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Inteligência artificial militar: enquanto o mundo discute riscos, robôs já estão no campo de batalha

Por: Eduardo Carrega
17/10/2026
23:00h
Inteligência artificial militar: enquanto o mundo discute riscos, robôs já estão no campo de batalha
Saiba como a inteligência artificial militar já avança em testes reais de caças e drones nos EUA, Suécia, França e Rússia, enquanto o debate sobre riscos…
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Enquanto governos, empresas e especialistas seguem trocando alertas sobre os perigos da inteligência artificial para a humanidade, a tecnologia já deixou os debates teóricos para trás em um setor específico: o militar. A corrida por sistemas autônomos de guerra avança em ritmo acelerado, e a inteligência artificial militar já não é promessa — é realidade operacional em testes de combate ao redor do mundo.

Nunca se investiu tanto em infraestrutura bélica baseada em IA. Nos Estados Unidos, considerados a maior potência militar da história, o governo de Donald Trump solicitou ao Congresso cerca de R$ 1 trilhão para o setor no ano fiscal de 2027. Não é brincadeira de valor: trilhão, não bilhão nem milhão — o equivalente a quase 10% do PIB do Brasil.

O tamanho do investimento em inteligência artificial militar

O tamanho do investimento em inteligência artificial militar

Esse montante representa um salto de 45% em relação ao período anterior, que vai de outubro a setembro de cada ano. Um exemplo chama atenção: o chamado Grupo de Guerra Autônomo teve sua verba saltar de R$ 1,1 bilhão para impressionantes R$ 285 bilhões.

É justamente esse volume de dinheiro que Trump pretende direcionar para uma corrida tecnológica que até os próprios donos de gigantes do setor, como Anthropic e OpenAI, vêm classificando como rápida demais. Para o presidente americano, porém, essa preocupação soa mais como discurso de quem quer manter controle sobre os processos do que como alerta genuíno.

É justamente esse volume de dinheiro que Trump pretende direcionar para uma…

Há também uma disputa comercial de bastidor. Neste ano, o Pentágono cancelou um acordo de R$ 1 bilhão com a Anthropic, barrando o uso da IA Claude em seus sistemas. Em resposta, a empresa recorreu à Justiça, e o caso segue em andamento.

Quem trabalha com armas também teme os riscos

Apesar de toda a aceleração, quem está na linha de frente do desenvolvimento dessas tecnologias também reconhece os perigos envolvidos. Os temores, inclusive, fazem parte da rotina de quem projeta esses sistemas.

“Oficiais de ética são o futuro, no fim você precisa colocar um humano no jogo. A tecnologia pode fazer o que quiser”, diz Peter Nilsson.

Nilsson é chefe da divisão de armas avançadas da Saab, fabricante sueca do caça Gripen — modelo, aliás, já adotado pelo Brasil. A declaração foi dada durante conversa com jornalistas em visita à sede da empresa em Linköping, em junho.

Testes reais mostram avanço da IA em combate

A Saab está entre as empresas mais avançadas nesse campo. Em junho do ano passado, uma versão do Gripen usou inteligência artificial para controlar ângulos de manobra e definir soluções de disparo, em parceria com a empresa alemã Helsing.

Foi, na prática, a primeira vez que um caça simulou um ataque a longa distância contra outra aeronave com o controle entregue à máquina. A bordo estava o piloto de testes Marcus Wandt, hoje à frente da divisão de Aeronáutica da Saab. Segundo ele, o desempenho do sistema surpreendeu:

“Eu vi ele [o agente de IA] fazer manobras que nunca tinha visto”, afirma Wandt.

Essa ambição, no entanto, não é novidade. Os Estados Unidos testam há anos uma versão sem piloto do F-16, e a Marinha americana acaba de aprovar a compra de um drone semiautônomo fabricado pela Boeing, pensado para operar em porta-aviões.

Outros países também correm atrás

A disputa tecnológica não fica restrita aos americanos e suecos. Na França, a Dassault testou recentemente dois algoritmos de assistência ao piloto para o caça Rafale, usando fusão de dados no pod Talios, desenvolvido pela Thales.

Já na Rússia, o avião de quinta geração Su-57 vem realizando voos conjuntos de teste com o drone pesado Okhotnik, ambos produzidos pela Sukhoi. Nem tudo, porém, saiu como planejado: em 2024, o caça russo precisou abater o próprio drone sobre a Ucrânia ocupada, depois de perder o controle da aeronave não tripulada.

O episódio russo serve como lembrete de que, apesar do entusiasmo bilionário em torno da inteligência artificial militar, a tecnologia ainda está longe de ser infalível. Enquanto isso, a corrida global segue acelerando — e cada vez mais distante das discussões teóricas sobre riscos que, por ora, não parecem ter freado nenhum programa de defesa ao redor do mundo.

Com informações de redir.folha.com.br.

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