Quase toda empresa sabe de cor sua posição no Google. Mas e quando o assunto é saber se o ChatGPT, o Perplexity ou as AI Overviews do Google recomendam sua marca? Aí a maioria fica no escuro — e o pior é que ninguém avisa que esse buraco existe, até o dia em que um cliente comenta “ah, perguntei pra uma IA e seu concorrente apareceu primeiro”. É exatamente esse ponto cego que uma auditoria de visibilidade em IA ajuda a enxergar.
Na prática, esse tipo de auditoria responde a perguntas como: quando alguém pergunta ao ChatGPT, ao Perplexity ou à IA do Google sobre a sua categoria de produto, sua marca é citada? Em quais temas você já é lembrado pelas ferramentas de IA e onde está invisível? O site e a estratégia de conteúdo da empresa estão preparados para performar bem nesse novo tipo de busca?
Entendendo a auditoria de visibilidade em IA
Basicamente, uma auditoria de visibilidade em IA é uma checagem organizada para saber se a sua marca é recomendada dentro das respostas geradas por inteligência artificial — seja nas respostas do ChatGPT, nos resumos do Perplexity ou nas AI Overviews do Google — considerando os termos e perguntas mais relevantes para o seu nicho.
Esse processo vai além do velho “em que posição eu apareço no Google”. Aqui a pergunta muda: não importa só se você rankeia, mas se os sistemas de IA confiam o suficiente na sua marca para citá-la pelo nome. E essa confiança depende de fatores bem específicos — conteúdo fácil de rastrear e extrair, sinais consistentes sobre quem é sua marca (o que o mercado chama de “entidade”) e um histórico que outras fontes confirmem. É justamente isso que o restante da auditoria vai medir.
O processo pode ser conduzido usando o AI Visibility Toolkit da Semrush. Com ele, dá para medir em quais plataformas de IA sua marca aparece, qual conteúdo está sendo citado e onde existem lacunas de tema (os chamados “gaps” tópicos). A boa notícia é que qualquer profissional de marketing com acesso à ferramenta consegue rodar essa auditoria sozinho, sem precisar de agência ou de uma equipe de dados dedicada — e o processo se adapta bem até para negócios menores.
Como fazer a auditoria de visibilidade em IA em 6 passos

Para colocar isso em prática, o caminho é olhar como sua marca já aparece nas respostas de IA hoje e, em seguida, mapear onde ela simplesmente não entra na conversa. Resumindo, são seis etapas:
- Estabelecer uma linha de base (baseline) de visibilidade em IA
- Identificar o conteúdo que já é “citável”
- Encontrar temas e perguntas em que a marca está ausente
- Analisar o sentimento da marca e a narrativa que a IA constrói sobre ela
- Mapear fontes externas influentes que moldam as respostas de IA
- Checar problemas técnicos do site que atrapalham o acesso da IA


Agora, vamos destrinchar cada etapa.
Passo 1: defina sua linha de base de visibilidade
Esse primeiro passo mostra se os sistemas de IA já mencionam o nome da sua marca ou citam seu conteúdo como fonte com mais frequência do que fazem com os concorrentes.
O ponto de partida é abrir o AI Visibility Overview dentro do AI Visibility Toolkit para visualizar como a marca aparece nas respostas de IA. Esse painel mostra contagem de menções, páginas citadas e a distribuição entre plataformas (ChatGPT, Google AI Overviews, AI Mode, Gemini).

Vale anotar o AI Visibility Score, o número de menções e as páginas citadas — esses indicadores servem como referência para comparar o desempenho com o dos concorrentes. No exemplo da marca Allbirds, por exemplo, aparecem 4,9 mil menções e 1,9 mil páginas citadas.
Depois, use a ferramenta de Pesquisa de Concorrentes para ver como essa linha de base se compara à dos principais rivais do setor.

Mapeando conteúdo citável e lacunas de visibilidade
O segundo passo é identificar o conteúdo que já conquista citações da IA — essas páginas indicam o caminho do que vale a pena publicar e otimizar daqui pra frente. Para isso, basta navegar até a seção “Cited Pages” dentro do Visibility Overview, que mostra quais URLs do domínio são referenciadas nas respostas de IA e para quantos prompts cada página é citada.
No caso da Allbirds, páginas educativas e de comparação recebem mais citações do que páginas de produto ou categoria — um sinal claro de que vale otimizar esse tipo de conteúdo já consolidado e produzir mais material parecido. Ao expandir cada página, dá para ver os prompts e se a marca foi “mencionada” ou “ignorada” dentro das respostas que citam aquela página:

- Citada e mencionada: uma vitória de visibilidade
- Citada mas não mencionada: uma oportunidade de atualizar a página para garantir a menção naquele prompt, desde que outras marcas já estejam sendo citadas ali
Outro exercício interessante é comparar as páginas citadas pela IA com o relatório de Top Pages de SEO. Isso revela quais páginas já têm bom tráfego orgânico, mas nenhuma citação em IA — uma lista valiosa de conteúdos de alto tráfego que merecem otimização específica para citação. No exemplo da Allbirds, o tráfego orgânico vem principalmente de páginas de coleção e categoria, que rankeiam bem na busca tradicional, mas isso não significa que sejam “citáveis” pela IA: esse tipo de página é feito para navegação, não para as respostas concisas e autocontidas que os sistemas de IA costumam extrair e citar. A saída, nesse caso, é otimizar esse material com estrutura clara, formato de pergunta e resposta e resumos objetivos.
Passo 3: encontre temas e prompts onde a marca está ausente
Essa etapa revela onde a IA está recomendando os concorrentes no seu lugar. Dentro do Visibility Overview, basta rolar até “Topics & Sources” e selecionar “Topic Opportunities” — cada tema mostra onde já existem respostas geradas por IA com demanda relevante.
No exemplo usado, temas de alto volume como “Running Shoes” e “Diabetic and Neuropathy Shoes” mostram concorrentes sendo citados, mas não a Allbirds. Cada tema pode ser expandido para revelar os prompts específicos por trás dessas respostas — é aí que dá para identificar perguntas que o conteúdo atual não responde e, a partir disso, produzir material que resolva essas lacunas de forma direta. Para ampliar essa busca, a ferramenta Prompt Research ajuda a encontrar temas e prompts relacionados, junto com volume e relevância em IA.
Sentimento de marca, fontes externas e saúde técnica
O quarto passo é analisar o sentimento da marca e a narrativa construída pela IA — afinal, diferente dos resultados de busca tradicionais, a IA não organiza marcas por posição de URL, mas pode descrevê-las como opções, com prós e contras, lado a lado com a concorrência. Os relatórios de Brand Performance ajudam a revisar esse sentimento e a participação de voz (share of voice) frente aos rivais. No exemplo citado, a Allbirds costuma ser retratada de forma favorável (88%) e detém a maior fatia de voz (14%) nas respostas de IA em comparação à concorrência. A tabela “Key Sentiment Drivers”, dentro do Perception Report, detalha os pontos fortes da marca e as áreas que pedem atenção.
Já o quinto passo busca identificar as fontes externas que mais influenciam as respostas de IA. Isso importa porque as respostas geradas por IA costumam citar bastante conteúdo gerado por usuários em plataformas como Reddit, YouTube, Quora, LinkedIn e Medium. Ainda dentro do Visibility Overview, a seção “Cited Sources” mostra quais domínios externos aparecem com mais frequência nos temas centrais da marca — e são justamente esses domínios que moldam como a IA explica a categoria e decide quais marcas citar. Esse dado ajuda a decidir, por exemplo, se vale a pena investir em crescimento no YouTube ou em gestão de reputação no Reddit.
Por fim, o sexto e último passo é verificar problemas técnicos que possam estar prejudicando o acesso da IA ao site. O caminho aqui é rodar uma checagem rápida com a versão gratuita do Site Audit e, depois, aprofundar com a auditoria completa, cobrindo itens como o recurso “AI Search Health”, que verifica dados estruturados e o acesso de crawlers de IA diretamente. Entre os problemas mais comuns que afetam a visibilidade em IA está o contexto interno fraco: links sem texto âncora descritivo reduzem a clareza com que as páginas são apresentadas aos sistemas de IA, já que esses links internos também funcionam como sinal para eles.
Em resumo, uma auditoria de visibilidade em IA não é um bicho de sete cabeças nem exige uma estrutura gigante de dados — é mais um exercício de olhar com atenção para onde sua marca já é citada, onde ela some do radar e o que precisa mudar no site para reverter esse cenário. Com o volume crescente de pessoas recorrendo a ferramentas como ChatGPT e Perplexity antes mesmo de abrir o Google, ficar de fora dessa conversa pode custar caro — e, assim como aconteceu com o SEO tradicional, quem começar a mapear isso agora sai na frente.
Com informações de semrush.com.