Depois de uma espera que já dura anos, a Apple Intelligence na China está, enfim, prestes a sair do papel. Segundo pessoas próximas ao assunto, a Apple se prepara para liberar sua plataforma de inteligência artificial na China continental em dezembro, logo após conseguir o aval das autoridades regulatórias locais — algo que travava a chegada dos recursos de IA a um dos mercados mais relevantes da marca.
Como vai funcionar a Apple Intelligence na China
De acordo com as fontes ouvidas, a estreia vai acontecer por meio da atualização iOS 27.3, que trará para iPhone, iPad e Mac o mesmo pacote de recursos apresentado originalmente nos Estados Unidos há dois anos. Ou seja, nada de novidade propriamente dita: é basicamente o catálogo que já existe em outros mercados chegando, com bastante atraso, ao território chinês.
Apesar da expectativa, a nova Siri construída com inteligência artificial não vai fazer parte dessa primeira leva. Outras funções anunciadas neste ano também ficam de fora por enquanto — segundo as fontes, essas ferramentas devem esperar por uma fase posterior do lançamento.
Uma novela regulatória que já dura anos
A Apple recebeu uma aprovação preliminar de Pequim em julho, mas isso não foi suficiente: a empresa ainda precisou negociar diretamente com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China para garantir luz verde a uma estreia comercial de fato. No mês passado, aliás, o presidente executivo da companhia, Tim Cook, marcou presença em um jantar de Estado na Casa Branca em homenagem ao presidente chinês, Xi Jinping — um gesto que reforça o tom diplomático em torno de toda essa negociação.
O caminho até aqui não foi nada simples. Em determinado momento, a Apple chegou a acreditar que lançaria o Apple Intelligence no país já em maio de 2025. O cronograma, no entanto, foi sendo empurrado — primeiro para o fim de 2025, depois para a primavera de 2026 — em meio às incertezas típicas do processo regulatório chinês.
As concessões que a Apple precisou fazer
Para destravar a aprovação, a Apple topou condições bem diferentes das que aplica em outros países. Na China, a versão do Apple Intelligence vai operar com mecanismos de controle desenvolvidos em parceria com o Alibaba Group, incluindo filtros que dão ao governo chinês poder de aprovar atualizações dos modelos de IA. Além disso, a empresa também trabalha com a Baidu em funcionalidades ligadas a buscas e à própria Siri.
Em 29 de setembro, a Apple obteve autorizações que permitem aos iPhones mais recentes rodar, ao mesmo tempo, o Apple Intelligence e modelos de IA da Alibaba — caso dos sistemas Tongyi Wanxiang e Qwen.
O que chega — e o que ainda fica de fora
A primeira leva de recursos deve incluir:
- Emojis personalizados Genmoji;
- Resumos de notificações;
- Ferramentas de escrita;
- Remoção de objetos em fotografias.
Ainda assim, resta a dúvida sobre o quanto esses recursos vão realmente empolgar o consumidor chinês, já que boa parte deles recebeu críticas em outros mercados por limitações de desempenho e por ficar atrás de soluções da concorrência.
Foi justamente essa repercussão negativa que levou a Apple a repensar sua estratégia de IA e lançar, neste ano, a nova versão da Siri baseada em inteligência artificial — reconstruída com modelos do Google Gemini. No entanto, essa Siri renovada não vai estar disponível na estreia chinesa.
Também ficam fora dessa primeira etapa recursos mais recentes, como a expansão automática de imagens, a versão aprimorada das ferramentas de escrita, os novos Genmojis e o modo de inteligência visual da Siri integrado à câmera. Segundo as fontes, os executivos da Apple não estão particularmente otimistas quanto a uma aprovação regulatória rápida para essas funções no país.
A versão inicial também vai deixar de lado as ferramentas próprias de geração de imagens da empresa, como o aplicativo Image Playground, justamente para se adequar às exigências regulatórias locais. Algumas funções de geração de texto, por sua vez, terão uso limitado dentro de determinados aplicativos.
Concorrência interna pesada e desafios além da China
Enquanto isso, o cenário competitivo mudou bastante desde que a Apple lançou seus primeiros recursos de IA nos Estados Unidos. Fabricantes chinesas como Huawei, Xiaomi, Oppo e Vivo já oferecem soluções próprias de inteligência artificial embarcadas em seus smartphones, o que levanta uma dúvida real: será que um pacote de recursos com dois anos de estrada vai conseguir impressionar quem já está acostumado com alternativas locais mais recentes?
A China não é o único terreno espinhoso para os planos de IA da Apple. Na União Europeia, a empresa também enfrentou entraves regulatórios para expandir esses recursos. Apesar de ter conseguido liberar a maior parte das novidades no bloco em setembro, a Siri baseada em IA continua indisponível para usuários de iPhone, iPad e Apple Watch por lá, sem nenhuma previsão clara de aprovação pelas autoridades europeias.
Em resumo, o lançamento na China marca o fim de uma espera e tanto, mas vem recheado de ressalvas: menos recursos do que o prometido, parcerias locais obrigatórias e um mercado interno cada vez mais disputado. Resta saber se, mesmo chegando atrasado e incompleto, o Apple Intelligence vai conquistar espaço entre os consumidores chineses.
Com informações de infomoney.com.br.