A noite deste domingo foi de contrastes nas redes e nos aplicativos de mensagem logo depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, por volta das 21h, a reeleição de Lula com 52% dos votos válidos. O resultado saiu ao fim de uma jornada eleitoral tumultuada, marcada por relatos de falta de ônibus em algumas regiões, pela prorrogação da votação até as 19h e por uma pausa temporária na divulgação da apuração — detalhes que, por si só, já alimentaram boa parte das discussões online antes mesmo da confirmação da vitória de Lula.
Enquanto apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) festejavam na avenida Paulista, o clima do outro lado era de indignação. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez questão de esclarecer que a prorrogação do horário de votação valia apenas para as seções que ainda estavam abertas — e lembrou que a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado duas horas extras de votação em cidades afetadas pela chuva. Mesmo assim, por volta das 22h45, Flávio apareceu em coletiva de imprensa afirmando que não reconhece o resultado e que pretende pedir a anulação da eleição, alegando que a prorrogação teria mudado as regras do jogo quando parte das urnas já havia encerrado o expediente.
O que diz o TSE sobre a vitória de Lula
Do lado institucional, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi categórico ao afirmar que a decisão de Zanin não provocou nenhuma alteração no pleito. Até o fechamento da noite, aliás, nenhum pedido formal de contestação havia sido protocolado — ou seja, a ameaça de Flávio Bolsonaro ainda não havia virado ação concreta na Justiça Eleitoral.
Como cada lado reagiu ao resultado nas redes
Para medir a temperatura do debate, foi feito um monitoramento em mais de 100 mil grupos públicos de aplicativos de mensagens, somado ao acompanhamento das conversas no X, cobrindo o período até as 23h deste domingo. Os números mostram uma inversão curiosa: depois da confirmação da vitória de Lula, foi justamente o campo derrotado quem mais falou nos aplicativos de mensagem, respondendo por 51% das opiniões sobre a eleição entre 21h e 23h, contra 40% do campo petista. Depois do pronunciamento de Flávio, essa fatia bolsonarista saltou para 61%.
No X, porém, o cenário se inverteu: o campo petista concentrou 59% das opiniões no mesmo intervalo, mostrando como o comportamento digital variou bastante conforme a plataforma analisada.
Contestação predomina entre bolsonaristas
Dentro do campo bolsonarista, o tom predominante foi mesmo o de contestação. Entre 21h e 23h, 64% das opiniões desse grupo nos aplicativos de mensagem questionavam o resultado da eleição, enquanto 13% expressavam lamento pela derrota e apenas 1% reconhecia o desfecho, em mensagens isoladas como a seguinte:
“Sou Bolsonaro mas sei reconhecer a derrota.”
Entre os que lamentavam o resultado, a derrota foi atribuída principalmente ao STF e à desunião da direita, com críticas direcionadas a aliados e a candidatos que disputaram o primeiro turno. Já no X, onde esse campo é minoritário, o padrão de reação foi diferente: houve proporcionalmente mais lamento e menos contestação, com 24% e 45% das opiniões, respectivamente — um sinal de que o descontentamento, apesar de presente nas duas plataformas, se manifestou de formas distintas dependendo do espaço digital ocupado por cada grupo.
Em resumo, a confirmação da vitória de Lula pelo TSE não encerrou o debate nas redes — pelo contrário, escancarou a divisão entre os dois campos políticos logo nas primeiras horas após o resultado. De um lado, comemoração na Paulista e reconhecimento institucional do pleito; do outro, uma reação de desconfiança que, até o momento, ainda não se traduziu em medidas formais na Justiça Eleitoral, mas que já domina boa parte da conversa pública online.
Com informações de redir.folha.com.br.