A Meta decidiu dar mais fôlego ao calendário e adiou, de 30 de outubro para 20 de novembro, a entrada em vigor dos novos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Serve. Apesar da data nova, o trecho que vinha gerando desconforto entre editores e anunciantes — justamente o que autoriza a empresa a rastrear sites comerciais — continua intacto nos dois documentos. Vale lembrar que os Termos Comerciais abrangem qualquer uso empresarial da plataforma, inclusive a simples administração de uma Página no Facebook.
Em declaração ao Nieman Lab, um porta-voz da Meta explicou que a prorrogação serve “para dar mais tempo para explicarmos aos nossos parceiros e stakeholders o que está mudando e o que não está”. Segundo o representante, essa explicação inclui detalhar como a empresa utiliza seus crawlers pela web.
O que o adiamento do rastreamento de sites comerciais não resolve
As versões em inglês americano dos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Serve já trazem 20 de novembro como a nova data de vigência. De acordo com o Nieman Lab, até o dia 23 de outubro a Meta não havia alterado nenhum outro ponto do texto além da data em si.
O parágrafo sobre rastreamento continua permitindo que a Meta use softwares automatizados e “crie credenciais de teste” para vasculhar páginas ligadas a produtos ou serviços de uma empresa, puxando atualizações periodicamente. Nenhuma das duas prévias faz qualquer menção ao arquivo robots.txt, que normalmente serve para sites indicarem o que pode ou não ser rastreado.
Além disso, os atuais Termos de Anúncios Self-Serve, datados de 22 de agosto de 2025, já autorizam a Meta a rastrear conteúdo nos domínios de um anunciante para fins que incluem “pesquisa e treinamento” assim que um pedido de anúncio é efetivado. Ou seja, parte dessa permissão já estava em vigor antes mesmo da polêmica atual. Curiosamente, até 25 de outubro, as prévias em inglês britânico, alemão e francês dos Termos Comerciais ainda traziam 30 de outubro como data, mostrando um certo descompasso entre as versões regionais.
Reclamações chegam a reguladores da União Europeia e do Reino Unido
O Movement for an Open Web, grupo que reúne anunciantes e editores, pediu formalmente à Comissão Europeia e à Competition and Markets Authority (CMA) do Reino Unido que bloqueiem os termos da Meta por meio de medidas provisórias enquanto a investigação segue em curso. A Meta, por sua vez, disse à Reuters que discorda da denúncia.
Depois do anúncio do adiamento, um porta-voz da CMA afirmou ao Nieman Lab: “Vamos continuar analisando esses termos minuciosamente e dialogando com a Meta e outras partes à medida que avaliamos nossos próximos passos.”
Já a Comissão Europeia disse à Reuters que vai avaliar a denúncia apresentada. Em declaração ao Nieman Lab no dia 23 de outubro, o órgão afirmou que recebe bem o adiamento e segue comprometido em garantir que a Meta cumpra a legislação europeia, incluindo o Artigo 102 do TFUE e o Digital Markets Act.
É importante destacar que foi a própria Meta quem anunciou o adiamento por conta própria — nenhuma das declarações de órgãos reguladores repassadas pela Reuters e pelo Nieman Lab determinou essa mudança de prazo ou qualquer ajuste obrigatório nos termos.
Editores pedem mudança na cláusula de rastreamento de sites comerciais
A WAN-IFRA (World Association of News Publishers) solicitou que a Meta suspendesse temporariamente a cláusula de rastreamento para veículos de notícias, além de tornar o robots.txt vinculante dentro dos próprios termos. No dia 23 de outubro, o CEO da entidade, Stig Ørskov, declarou: “Esse adiamento é um passo bem-vindo, mas não resolve nossas preocupações.”
No mesmo dia, a European Alliance of News Agencies voltou a cobrar da Meta a eliminação total da cláusula, manifestando esperança de que o novo prazo abra espaço para um diálogo mais substancial entre as partes.
Por que isso importa para quem tem site comercial
Na prática, a Meta afirma agora que os termos comerciais revisados passam a valer em 20 de novembro. No entanto, até 25 de outubro, pelo menos algumas versões regionais dos termos ainda apontavam 30 de outubro como data de vigência — uma inconsistência que vale acompanhar de perto. Além de outros direitos e obrigações previstos nos “Termos Comerciais”, uma empresa concorda automaticamente com todas as atualizações do documento, incluindo as permissões de rastreamento, simplesmente ao continuar usando os produtos empresariais da Meta depois de receber o aviso de mudança.
Segundo a própria Meta, webmasters podem sinalizar suas preferências de rastreamento através do robots.txt para tentar influenciar como a empresa varre esses sites. A Meta também disponibiliza informações sobre os diferentes crawlers usados para finalidades distintas, como publicidade, treinamento de modelos de IA e busca do Meta AI. Apesar disso, os novos termos não deixam claro se uma configuração de robots.txt realmente limita aquilo que uma empresa concorda em ceder ao aceitar o novo contrato.
O que esperar daqui para frente
Os termos atualizados da Meta devem entrar em vigor em 20 de novembro. Enquanto isso, grupos de editores torcem para ver a cláusula de rastreamento revisada antes dessa data, e a CMA segue avaliando seus próximos movimentos. Para quem administra um site comercial ou uma página de negócios, o recado é prático: vale a pena revisar com calma o parágrafo sobre rastreamento e conferir como o robots.txt do seu domínio está lidando com cada crawler da Meta — assim você evita surpresas quando o novo prazo finalmente chegar.
Com informações de searchenginejournal.com.