda de melhorias em usina de Illinois
Energia atômica vive retomada global impulsionada pela IA
Depois de anos de desconfiança causada por preocupações com segurança e estouros de custos em projetos nucleares, a energia atômica vive uma retomada em escala global. Isso acontece não só por causa da demanda crescente dos data centers ligados à inteligência artificial, mas também porque diversos países passaram a enxergar essa fonte como alternativa para atender ao aumento do consumo de eletricidade sem abrir mão da redução de emissões de gases de efeito estufa. Em resumo, o movimento recente do Google com a Constellation reforça uma tendência que já envolve nomes como Amazon, Walmart e Microsoft: a corrida das big techs por fontes de energia estáveis e limpas o suficiente para sustentar o apetite cada vez maior da inteligência artificial.
Com informações de infomoney.com.br.