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Era da IA: CEO do Airbnb alerta que dois tipos de profissionais podem ficar para trás — entenda quais

Por: Eduardo Carrega
28/10/2026
05:00h
Era da IA: CEO do Airbnb alerta que dois tipos de profissionais podem ficar para trás — entenda quais
CEO do Airbnb, Brian Chesky, explica por que gestores rígidos e avessos à mudança podem não sobreviver à era da IA no mercado de trabalho.
RESUMIR COM:

A corrida da inteligência artificial já virou tema recorrente entre os grandes nomes da tecnologia, mas o recado de Brian Chesky, CEO do Airbnb, tem um tom diferente. Para ele, o problema não está na era da IA em si, e sim na resistência de quem se recusa a acompanhar essa transformação. Segundo Chesky, existem dois perfis de funcionários que dificilmente vão sobreviver a esse novo momento do mercado de trabalho.

“Os dois tipos de pessoas que não vão conseguir fazer a transição para a IA são os gestores que apenas administram pessoas e aqueles que são rígidos e não querem mudar nem evoluir”, afirmou Chesky no podcast Invest Like the Best, no início deste ano.

Era da IA exige adaptação até de quem lidera

A fala de Chesky entra numa lista de previsões que vêm sendo feitas por executivos de peso do setor. Dario Amodei, CEO da Anthropic, já havia alertado que a inteligência artificial poderia impactar metade dos empregos de entrada em escritórios — embora tenha amenizado esse discurso ao longo do ano. Já Mustafa Suleyman, à frente da área de IA da Microsoft, foi além ao projetar que boa parte do trabalho profissional pode ser substituída em um prazo de 12 a 18 meses.

Apesar disso, Chesky prefere apostar numa visão mais otimista, com uma condição clara: quem quiser se manter relevante vai precisar se adaptar. Segundo ele, conforme a IA remodela a estrutura das empresas e a rotina de trabalho, os líderes também terão que se reinventar — e os gestores de pessoas estão bem no centro dessa mudança.

Na avaliação do executivo, o futuro pertence ao que ele chama de “gestor híbrido” ou “gestor-contribuidor”: alguém que une liderança a uma atuação mais técnica, mantendo contato direto com o produto final em vez de se limitar apenas a coordenar equipes. Ou seja, não basta mais apenas gerenciar pessoas — é preciso participar ativamente do trabalho em si.

“Não acho que gestores de pessoas terão valor no futuro. E, quando digo gestores de pessoas, me refiro àqueles que apenas gerenciam pessoas”, continuou Chesky. “Você não pode ser apenas aquele gerente que funciona como terapeuta da equipe, faz reuniões e encontros individuais.”

Como exemplo de equilíbrio entre liderança e envolvimento direto com o produto, o CEO do Airbnb citou Jony Ive, ex-diretor de design da Apple. Para Chesky, continua sendo importante construir relacionamento com os funcionários, fazer reuniões periódicas e até compartilhar um jantar com os subordinados diretos — porém, apenas supervisionar pessoas não será mais suficiente. A nova lógica, segundo ele, é gerenciar pessoas por meio do próprio trabalho.

Quem acha que pode escapar da tecnologia também corre risco

De acordo com Chesky, nem mesmo quem pensa em simplesmente ignorar a inteligência artificial vai ter uma trajetória tranquila. A boa notícia, segundo ele, é que dominar essas ferramentas não é algo tão complicado — desde que o profissional cultive o que ele chama de “mentalidade de crescimento”. Essa visão conversa diretamente com o que outros líderes do setor vêm repetindo: a IA, por si só, não necessariamente substitui empregos, mas alguém capacitado para usá-la pode acabar ocupando a vaga de quem não se atualizou.

Outros CEOs reforçam: familiaridade com a tecnologia é o diferencial

Chesky não é o único a bater nessa tecla. O próprio CEO do Airbnb já havia dito que a inteligência artificial foi determinante para o avanço da empresa, hoje avaliada em US$ 103 bilhões. Para ele, trata-se muito mais de uma necessidade do que apenas uma vantagem competitiva.

“Do ponto de vista empresarial, acho que a IA é a melhor coisa que já aconteceu ao Airbnb”, disse Chesky à CNBC no início deste ano. “As empresas lideradas por fundadores e as que estão preparadas para mudar e se transformar serão as que mais se beneficiarão da IA, porque a IA significa que todos precisam mudar. E, se você não mudar, será superado.”

Jensen Huang, CEO da Nvidia, segue linha parecida ao defender que a inteligência artificial não será a vilã que vai tirar empregos — o risco, segundo ele, está em ficar para trás em relação a quem sabe aproveitar essas ferramentas no dia a dia.

“Todos os empregos serão afetados, e imediatamente. Isso é inquestionável”, afirmou Huang durante a conferência global do Milken Institute, em 2025. “Você não vai perder seu emprego para uma IA. Vai perder seu emprego para alguém que usa IA.”

Huang foi além e deixou um conselho direto:

“Eu recomendaria que 100% das pessoas aproveitassem a IA. Não seja aquela pessoa que ignora essa tecnologia e, por causa disso, perde o emprego.”

Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, trouxe uma reflexão parecida para o universo do entretenimento. Para ele, a tecnologia vai sim impactar os empregos do setor, mas o diferencial estará nas mãos de quem souber usá-la a favor do próprio trabalho.

“Não acredito que um programa de IA vá escrever um roteiro melhor do que um grande roteirista ou substituir uma grande atuação”, disse Sarandos ao New York Times em 2024. “A IA não vai tirar o seu emprego. A pessoa que usa IA bem pode tirar.”

Em resumo, o recado desses executivos caminha na mesma direção: na era da IA, o que parece separar quem vai prosperar de quem vai ficar para trás não é exatamente a tecnologia, mas a disposição de aprender a conviver com ela — seja na liderança, seja na execução do trabalho do dia a dia.

Com informações de infomoney.com.br.

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