Depois de uma semana de muita turbulência, os contratos futuros de Nova York abriram esta sexta-feira (16) com leve viés positivo. O clima ainda é de cautela entre os investidores, que vinham ajustando posições diante da forte rotação de investimentos nas ações de IA, de dados de inflação acima do previsto e de uma recuperação expressiva nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
Soma-se a isso uma preocupação que vem ganhando corpo entre os investidores: o endividamento crescente das empresas de tecnologia para bancar a expansão acelerada da inteligência artificial. Ou seja, não é só o humor do mercado que pesa — há um receio mais estrutural sobre até onde esse ciclo de gastos pode ir sem comprometer a saúde financeira dessas companhias.
O resultado prático de tanta pressão apareceu no desempenho semanal dos principais índices. O S&P 500 e o Nasdaq fecham a semana no vermelho até o momento, com o primeiro recuando quase 1% e o segundo amargando uma queda superior a 2%. Na direção oposta, o Dow Jones caminha para encerrar o período com alta de aproximadamente 1%, mostrando que a sangria ficou concentrada principalmente nas ações de IA e de tecnologia em geral.
Inflação pressiona o cenário nos Estados Unidos
Além da história das ações de IA, os investidores também precisam lidar com uma inflação que surpreendeu para cima. A alta dos preços da energia, puxada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, ajudou a empurrar a inflação no atacado para o maior avanço desde 2022. Enquanto isso, os preços ao consumidor seguem subindo bem acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve, o banco central americano.
No radar corporativo, a sexta-feira (16) também é marcada pela divulgação de balanços antes da abertura do mercado — entre eles, os resultados da seguradora Travelers e do Citizens Financial Group, que devem ajudar a dar o tom do pregão.
Veja como estão os principais índices futuros dos Estados Unidos:
- Dow Jones Futuro: +0,25%
- S&P 500 Futuro: +0,19%
- Nasdaq Futuro: +0,06%
Europa e Ásia também reagem
Do outro lado do Atlântico, os mercados europeus operam em sua maioria em alta, impulsionados justamente pelos ganhos das ações de tecnologia — um contraponto interessante ao que se viu nos EUA ao longo da semana.
- STOXX 600: +0,49%
- DAX (Alemanha): +0,88%
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,07%
- CAC 40 (França): +0,11%
- FTSE MIB (Itália): +0,81%
Na Ásia-Pacífico, o cenário também foi de recuperação das ações de tecnologia, embora a semana tenha deixado marcas profundas em alguns mercados. O Kospi, principal índice da Coreia do Sul, fechou a semana com queda de 14,5%, o pior desempenho desde outubro de 2008. O tombo foi puxado pelas gigantes Samsung e SK Hynix, que despencaram quase 20% e 25%, respectivamente — um estrago e tanto para duas das maiores fornecedoras do setor de chips ligado à inteligência artificial.
- Shanghai SE (China): +0,24%
- Nikkei (Japão): +1,39%
- Hang Seng Index (Hong Kong): +0,52%
- Nifty 50 (Índia): +0,59%
- ASX 200 (Austrália): +1,00%
Petróleo, minério de ferro e Bitcoin
No mercado de commodities, os preços do petróleo recuam nesta sexta-feira, mas, apesar disso, ainda caminham para fechar a segunda semana seguida de alta. O motivo é simples: os riscos crescentes de abastecimento no Oriente Médio pesaram mais do que a liberação de novas reservas de emergência.
Já o minério de ferro negociado na China fechou com ligeira alta, depois de ter batido mínimas de mais de dois anos no dia anterior. A recuperação veio puxada por uma onda de compras, em meio a sinais de melhora nas margens do aço e no consumo chinês — a China é, de longe, a maior consumidora da commodity no mundo.
- Petróleo WTI: -0,80%, a US$ 97,19 o barril
- Petróleo Brent: -0,53%, a US$ 105,36 o barril
- Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian: +0,07%, a 672,50 iuanes (US$ 100,51)
No mercado de criptomoedas, o Bitcoin (BTC) recua 0,17%, sendo negociado a US$ 82.214,60 na comparação com a cotação de 24 horas atrás.
Em resumo, o pregão desta sexta-feira (16) reflete uma tentativa de respiro depois de dias tensos, mas os fundamentos que geraram a pressão sobre as ações de IA — dívida das techs, inflação resistente e juros em alta — continuam no radar dos investidores para as próximas semanas.
Com informações de infomoney.com.br.