O impacto da IA sobre a economia global pode ser muito maior e muito mais rápido do que a maioria das pessoas imagina. Foi esse o recado deixado por Jack Clark, cofundador da Anthropic, durante um discurso neste sábado em Bangcoc, onde acontecem as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial. Segundo ele, um dos modelos econômicos internos da empresa aponta para um cenário em que a produção econômica dos Estados Unidos chegaria a impressionantes US$ 44 trilhões até 2030.
O tamanho do salto previsto pelo impacto da IA
Para entender a dimensão dessa projeção, vale lembrar o ponto de partida: hoje, o PIB americano está em pouco mais de US$ 30 trilhões. Ou seja, estamos falando de um crescimento de cerca de US$ 14 trilhões em apenas alguns anos — algo que, à primeira vista, soa quase irreal.
O próprio Clark reconheceu isso. Ele admitiu que o número “parece muito absurdo”, mas fez questão de contextualizar o raciocínio por trás da conta. De acordo com o executivo, a inteligência artificial já está provocando um salto enorme nas descobertas científicas, e é justamente esse avanço que sustentaria uma expansão econômica dessa magnitude.
Cooperação internacional como peça-chave
Apesar do otimismo com os números, Clark não deixou de lado os riscos que acompanham essa transformação acelerada. Durante sua fala, ele defendeu que países precisam trabalhar juntos para criar o que chamou de “regras incomuns e rigorosas” para lidar com uma tecnologia que, segundo ele, vai mudar “todas as áreas” em um ritmo bem mais veloz do que o habitual.
Em outras palavras, para o cofundador da Anthropic, não basta torcer para que a IA traga só benefícios — é preciso construir, em conjunto, uma estrutura regulatória capaz de acompanhar essa velocidade toda.
“Eu sei, mas isso decorre da premissa de que a tecnologia continuará melhorando. E se o PIB crescesse tanto assim, a doutrina econômica sugere que novas indústrias e invenções precisariam ter sido criadas para impulsionar uma expansão econômica tão significativa.”
Novas indústrias como motor da expansão
Essa citação resume bem o argumento central de Clark: um crescimento de PIB tão expressivo não aconteceria apenas pela otimização do que já existe, mas sim pelo surgimento de setores inteiros que ainda nem foram criados. Assim, a lógica é que a inteligência artificial não apenas melhoraria processos atuais, mas abriria espaço para invenções capazes de gerar riqueza em escala inédita.
Por enquanto, trata-se de uma projeção baseada em modelos internos da própria Anthropic, e não de um dado consolidado ou garantido. Ainda assim, vindo de uma das empresas mais relevantes do setor de IA, a fala ganha peso no debate sobre até onde essa tecnologia pode levar a economia americana — e, por extensão, a economia global — nos próximos anos.
No fim das contas, a declaração de Clark serve como um lembrete de que o debate sobre inteligência artificial já deixou de ser só técnico. Ele passou a envolver diretamente discussões econômicas, geopolíticas e regulatórias, com números que, verdadeiros ou não até 2030, mostram a escala das apostas que grandes empresas de tecnologia estão fazendo sobre o futuro.
Com informações de infomoney.com.br.