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‘O Outro Lado das Redes’: entenda por que o filme reforça a dependência de vazamentos sobre big techs

Por: Eduardo Carrega
23/10/2026
23:00h
'O Outro Lado das Redes': entenda por que o filme reforça a dependência de vazamentos sobre big techs
Entenda como o filme 'O Outro Lado das Redes' mostra a dependência de vazamentos para revelar os bastidores polêmicos das big techs.
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Dezesseis anos separam os dois grandes filmes de ficção sobre o Facebook, e esse intervalo foi suficiente para tirar Mark Zuckerberg do centro das atenções. No lugar dele, quem assume o protagonismo agora é a dupla formada por um jornalista e sua fonte, a delatora Frances Haugen. É esse o mote de “O Outro Lado das Redes”, produção que chega aos cinemas trazendo à tona, mais uma vez, como o público acaba conhecendo os bastidores das big techs principalmente através de vazamentos internos.

Enquanto “A Rede Social” (2010) mergulhou nos primórdios de uma empresa que se tornaria gigante global da tecnologia, “O Outro Lado das Redes” caminha por outro território. Nele, a cientista de dados expõe como a plataforma turbinou os chamados “rage baits” — conteúdos sensacionalistas, muitas vezes falsos, criados propositalmente para gerar raiva — ao dar prioridade ao engajamento dentro da linha do tempo dos usuários.

O que o filme ‘O Outro Lado das Redes’ revela sobre big techs

Segundo a trama, essa decisão algorítmica não foi inocente: ela esteve ligada ao avanço de grupos extremistas, a problemas de saúde mental entre adolescentes e até ao recrutamento feito por cartéis do tráfico de drogas. Ou seja, por trás de uma simples escolha de engenharia, havia consequências bem concretas no mundo real.

Ao escancarar essas engrenagens internas, o longa reforça algo que já se sabe há tempos: praticamente tudo que o público entende sobre o funcionamento das plataformas digitais vem de vazamentos. No entanto, essa narrativa confere ao jornalismo um tom quase heroico que contrasta com um dado exibido no próprio desfecho do filme — o de que hoje mais pessoas se informam pelas redes sociais do que por veículos jornalísticos tradicionais.

Ecos de Watergate e bastidores corporativos

A primeira parte do enredo lembra bem mais “Todos os Homens do Presidente”, clássico de 1976 sobre o caso Watergate que levou à queda do então presidente dos EUA Richard Nixon, do que o primeiro filme sobre Zuckerberg. Essa escolha narrativa dá ao filme um ritmo de investigação jornalística clássica, em vez da ascensão vertiginosa de uma startup.

Nessa trama, um diretor de relações públicas fictício, Teddy Marks, avisa os funcionários da empresa que jornalistas estão dispostos a buscar fontes até em aplicativos de relacionamento. Além disso, ele deixa claro que vazar informações internas representa quebra de contrato de trabalho — um recado direto para quem pensa em falar demais.

Essa crítica, aliás, não fica só no roteiro: aparece em ações coletivas nos EUA e em ações civis públicas no Brasil.

O jornalista por trás da revelação

O interlocutor da famosa “whistleblower” do Facebook é o jornalista Jeff Horwitz, vivido por Jeremy Allen White (de “O Urso”). Horwitz é repórter do Wall Street Journal e foi premiado com o Pulitzer pela série Facebook Files, que expôs os efeitos nocivos das plataformas sobre os usuários.

A publicação dos documentos pelo jornal americano, em 13 de setembro de 2021, pressionou a empresa a mudar seu nome corporativo para Meta, anúncio feito em 28 de outubro daquele mesmo ano — movimento apresentado oficialmente como parte da aposta no metaverso, mas que para muitos veio em meio à turbulência causada pelas revelações.

Em determinado momento do filme, Horwitz resume bem o espírito da história ao afirmar:

“É preciso dor para fazer gente rica mudar de ideia, ainda mais quando não é sobre dinheiro.”

Ficha técnica do filme

  • Quando: Estreia nos cinemas em 22 de outubro
  • Classificação: 16 anos
  • Elenco: Jeremy Strong, Mikey Madison e Jeremy Allen White
  • Produção: Estados Unidos, 2026
  • Direção: Aaron Sorkin

No fim das contas, “O Outro Lado das Redes” funciona como um lembrete incômodo: por mais que as big techs sigam crescendo e acumulando bilhões de usuários, o que sabemos sobre seus bastidores continua dependendo, em grande parte, da coragem de quem decide vazar informações por dentro. Apesar de todo o esforço de sigilo corporativo, é esse tipo de revelação que segue moldando o debate público sobre o verdadeiro custo das redes sociais.

Com informações de redir.folha.com.br.

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